12 anos antes
Estou
quase pronta. Falta apenas um batom para completar o visual.
Estou me
produzindo toda para ir à festa de aniversário de 16 anos da minha melhor
amiga, Amanda.
Estou
usando meu All Star preto de cano longo, saia jeans e uma camiseta babylook
preta da Legião Urbana. Meu cabelo está solto, chegando quase a minha bunda.
Para completar o look, passei bastante lápis de olho preto e um batom cor de
rosa. Olho-me no espelho e me sinto bonita. Tirando o fato de que está é a
primeira vez que meu pai me deixou ir a uma festa à noite e ainda de quebra dormir
na casa de praia da Amanda.
Eu estou me sentindo bem calma.
Ok! Mentira. Estou
uma pilha de tão nervosa.
Amanda está fazendo 16 anos e resolveu dar uma festa na
casa de praia dos pais dela, com a presença deles é claro. Por isso que estou liberada
para ir e dormir lá, isso e pelo fato que o Tiago também vai estar na festa,
mas o que os meus pais não sabem é que os pais da Amanda são super liberais e
vão ficar boa parte da festa no andar de cima da casa, deixando o andar de
baixo, o jardim e a praia totalmente livre para os adolescentes e não serão
poucos, já que Amanda convidou todos os alunos a partir da 8ª série.
Apesar de o Tiago ir à festa junto comigo, ele não estará
efetivamente comigo, ele vai apenas estar no mesmo lugar que eu, uma vez que
brigamos.
Nossa amizade se manteve igual à infância até cerca de 6
meses atrás, quando comecei a perceber que ele estava se afastando e me
evitando. Certo dia perguntei se estava acontecendo alguma coisa e ele me disse
que estava com o tempo contado por causa dos cursos e aulas extras que os pais
dele o obrigam a ir, mas não consegui acreditar e acabei dando o espaço que ele
parecia querer.
Mesmo com a distância que surgiu entre nós, mantínhamos o
ritual de conversar pelo menos uma vez por dia, nem que fosse apenas um ‘olá’.
Na nossa última conversa, há duas semanas, as coisas não terminaram nada bem.
Ele estava nervoso, irritado e extremamente grosso, enquanto eu estava feliz da
vida por ter ficado com um garoto do terceiro ano.
Ele sempre foi meu confidente e por isso contei a ele como
foi que acabei ficando com o Emerson. Depois de contar, ele não só foi grosso
como me ofendeu. Disse que eu era uma boba por pensar que um garoto do terceiro
ano iria querer namorar comigo, uma pirralha. Quando expliquei que não queria
namorar o Emerson e que havia sido apenas um beijo, ele riu e apenas disse que
se eu continuasse assim, iria acabar me tornando uma qualquer, uma garota mal
falada pelos garotos. Uma vagabundinha.
Fiquei com tanta raiva que dei um tapa na cara dele, fui
embora e não voltei a falar com ele novamente.
Hoje não serei diferente, eu vou continuar ignorando ele e
vou aproveitar ao máximo a festa.
Ouço ‘Everybody’ dos BackStreet Boys tocando em algum lugar
em meio a bagunça do meu quarto. Esse é o meu toque especial para mensagens de
texto.
É uma mensagem de Amanda.
“Passo ai em 5
minutos para te pegar. Esteja pronta. Prometi me comportar e papai prometeu
deixar a casa liberada. Hoje é a minha noite.”
Digitei uma resposta rapidamente.
“Linda, pronta e
esperando. Hoje a festa vai ser show então.”
Quinze minutos depois Amanda tocou a campainha da minha
casa, acompanhada pelo pai. Enquanto eu pegava minha mochila com um pijama e
mais alguns itens que iria precisar, ouvi o pai dela conversando com o meu pai.
-Pode ficar tranquilo Claudio, vou
ficar de olhos abertos neles, por isso preferi que a festa fosse na minha casa
de praia, porque tem espaço e ao mesmo tempo, posso cuidar de tudo através das
câmeras de monitoramento. Tenho-as espalhadas pelo terreno todo. - Explicou tio
Charles, como eu o chamo.
Enquanto ele continuava conversando
com papai, Amanda e eu nos apressamos em ir para a varanda para conversarmos.
Ela estava linda com seu vestido preto, que em minha opinião é curto demais,
mas fica belíssimo nela. Ainda mais com aquela sandália de salto alto e seu
lindíssimo cabelo liso e extremamente preto, típico de descendentes de
japoneses, o que é o caso de Amanda.
A abracei e entreguei a caixinha com meu presente para ela,
desejando os parabéns e tudo de bom. Na caixinha continha um colar com um
pingente em forma de meio coração onde se lê a palavra ‘Forever’. A outra
metade do coração está pendurada em meu pescoço, em um colar idêntico e nele
contem a palavra ‘Friends’.
-Friends... – Comecei a dizer, enquanto
puxava a corrente mostrando o pingente para ela.
-Forever... – Ela complementou, encaixando
seu pingente no meu. – É linda Anne, amei. Obrigada. Ajude-me a colocá-lo.
Ela me entregou o colar e ergueu os
cabelos. Fui para trás dela, ficando de costas para a porta e tentei colocar o
colar em seu pescoço.
- Advinha quem me ligou ontem para
perguntar se eu estaria sozinha na festa? Chuta? Duvido que você adivinhe. - Amanda
disse animada.
Como eu estava lutando com o fecho
do colar acabei não pensando em ninguém e murmurei um breve: - Não sei.
- Tiago. – Ela disse com entusiasmo.
– Você acredita nisso? Tiago, o seu Tiago.
Será que ele está afim de mim?
Senti minhas mãos tremerem de raiva.
Aquele idiota passa duas semanas sem
falar comigo, mas liga para minha melhor amiga para dar em cima dela? Idiota.
- Se eu fosse você, não ficaria com
ele. Além de ser um grosso, estúpido e calhorda, ele é um idiota de marca
maior. – Eu disse para Amanda.
- Que bom que você me conhece tão
bem, Anne. Ou eu pensaria que essa pessoa que você está descrevendo sou eu.
É claro que com minha sorte, ele
iria aparecer atrás de mim bem na hora que estou xingando ele.
- Oi Amanda, parabéns – Ele sorriu
para ela e entregou um pacote de presente. Ela sorriu de volta, como se
estivesse vendo o Justin Timberlake pessoalmente.
Porque ele comprou um
presente pra ela?
- Obrigada, Titi. Não precisava. – Ela está sorrindo e
piscando pra ele na minha frente? Acho que vou vomitar.
Ele deu pra ela um cd do N’Sync, que ela já tem, mas é
claro que ela disse que amou e ainda não tinha esse cd.
Mentirosa e que
história é essa de chamá-lo de Titi?
Não aguentei mais.
- O que você está fazendo aqui, Tiago? Achei que não andava
com uma qualquer. – Perguntei acidamente.
- Esqueceu que vamos para a mesma festa? Amanda me ofereceu
uma carona e um lugar para dormir, assim vou e volto com vocês. – Ele respondeu
calmamente, enquanto sorria para Amanda.
Furiosa com aquela situação, acabei descendo do salto e
sendo muito rude com os dois.
- Vou deixar vocês dois ai, se comendo com os olhos e
sorrisos e vou ali vomitar um pouco, mas sintam-se à vontade. Deve ter
camisinha em algum lugar da casa, caso vocês queiram partir para os
‘finalmentes’.
Dito isso, virei e sai em direção a sala, onde meu pai ainda
conversava com tio Charles, mas não sem antes ouvir Amanda perguntar para
Tiago:
- O que deu nela?
- O que deu nela?
Virei-me a tempo de ver um sorridente Tiago responder:
- Não sei, vai ver ela ficou com ciúme da nossa amizade.
Ciúme? Que história
de ciúme? Eu estou é com raiva, muita raiva.
Estou com raiva da Amanda, por ser tão boba e não ver que
ele não gosta dela, mas estou com raiva principalmente dele.
Só porque ele é do time de natação da escola, é cobiçado
por nove entre dez meninas, tem aquele porte físico de nadador, com ombros
largos, mãos grandes, pernas longas e musculosas, barriga de tanquinho, rosto
quadrado, lábios lindos... Certo, sou obrigada a reconhecer que ele é bonito,
isso sem falar nos olhos verdes, as pequenas sardas e o cabelo castanho claro que
eu adoro bagunçar, quando está todo arrumadinho.
Mesmo sendo bonito, atencioso e fofo quando quer, ele não
tem o direito de dar em cima da minha melhor amiga. Com tanta garota aos pés
dele, ele tem que estar afim da minha melhor amiga?
E porque ele deu um
cd para ela, enquanto para mim ele só dava coisas sem valor?
No meu aniversário de oito anos, lembro que ele me deu uma
boneca que a mãe dele comprou, mas depois me entregou um soldadinho de chumbo e
disse que aquele era o presente dele de verdade. Quando fiz dez anos ele me deu
o seu boné e uma coleção de figurinha de jogador de futebol, mas no ano passado
ele se superou no presente, ele fez uma flor com o guardanapo da pizzaria que
estávamos jantando e teve a cara de pau de dizer que não havia comprado nada
porque estava economizando para comprar um carro quando fizesse dezoito anos.
Agradeci educadamente, disse que era linda e quando cheguei em casa guardei na
caixa onde eu guardava todos os presente que ele me deu ao longo dos anos.
Tio Charles me tirou das minhas lembranças irritadiças,
quando avisou que estava na hora de irmos.
Quando cheguei à porta, vi Tiago e Amanda andando lado ao
lado em direção ao carro, conversando e rindo. Outra onda de fúria se apossou
de mim, junto com uma sensação de perda. Fiquei reparando a forma como os dois
caminhavam juntos e o quanto eles pareciam realmente um casal. Até a roupa
deles combinava. Ela estava toda de preto e ele também. Ele vestia um jeans
escuro, all star preto, camisa do U2 e um moletom preto com o desenho do violão
da capa do cd da Legião Urbana. Aquele moletom foi presente meu para ele. Não
era para ele usar para ficar paquerando a minha melhor amiga.
“Ai que raiva! Que se danem os dois.” Pensei antes de
sentar no banco traseiro do carro do pai de Amanda, bem ao lado do Tiago, que
mesmo sem parecer perceber, estava entre uma Amanda toda sorridente,
esperançosa e tagarela e uma Annelise completamente irritada, bufando, de cara
feia olhando pela janela e pensando que deveria ter sugerido ao tio Charles que
colocasse as caixas de salgadinhos e docinhos no banco de trás ao lado do
Tiago, mas agora é tarde. Tio Charles já estava a caminho da festa e eu teria
que aguentar o corpo do Tiago colado ao meu pelos próximos 45 minutos até a
praia.
***
Chegamos à casa de praia antes de todos os convidados para
poder ajudar na arrumação. Dona Helena, mãe de Amanda já estava na cozinha
organizando os comes e bebes, instruindo os dois garçons e a cozinheira que
foram contratados para ajudá-la. Dona Helena, como boa anfitriã e organizadora
de festas e eventos profissional, já tinha tudo organizado e sob controle.
Fomos liberados de ajudar na cozinha, mas fomos instruídos a verificar os
outros cômodos da casa e ver se estava tudo certo.
Quando comecei a andar pela casa, meu queixo caiu. Tudo bem
que a família da Amanda tem dinheiro, já que eles são donos de uma frota de
caminhões de transporte de mercadorias, mas eu nunca achei que eles fossem
gastar tanto com uma festa de aniversário.
Na sala de jantar, todos os móveis foram removidos e no
centro da sala havia sido colocado um piso quadriculado para fazer às vezes de
pista de dança, com direito a globo de luz enorme pendurado bem no centro e
muitos balões de gás hélio, espalhados pelo teto. No canto esquerdo da sala,
havia uma mesa de som e um pequeno palco que possuía vários jogos de luz
colorida para dar à festa, cara de balada.
Em uma sala menor, que parecia ser a uma sala de televisão,
os móveis foram reorganizados para poder acomodar um mini camarim com direito a
penteadeira no estilo penteadeira da Barbie. Tinha maquiagem, perucas,
fantasias, coroas, chapéus e tudo mais que se possa imaginar para uma festa a
fantasia. Como complemento da sala, no canto oposto ao mini camarim havia uma
quantidade enorme de aparatos de fotografia. O pano de fundo para as fotos era
uma imagem ampliada de uma balada com muitos corpos desfocados simulando que
estavam dançando.
Passei por todos os ambientes internos e fiquei encantada.
A festa iria ser um sucesso, mas foi quando vi a parte externa da casa que tive
certeza que a festa seria mais que um sucesso, seria um arraso.
Como a casa ficava de frente para a praia, foram colocadas
várias tochas para enfeitar o local e feita uma fogueira na areia. Mais próximo
a casa, havia outra mesa de som, mas essa parecia mais a mesa de um DJ.
A piscina estava cheia de balões dourado e branco, que
combinavam com o restante da decoração. Inclusive com a decoração das mesas que
estavam espalhadas em volta da piscina.
Enquanto admirava o belo trabalho que tia Helena havia
feito, percebi que Tiago vinha em minha direção. Não esperei por ele, sai
andando o mais rápido que pude em direção a primeira porta que encontrei. Era a
porta externa da cozinha.
Quando entrei, encontrei a cozinheira preparando alguns canapés
e docinhos, me ofereci para ajudar e a cozinheira, que soube depois se chamar
Amélia, me disse que não precisava, mas se eu queria mesmo ajudar poderia ir
enfeitando alguns canapés com raspas de limão.
Era simples, bastava pegar as raspas que já estavam prontas
em um prato e jogar um pouquinho em cima de cada canapé.
“Eu posso fazer isso.
É fácil e simples.” Pensei
Eu estava indo muito bem até sentir uma respiração suave em
meu pescoço e um: - Eu preciso falar com você. - Sussurrado contra a minha orelha.
Neste momento todo o esforço de fazer as coisas direitinhas
foi para o espaço. Deixei todas as raspas de limão que estavam na minha mão
caírem em cima de apenas um canapé. Quando percebi e fui tentar retirar um
pouco de cima, eu já estava tão nervosa que acabei colocando o braço em cima
dos outros canapés que estavam ao lado, lambuzando todo o meu braço e
estragando todo o trabalho que eu tinha feito. Quando vi que Tiago estava
próximo da porta, me olhando e sorrindo com cara de pura diversão, fiquei ainda
mais nervosa e na tentativa de sair do banco sem estragar mais nada, acabei
derrubando dois copos que estavam em cima do balcão. Soltei um palavrão em alto
e bom som e pude ouvir Tiago tentar inutilmente segurar o riso.
“O desgraçado está se
divertindo com a cena que ele causou.” Babaca.
Quando me abaixei para juntar os cacos de vidro dos copos,
dona Amélia já vinha com a vassoura e a pá de lixo para fazer isso. Claro que
depois dessa, fui expulsa da cozinha e tive que enfrentar Tiago que me
aguardava do lado de fora.
- Eu sabia que era uma questão de tempo para te expulsarem
da cozinha. – Disse ele ainda com um sorriso bobo no rosto, enquanto furiosa,
seguia em direção à praia.
- Você fala como se eu não conseguisse fazer nada em uma
cozinha. – Respondi frustrada.
- Te conheço tempo o suficiente para saber que você é tão
desastrada que a cozinha vira um campo de guerra quando você está lá. - Ele
ainda continuava sorrindo.
- Isso não é verdade. – Tentei desmenti-lo e ao mesmo tempo
eu fazia um esforço enorme para não sorrir. Falhei nas duas coisas.
- Não é verdade? Quantos copos e pratos você já quebrou?
Panelas com comida que vão parar no chão magicamente? E a vez que você
esqueceu-se de pôr a tampa no liquidificador quando foi fazer suco de melancia?
Passamos dias limpando a sujeira de melancia pela cozinha inteira...
- Ok, você venceu, sou um perigo ambulante, mas a culpa da
tampa do liquidificador foi sua. Você a escondeu e depois me distraiu... – Fui
obrigada a sorrir quando vi o sorriso dele sumir e se transformar em uma cara
de inocência fingida.
- Ficamos com suco de melancia até na alma. – Ele respondeu
rindo.
Continuamos caminhando em silêncio o restante do caminho
até chegarmos a beira mar. Com nossos All Stars na areia, ficamos parados lado
a lado, em silêncio, enquanto Tiago parecia escolher as palavras para conversar
comigo. Aquela situação estava incomoda e eu precisava acabar com aquilo.
- Fala logo o que você queria falar, Tiago. Já tem gente
chegando e quero voltar lá para dentro. – O aprecei.
Ele tomou fôlego, ameaçou começar a falar e parou. Ele
parecia muito nervoso. Quando finalmente falou, sua voz saiu baixa e rápida.
- Eu queria pedir desculpas pelo que eu disse. – Tiago
falou tão baixo que quase não ouvi.
- O que? – Perguntei ainda sem ter certeza do que tinha
ouvido. A minha raiva retornando com força total. – Você está pedindo desculpas
pelo o que? Por se meter na minha vida ou por me chamar de vadiazinha?
- Vagabundinha... – Ele falou ainda mais baixo que antes.
Não passava de um sussurro.
- O que você disse? Você está me chamando... - Não consegui
terminar de falar. Minha raiva tinha acabado de passar para o estágio “Fúria
Homicida”.
- Não Anne, espere... Não estou te chamando de nada. – Ele
apressou-se em dizer – Estou apenas te corrigindo. Aquele dia eu te chamei de
vagabundinha e não de vadiazinha. - Ele explicou, mas ao mesmo tempo, parecia
estar envergonhado por ter feito isso.
- E isso tem alguma diferença? – Eu estava começando a
gritar com ele – Faz diferença se serei uma jovem vagabunda ou vadia? Ambas são
descartáveis e não dignas de conviver com o principezinho, filhinho da mamãe e
conquistador barato nas horas vagas, o senhor Tiago Rebello? Heim Tiago? Me
responde. Faz alguma diferença? - Explodi em cima dele, o tempo todo cuspindo
as palavras em seu rosto, com um dedo espetando seu peito e os olhos cravados
em seus olhos verdes. Vi arrependimento e vergonha passando pelo seu rosto e
senti que eu estava à beira das lágrimas. Precisava acabar com aquela discussão
de uma vez.
- Me perdoa Anne. – Ele disse, ainda com a voz baixa, mas
agora eu sentia que ele estava realmente sofrendo por isso. Quando uma única
lágrima caiu em meu rosto, ele se apressou em enxugá-la com seu polegar. –
Aquele dia estava sendo muito ruim e não ajudou nada saber que você estava
ficando com Emerson. Acabei descontando tudo em cima de você. – Havia
sinceridade nas palavras dele. – Vamos acabar com essa briga. Estou sentindo
sua falta. Essas ultimas duas semanas foram horríveis sem você por perto.
Foi quando caiu mais uma lágrima de meus olhos, e ele a
secou, que percebi que sua mão estava acariciando meu rosto. Saber que ele
também sentia minha falta era maravilhoso, mas sentir os dedos dele fazendo
carinho no meu rosto era uma sensação diferente. Uma sensação quente e
aconchegante.
- Eu também senti sua falta. – Me ouvi respondendo enquanto
fechava os olhos para aproveitar mais o carinho dele. Senti seu corpo se
aproximar do meu ao ponto de ficarmos colado um no outro. Quando abri os olhos
novamente, a primeira coisa que vi foram duas íris de um verde intenso e depois
baixei meu olhar até sua boca que estava a centímetros da minha. Senti um calor
me inundar e a boca ficou seca de repente.
Ele é tão lindo...
mas é meu melhor amigo.
Foi pensando nisso que me afastei dele, dando um passo para
trás. Senti a perda do contato com o corpo dele, mas o que me deixou
desnorteada foi o olhar triste de Tiago quando isso aconteceu.
- Não sei se vou conseguir te perdoar tão fácil assim. – Eu
disse a ele, tentando voltar ao assunto inicial. – Você me magoou muito. Além
disso, você comprou um presente para a Amanda e nunca comprou nada para mim.
Tudo bem, eu
confesso, fiquei morrendo de ciúmes do presente dela.
- Jura que você ficou com ciúmes do presente que dei pra ela?
Mesmo que eu sempre tenha dado a você tudo o que eu...
- Ai estão vocês dois. – Amanda chegou interrompendo nossa
conversa. – Venham me ajudar com as coisas lá dentro. Tem um monte de gente
chegando.
Só tive tempo de secar meu rosto e limpar meu lápis de olho
que estava borrado, colocar um sorriso no rosto e seguir Amanda pelo caminho em
direção ao interior da casa.
Cerca de duas horas depois a casa estava lotada. Tinha
muita gente tanto na parte de dentro da casa, quanto no lado de fora. Gente
demais para o meu gosto e mesmo assim eu estava me sentindo sozinha.
Minha melhor amiga estava ficando ou ia ficar com o meu
melhor amigo, metade da festa estava bêbada ou estava bebendo para ficar bêbado,
e, eu estava começando a ficar com dor de cabeça.
Para piorar, fui dar uma volta na praia e encontrei o
Emerson se agarrando com outra menina. Como nós estávamos apenas ficando e nem
era aquilo tudo, resolvi deixá-los aproveitar a noite logo após me fazer ser
notada por eles e eu poder ver o olhar de medo nos olhos de Emerson.
“Ele achou mesmo que eu
fosse fazer uma cena por ele? Ha...Ha...Ha!!!”
Dei-lhes um tchauzinho e voltei para dentro de casa. No
caminho encontrei alguns conhecidos, parei para conversar com alguns, mas minha
cabeça estava realmente doendo. Resolvi que já era hora de abandonar a festa.
Fui até a cozinha atrás de dona Amélia e de um comprimido
para minha dor, mas não encontrei nenhum dos dois. O que encontrei foi Amanda e
Tiago. Ele estava encostado na pia falando algo pra Amanda, que estava de frente
para ele. Sem perceber que eu havia entrado na cozinha, eu vi quando Amanda o
mandou parar de falar nela e que a
beijasse logo. No momento que eles começaram a se beijar, eu derrubei o copo
com refrigerante que estava na minha mão, pedi desculpas e sai correndo aos
prantos e batendo a porta com força após passar por ela.
Eu não sabia para onde ir, por isso corri em direção as
escadas que davam para os quartos. Subi correndo e ouvi alguém me chamar, mas
não me importei. Continuei subindo e chegando ao corredor, fui direto para o
quarto de hospedes onde eu havia deixado minha mochila.
Para mim, a festa havia acabado.
Quarenta minutos depois, onde gastei pelo menos trinta
deles em um bom banho, com direito a chorar todas as lágrimas sem sentido que
eu tinha para chorar, escovei os dentes, penteei o cabelo, vesti meu pijama do
piu-piu e frajola e sai do banheiro, indo em direção a cama.
O quarto estava com a luz apagada e quando apaguei também a
luz do banheiro, o quarto foi engolido pelo breu. Eu só conseguia ver parte da
cama, devido à luz da rua que se infiltrava pelo canto da janela que não estava
atrás da cortina.
Os sons da festa não eram tão discretos quanto a claridade
da rua. A música, apesar de abafada, enchia o quarto e não ajudava em nada a
dormir, mas mesmo assim me enfiei na cama.
- Porque você estava chorando? – Perguntou uma voz que
vinha de algum lugar próximo a porta.
Cobri minha boca com as mãos para conter o grito de susto,
porque por mais que eu não precisasse enxergá-lo para reconhecer a voz que eu
conheço da minha vida inteira, eu não o esperava aqui.
- O que você está fazendo aqui, Tiago? Ainda mais me dando
um susto desses? Não deveria estar nos braços da aniversariante? – Não pude
evitar de perguntar.
- Por favor, Anne. Só me responda. Porque você estava
chorando?
- Eu não... – Tentei mentir, mas ele me conhecia bem o
suficiente para não se deixar enganar.
- Não minta Anne. Dava para ouvir seu choro daqui, mesmo
com todo o barulho da festa e do chuveiro. Eu só preciso saber o porquê.
Como explicar uma coisa que nem eu mesma consigo entender?
Enquanto eu me sentei na cama e encolhi os joelhos até
conseguir apoiar meu queixo neles, como eu fazia quando era pequena e estava
triste, Thiago caminhou até minha cama e sentou-se na beirada, ao meu lado.
Aquele facho de luz que iluminava a cama pegou em cheio o rosto dele. Ele
estava tão sério... Sério e lindo.
Várias lágrimas rolaram pelos meus olhos antes que eu
pudesse responder com a voz embargada.
- Eu não sei. As únicas coisas que tenho certeza é que a
minha noite está péssima. Vi o Emerson com outra garota e quando voltei pra cá,
me sentindo mais sozinha que nunca, eu vi você e a Amanda, juntos... – Não
consegui terminar de falar e voltei a chorar.
Tiago puxou a coberta e se enfiou na cama ao meu lado, me
abraçando. Coloquei minha cabeça na curva de seu ombro e continuei a chorar.
Senti suas mãos afagarem meu rosto e ele sussurrar que estava tudo bem, até que
consegui parar de chorar.
Quando parei de chorar, ele voltou a falar.
- Você viu o beijo, mas você não ouviu o que eu falei para
a Amanda, né?!
Não respondi, apenas balancei a cabeça.
- Na hora que ouvi você pedir desculpa e sair correndo,
percebi que cometi um erro enorme ficando com a Amanda. Era um erro com ela,
porque eu iria acabar magoando-a e iria magoar a garota que amo. – Meu coração
parou. Tiago está me contando que ama alguém? Porque ele me contaria isso? E
porque eu estava sentindo que minha tristeza estava dobrando de tamanho?
- Quando a porta bateu, minha ficha caiu. – Continuou ele.
– Eu interrompi o beijo, me desculpei com ela e expliquei que estava apaixonado
e não poderia ficar com ela. É claro que ela ficou chateada, mas disse que já
tinha percebido que eu sentia algo diferente por você, já que não falei de
outra pessoa a noite toda.
- Espera Tiago, o que eu tenho haver com tudo isso? –
Perguntei sem entender onde eu e minha interrupção entrávamos na história.
- Tudo bem que você sempre foi devagar de raciocínio, mas
hoje você está se superando. – Brincou ele, virando-se para mim e erguendo meu
rosto para que o encara-se. – Jura que você nunca percebeu? Em todos esses
anos, você nunca notou que eu gosto de você? Que estou apaixonado por você,
desde os tempos em que usávamos fraldas e se duvidar, antes disso?
Fiquei sem ação, paralisada, estática.
Ele está dizendo que
é apaixonado por mim? É isso mesmo ou eu não sequei direito a orelha e estou
ouvindo coisas?
- Você não vai dizer nada, Anne? Eu disse que estou
apaixonado por você, que eu te amo e acho que sempre amei. Diz alguma coisa,
por favor. – Ele parecia apavorado e eu estava tão confusa que não sabia o que
responder.
- Ti, eu realmente não sei o que te dizer. – Na hora que
parei de falar, senti que ele ficou tenso e começou a se afastar.
- Tudo bem, não tem problema. – Ele disse, enquanto começa
a se levantar da cama. – Eu nunca esperei que você correspondesse aos meus
sentimentos.
Eu o conhecia tanto quanto ele me conhecia, e pude perceber
que além dele estar mentindo, ele estava magoado. Eu não podia vê-lo, mas sabia
que a última coisa que eu queria era que ele se afastasse de mim agora.
Foi com esse pensamento que segurei sua mão e evitei que
ele saísse da cama.
- Ti, eu não sei o que dizer, porque até cinco minutos
atrás você era apenas o meu melhor amigo, depois de te ver beijar outra garota
eu sofri, mesmo sabendo que você já beijou muitas garotas, mas ver você com a
Amanda me fez mal e agora você está aqui se declarando pra mim. É muita coisa
de uma vez. Estou muito confusa.
Senti que ele relaxou um pouco, aproveitei para puxar suas
mãos e fazê-lo voltar para onde ele estava. Quando ele se ajeitou ao meu lado,
senti uma vontade enorme de me abraçar a ele e foi o que fiz. No primeiro
momento ele meio que se assustou, mas depois relaxou e passou a acariciar-me cabelo,
ombros e braços.
- Posso te fazer uma pergunta? – Eu disse, após alguns
momentos de silêncio.
- Claro. Quantas você quiser.
- Porque agora? Porque me contar agora? Porque não me
contou antes?
Na mesma hora ele enrijeceu os ombros e pareceu desconfortável.
Ele levou mais tempo que imaginei para me responder e quando respondeu, eu
queria que ele não tivesse feito.
- Eu vou me mudar. – Ele disse em voz baixa. – Vou embora
da cidade.
- Como? – Eu me virei imediatamente para tentar olhá-lo. Eu
não quis acreditar.
- Anne, no dia que te encontrei e que brigamos, meus pais
estavam tendo uma briga horrível e falaram em se separar. Quando escureceu e eu
resolvi voltar para casa, eles haviam conversado e resolveram que iriam ficar
juntos, mas que iriam embora de Floripa o quanto antes possível. - Ele suspirou
e pareceu buscar coragem para continuar. – Nós estamos nos mudando para
Portugal em dois dias.
Todo ar que estava em meus pulmões, me abandonou.
- Não... Isso não pode ser verdade. Você não pode me
abandonar, não agora... – Eu já estava começando a me desesperar. Não podia
perdê-lo, não agora. – Deve haver um jeito, não sei. Você pode ficar lá em
casa. A gente dá um jeito, mas você não pode ir.
- Anne, eu já tentei conversar com meus pais. – Ele parecia
tão cansado, mesmo enquanto acariciava meus cabelos eu podia sentir seu
sofrimento se misturando com o meu. – Eu sou menor de idade, não posso ficar, a
menos que meus pais autorizem e eles não vão fazer isso. Já tentei conversar
com eles um milhão de vezes nestas últimas duas semanas.
Senti todo o meu corpo doer e minhas lágrimas voltarem a
cair. Apertei ainda mais meu abraço nele. Eu iria perdê-lo para sempre. Meu
coração estava doendo.
- No dia que brigamos, não foi apenas uma briga. Eu queria
brigar com você. Queria que você ficasse com tanta raiva de mim que não iria
mais querer me ver na sua frente, assim seria mais fácil para você me ver
partindo. Só que eu sou um fraco e não aguentei ficar longe de você. Aquelas
duas semanas em que ficamos separados, me fez ter ainda mais certeza que eu te
amava, porque eu sofri mais que animal de circo. Eu ficava te vendo de longe e
então hoje à noite eu não aguentei ficar tão perto de você e resolvi que
precisava te contar tudo. Eu ia te contar na praia, mas a Amanda apareceu...
Ele não precisou explicar mais, eu já havia entendido tudo.
Eu o estava perdendo. Dentro de dois dias, eu perderia o meu melhor amigo, o
garoto que me amava e que de uma forma diferente, eu também o amava.
- Ti, eu não sei se te amo da mesma forma que você diz que
me ama, mas sei que o que sinto não é só amizade. Hoje quando eu vi você beijar
a Amanda, eu senti uma tristeza tão grande, e mais cedo lá em casa, eu tive
tanto ciúme de vocês dois que eu tentei me convencer que era por causa do
presente que você comprou para ela, mas não era só por isso. Era por sua causa.
Por você ter ligado para ela enquanto fazia dias que não falava comigo. Além do
fato de você estar dando atenção e sorrisinhos para outra garota, enquanto nem
se dignava a falar comigo.
- Anne, é horrível o que vou te dizer, mas eu usei a
Amanda. A usei para saber como você estava. Eu só sabia falar sobre você quando
estava com ela. – Ele parecia tão envergonhado.
A felicidade me invadiu ao ouvir isso. Virei meu rosto para
encará-lo e enquanto eu sorria, ele parecia surpreso com minha reação. Tanto
que surgiu uma ruga de preocupação entre suas sobrancelhas. Instintivamente
levei meus dedos até sua testa e a acaricie, até que a ruga sumisse.
- Obrigada. - Eu disse a ele. – Obrigada por me contar a
verdade.
Com minha mão em seu rosto, olhei seu rosto quase invisível
pela escuridão. Eu não precisava de claridade para saber que ele era lindo. Que
seus olhos verdes eram límpidos e me lembravam brincos de esmeralda, seu rosto
era salpicado de sardas e sua boca era uma imitação dos lábios dos deuses, bem
desenhada e generosa em carne. Não resisti. Acariciei seu rosto e o puxei para
que nossos lábios se encontrassem.
Quando finalmente senti o leve roçar da boca dele na minha,
algo em mim gritou de felicidade. Era isso que eu sempre quis e não teria muito
tempo para aproveitar antes de ele ir embora da minha vida.
Quando nossos lábios finalmente se colaram, fiquei um pouco
acanhada, mas apenas por alguns instantes, até que ele abriu minha boca com sua
língua e eu me entreguei ao beijo de corpo e alma. Conforme nos beijávamos, fui
sentindo que se tornava mais intenso a cada instante e nossos corpos foram se
ajustando um ao outro. Em determinado momento eu segurei a jaqueta dele e o
puxei para cima de mim. Ele aproveitou a posição que estávamos e começou a
acariciar as curvas do meu corpo e tornar o beijo ainda mais quente. Eu nunca
havia sentido nada igual.
Quando nos separamos para que pudéssemos respirar, ambos
estávamos ofegantes. Eu continuava sentindo o calor no meu corpo e sentia o
corpo do Tiago colado ao meu. Eu podia sentir todas as partes do corpo dele. E havia algumas partes que eu nunca
pensei que iria sentir desta forma, mas até mesmo isso estava colaborando para
aumentar a temperatura interna do meu corpo.
- Uau! – Eu tentei resumir o que estava sentindo e pensando
quando nossos lábios se separaram para que pudéssemos respirar.
- É, uau descreve bem. – Disse ele brincando – Se eu
soubesse que iria ser tão bom, teria te beijado antes. – Entre uma palavra e
outra, ele dava beijinhos no meu rosto.
- Realmente você não é nada mal, quando o assunto é beijo.
– Brinquei com ele e aproveitei para bagunçar seu cabelo. – Ti, você não acha
isso estranho? Eu te conheço há tanto tempo e agora estamos aqui, só nós dois,
nos beijando...
Não sei dizer se ele gostou ou não do meu comentário, mas
ele pareceu pensar muito antes de responder.
- Anne, eu tenho certeza dos meus sentimentos, já faz algum
tempo, desde quando você me contou que beijou pela primeira vez e eu fiquei
desejando duas coisas: quebrar a cara do idiota e que você tivesse tido essa
sua primeira vez comigo. Sempre morri de ciúmes dos garotos que você ficou, mas
como eu poderia correr o risco de perder sua amizade? É melhor ser seu amigo, a
não ser nada para você.
Depois de ouvir isso eu tive certeza que mesmo que eu não
gostasse dele de maneira nenhuma, agora ele teria me ganho. Eu não podia dizer
que o amava como ele me disse, mas havia algo que eu poderia dizer para ele ter
uma ideia dos meus sentimentos.
- Eu sempre me senti da mesma forma, mas não consigo dizer
as palavras que você quer ouvir. Sempre soube o cara lindo e maravilhoso que eu
tinha ao meu lado há vários anos. Sinto muito se eu não te dei a chance de ser
o primeiro cara que beijei, mas... – Parei de falar quando a ideia surgiu.
Seria uma loucura, mas ao mesmo tempo, parecia tão certo. Com quem eu iria
fazer isso, senão com o garoto em quem mais confio em toda a minha vida? O meu
melhor amigo, de quem eu gosto tanto e que me ama.
- Ti, existe uma coisa que eu gostaria que você fosse o
primeiro. – Tentei soar decidida, mas eu estava com medo dele me rejeitar. –
Além de todos os sentimentos que temos um pelo outro, nós vamos nos separar
dentro de alguns dias, então quero aproveitar o tempo que tenho com você.
Tiago, quero que você seja o meu primeiro. Quero que durma comigo.
Ele ficou tenso e imóvel.
- Anne, você está falando sério? Você gosta de mim ao ponto
de fazer isso? De perder sua virgindade comigo?
- Não consigo pensar em outra pessoa. A pessoa certa pra
mim. Quem melhor que você? – Ele começou a balançar a cabeça negativamente e eu
percebi que ele poderia não me desejar daquela forma. A vergonha me pegou em
cheio.
- Tiago, deixa pra lá. Você não quer, não tem problema. Eu
entendo, foi uma ideia estúpida. – Comecei a falar rápido, na intenção de mudar
de assunto e diminuir minha vergonha de ter me oferecido a ele.
- Nem pense nisso, Anne. Eu adoraria transar com você.
Seria a realização de um sonho, mas não vou fazer nada com você apenas por você
achar que me deve alguma coisa ou por que vou embora. Quero que você tenha
certeza do que quer. Não apenas um favor e sim um opção racional e que você
tenha certeza que não vai se arrepender depois.
Ele estava sendo tão racional que não percebia que eu
estava louca de desejo por ele. Quando ele terminou de falar eu o puxei para
que me beijasse. Só após alguns instantes o soltei e voltei a falar.
- Depois do que você acabou de me dizer, só reforçou minha
convicção. A primeira vez para uma garota é uma coisa importante demais para
ela ser feita apenas como um favor ou qualquer coisa do tipo. – Tentei explicar
– Eu quero que você seja o primeiro, não por pena ou por um favor, mas sim
porque você é o cara certo. Eu sinto isso. Além disso, eu sei que você jamais
faria nada para me magoar. Esse momento será o que me manterá firme, esperando
o dia em que você vai voltar pra mim. Porque você vai dar um jeito de voltar,
né?!
- Na primeira oportunidade que eu tiver, pego um avião e
volto para você. Mas quanto a tua virgindade, preciso te contar uma coisa... –
Ele baixou o rosto, quase o escondendo de mim.
- Diga. – Eu o encorajei.
- Eu... Er... humm... Eu também nunca fiz... – Ele estava tão envergonhado que disse isso
enquanto colocava o rosto na curva do meu pescoço. O que me causou um arrepio
imediatamente.
- Melhor ainda, vamos descobrir juntos, então. Será a
primeira vez dos dois e espero que não seja a ultima. – Eu disse quando puxei
seu rosto em direção ao meu para que nossos lábios se colassem e nossas línguas
pudessem dançar juntas, no melhor beijo que eu havia provado até hoje.
Foi quase automático, assim que nossos lábios se
encontraram, nossas mãos ganharam vida própria e passaram a passear pelo corpo
um do outro. Quanto mais profundo e urgente o beijo se tornava, menos poder de
raciocinar nós tínhamos. Até que só restou o desejo que aquele momento durasse
para sempre.
Continua sexta....





