José
Quando
acordei ela já tinha ido. Senti seu cheiro em meu travesseiro. Senti seu gosto
em minha boca e o simples falto de relembrar a noite que passamos juntos, já me
deixou ereto. Eu não deveria, mas meu desejo pela Rebeca era ainda maior
naquela manhã. Tentando lutar para me controlar, levantei e fui tomar um banho.
Minutos depois, me vesti e fui enfrentar a pequena sereia como se nada tivesse
acontecido.
Ao
descer, ouvi vozes e risadas. As meninas estavam conversando. Não vi nenhum dos
rapazes quando entrei na cozinha, mas vi imediatamente a mudança na postura da
Rebeca ao me ver.
- Bom
dia meninas. – Falei ao caminhar até a cafeteira e me servir uma caneca de
café. – Aqueles moleques ainda estão dormindo?
- Bom
dia pai. – Anne me deu um beijo no rosto. – Sim, estão todos dormindo. Achei
que você ficaria na cama até mais tarde também. Afinal, a noite foi longa para
todo mundo.
Assim
que Anne terminou de falar, eu notei três coisas: a primeira foi a piscadinha
da Anne, a segunda foi o sorriso que a Deb tentou esconder e a terceira, foi a
forma como Rebeca baixou os olhos e encarou a mesa ao mesmo tempo em que ficava
vermelha.
Droga!
Rebeca tinha contado para as meninas sobre a nossa noite, pensei irritado.
- A
minha noite foi longa, mas isso não é motivo para dormir até meio dia. Tenho
muito o que fazer. – Falei demostrando minha irritação.
- Pai,
são sete e quinze da manhã. Pare de ser tão dramático. É dia de Natal,
aproveite o dia e os presentes de natal que o bom velhinho te deu.
Deb
tentou fingir que não ria, mas dessa vez até mesmo Rebeca sorriu e Anne e Deb
caíram na gargalhada.
- Que
bom que vocês acordaram de bom humor. – Falei, cada vez mais irritado. Ao me
sentar à mesa para tomar meu café, sentei de frente para Rebeca e a encarei.
Ela me olhou de volta e deu de ombros, disfarçadamente. Não tive como esconder
meu mau humor. – Obrigado por contar.
Falei
tão baixo quanto pude, apesar de saber que Deb estava na mesa junto conosco e
também iria ouvir. Rebeca me encarou por alguns segundos e fez uma careta que
se eu não estivesse tão irritado, teria achado fofa.
- Bom
meninas e menino. A conversa está ótima, mas tenho que ir. – Rebeca levantou do
seu lugar e recolheu sua xicara para pôr na pia.
- Já
vai? Vamos fazer almoço especial. Fica... – Anne pediu.
Não
comentei nada, mas fiquei curioso para saber para onde ela ia, já que pelo que
eu sabia, sua irmã morava em Portugal e ela não tinha outros parentes no
Brasil. Será que ela está indo ver outro
homem? Pensei.
- Eu
agradeço o convite, mas tenho outro compromisso que é inadiável. Se der, mais
tarde apareço. Vou trocar de roupa e tenho que correr. – Ela sorriu para as meninas e me lançou um
olhar estranho antes de passar por mim e me deixar ver seu pijama se mover nas
coxas e mostrar marcas arroxeadas. Marcas recentes e que ficariam ainda mais
roxas. Me senti mal por isso.
Tomei
meu café rapidamente enquanto ela trocava de roupa. Depois dela se despedir das
meninas, caminhou para a garagem onde seu carro estava estacionado. A segui até
a garagem.
-
Rebeca, espera. – Falei quando vi que ela não iria parar para falar comigo.
Ao
parar, ela virou e me olhou. Vi uma tristeza em seus olhos que logo foi
disfarçada com um sorriso que não chegava ao seu olhar, Rebeca parou e se
encostou na porta do carro. Usando uma calça preta justa, sandália de salto
alto e uma camiseta também preta com o logotipo do Guns'n Roses, Rebeca estava
vestida como uma adolescente roqueira e sexy. Isso dificultou meu raciocínio.
Eu ainda podia sentir como era tocar em sua pele nua e ainda lembrava como era ouvir
ela falar em francês em meu ouvido.
- Me
fez parar só para dar um confere em mim e relembrar a noite passada? – Ela
sorriu ao falar, já que eu havia parado em sua frente e ficado em silêncio.
- Eu
achei que o combinado seria ninguém saber sobre o que aconteceu entre nós. –
Resmunguei.
- Você
combinou comigo, mas não com as paredes finas da sua casa. - Ela me respondeu
séria. - Eu não falei nada, mas isso não impediu a Deb de ouvir nossos
barulhos, afinal ela estava no quarto ao lado.
-
Droga! - Me recriminei por não ter pensado nisso, mas naquele momento eu não
conseguia pensar em muita coisa além do corpo e das palavras em francês que
Rebeca dizia.
- É um
pecado tão grande elas ficarem sabendo que dormimos juntos? - Ela perguntou
hesitante. - Não sei se você reparou, mas nenhuma das duas pareceu muito
escandalizada por você ter passado a noite comigo. Então qual é o problema?
- Você
não entenderia Rebeca... Eu...
Como eu
poderia explicar que eu não poderia me envolver com ninguém a longo prazo? Como
explicar que eu não poderia garantir um futuro ao lado dela? Como explicar que
ao me privar de um envolvimento romântico com ela, eu a estou protegendo de um
sofrimento maior no futuro?
Pensei
em usar a desculpa da diferença da idade, mas eu não acreditava que ela fosse
aceitar. Por mais que muita gente achasse estranho pessoas com idades tão
diferentes, estava se tornando cada vez mais comum. Então, já sabendo que ela simplesmente
não iria engolir a desculpa, preferi não dizer mais nada.
-
Realmente eu não entenderia, então não se dê ao trabalho de tentar me explicar,
afinal, o combinado era apenas uma noite, não é mesmo? - Ela falou visivelmente
irritada. - Vamos fazer o seguinte, você me esquece e só me procura quando
tiver algo para falar e fazer. Não vou ficar aqui plantada te esperando a vida
toda, tenho outras coisas para fazer e outras pessoas me esperando.
Dito
isso ela virou-se e começou a abrir a porta do carro, mas eu não tinha
terminado de falar ainda, então coloquei minha mão sobre a porta e a impedi de
abri-la.
- Você
vai sair daqui para se encontrar com outro? - Me ouvi perguntando.
Ela
gargalhou alto e se encostou na porta do carro.
- Diz
pra mim que você veio aqui por pura curiosidade e não por ciúmes. Porque se for
ciúmes vou ter que te lembrar que não temos compromisso nenhum e isso não me
obriga a te dizer nada.
Ela
estava brincando com a minha cara e eu estava me irritando com sua falta de
respostas. Antes que eu pudesse perceber o que estava fazendo, colei meu corpo
de encontro ao dela e a pressionei contra o carro.
- Basta
me responder. Está saindo daqui agora porque tem encontro com outro?
O
sorriso que estava em seus lábios foi substituído por uma expressão séria e
decidida.
- Uma
noite de sexo não te dá o direito de saber da minha vida, Ma joie gris. Então se não tem mais nada para dizer, vou te pedir
com toda a educação que se afaste e me deixe ir embora. Estou atrasada.
- Você
estava na minha cama há apenas algumas horas, como pode já estar indo se
encontrar com outro homem? Você é tão insaciável assim?
- Sou
insaciável, José? Afinal eu estava na sua cama há poucas horas atrás, então
você deve saber. - Ela disse com raiva e me empurrou com força, mas não me
movi. O que a deixou com mais raiva. - Quer saber de uma coisa? Você é um
idiota se realmente acredita que estou indo me encontrar com outro cara. Uma
pena para você que eu não me importe com o que você acha ou deixa de achar.
Então me faça um favor, vá para o inferno e me deixe ir embora...
Não me
contive e calei sua boca com um beijo. Segurei seu cabelo com força e trouxe
seu corpo ainda mais de encontro ao meu. Foi um beijo urgente e devorador. No
início Rebeca tentou me afastar, mas como segurava seu cabelo, a mantive onde
estava até que ela se rendeu e correspondeu ao beijo com o mesmo desespero.
Seu
gosto me intoxicava. Sua língua duelava com a minha e parecia me desafiar a ir
mais além e eu fui. Com uma mão segurando seu cabelo, pressionei seu corpo
contra o carro e deixei minha mão livre percorrer seu corpo e seguir até a
barra da camiseta. Coloquei minha mão por baixo da camiseta e subi em direção
ao seu seio. Rebeca suspirou em meus lábios quando acariciei seu seio por cima
do sutiã.
Ela
seguia me beijando em total abandono e isso era um afrodisíaco pra mim.
Lentamente soltei seu cabelo e deixei minhas duas mãos erguerem a barra da
camiseta de Rebeca, expondo seus seios em um sutiã de renda preta com abertura
frontal que me fez querer gemer. Abri o sutiã e libertei seus seios para que eu
pudesse me fartar deles. Quando tomei um de seus mamilos em minha boca, ouvi
Rebeca gemer ao jogar sua cabeça para trás.
Instintivamente
ela inclinou o corpo e suas pernas se abriram levemente me dando acesso e
implorando por alivio. Como não posso ver uma mulher implorar, me coloquei
entre suas pernas e pressionei meu membro ereto em seu ponto sensível e a senti
empurrar contra mim.
Minha
boca seguia devorando seus seios. Um pouco um e depois o outro, enquanto minhas
mãos trabalhavam em apalpar seu corpo e apertá-la de encontro a minha ereção.
Rebeca respondia as minhas caricias empurrando seu corpo de encontro ao meu e
gemendo baixinho.
-
José... Por favor... - Ela murmurou e eu sabia o que ela queria. Ela precisava
gozar.
- O que
você quer, pequena? - Murmurei em seu ouvido.
- Quero
você... Dentro de mim... Por favor...
Sua voz
estava rouca e seu sotaque mais aparente, o que intensificou ainda mais o meu
tesão. Uma das minhas mãos foram em direção à frente de sua calça e a esfregou
por cima do tecido. Seu gemido se tornou mais alto.
- Me dê
as chaves Rebeca. - Falei e esfreguei mais forte em frente a sua calça.
-
Minhas chaves? - Ela murmurou.
- Sim.
Se eu vou meter em você, isso não vai acontecer aqui. Precisamos ir para outro
lugar. Um lugar onde ninguém escute seus gemidos. Vou te levar para um motel...
- Seu
quarto é mais perto... - Ela fitou meus olhos. - Podemos subir e ...
- Não.
Não quero que ninguém nos veja e muito menos nos escute.
Foi instantâneo.
Rebeca ficou tensa e tentou fechar o sutiã.
- Saia
José. - Ela disse com raiva.
- O que
foi? - Perguntei sem perceber o que a tinha feito ficar tão irritada de uma
hora para outra
- O que
foi? - Ela me olhou incrédula. - Se você não quer que ninguém nos veja, então
não vamos mais correr esse risco. Nunca mais.
Enquanto
ela falava, se afastava de mim e arrumava sua roupa.
- Vamos
combinar o seguinte José. Quando você não sentir vergonha da atração que sente
por mim, ai você volta a me procurar. Não vou agir como se estivesse fazendo
algo errado e tivesse que me esconder do mundo por isso. Eu te desejo e não
escondo de ninguém, agora se você precisa esconder, então não serve pra mim. Se
me dá licença, tenho mais o que fazer.
Ao
terminar de falar, ela abriu a porta do carro, me obrigando a dar dois passos
para trás, entrou, bateu a porta com força, colocou o cinto de segurança, ligou
o carro e partiu sem nem me olhar.
Eu fiquei ali, olhando ela partir
sem saber como reagir. Além de uma ereção enorme me atormentando, eu estava com
a sensação de que ela estava certa no que disse. Fiquei com um misto de
frustração, vergonha e desejo de não dar essa conversa por encerrada.
*~*~*
Beijos e até quarta...
Carol Paim & Sheila Bomfim

