quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Capítulo 05

José

Quando acordei ela já tinha ido. Senti seu cheiro em meu travesseiro. Senti seu gosto em minha boca e o simples falto de relembrar a noite que passamos juntos, já me deixou ereto. Eu não deveria, mas meu desejo pela Rebeca era ainda maior naquela manhã. Tentando lutar para me controlar, levantei e fui tomar um banho. Minutos depois, me vesti e fui enfrentar a pequena sereia como se nada tivesse acontecido.
Ao descer, ouvi vozes e risadas. As meninas estavam conversando. Não vi nenhum dos rapazes quando entrei na cozinha, mas vi imediatamente a mudança na postura da Rebeca ao me ver.
- Bom dia meninas. – Falei ao caminhar até a cafeteira e me servir uma caneca de café. – Aqueles moleques ainda estão dormindo?
- Bom dia pai. – Anne me deu um beijo no rosto. – Sim, estão todos dormindo. Achei que você ficaria na cama até mais tarde também. Afinal, a noite foi longa para todo mundo.
Assim que Anne terminou de falar, eu notei três coisas: a primeira foi a piscadinha da Anne, a segunda foi o sorriso que a Deb tentou esconder e a terceira, foi a forma como Rebeca baixou os olhos e encarou a mesa ao mesmo tempo em que ficava vermelha.
Droga! Rebeca tinha contado para as meninas sobre a nossa noite, pensei irritado.
- A minha noite foi longa, mas isso não é motivo para dormir até meio dia. Tenho muito o que fazer. – Falei demostrando minha irritação.
- Pai, são sete e quinze da manhã. Pare de ser tão dramático. É dia de Natal, aproveite o dia e os presentes de natal que o bom velhinho te deu.
Deb tentou fingir que não ria, mas dessa vez até mesmo Rebeca sorriu e Anne e Deb caíram na gargalhada.
- Que bom que vocês acordaram de bom humor. – Falei, cada vez mais irritado. Ao me sentar à mesa para tomar meu café, sentei de frente para Rebeca e a encarei. Ela me olhou de volta e deu de ombros, disfarçadamente. Não tive como esconder meu mau humor. – Obrigado por contar.
Falei tão baixo quanto pude, apesar de saber que Deb estava na mesa junto conosco e também iria ouvir. Rebeca me encarou por alguns segundos e fez uma careta que se eu não estivesse tão irritado, teria achado fofa.
- Bom meninas e menino. A conversa está ótima, mas tenho que ir. – Rebeca levantou do seu lugar e recolheu sua xicara para pôr na pia.
- Já vai? Vamos fazer almoço especial. Fica... – Anne pediu.
Não comentei nada, mas fiquei curioso para saber para onde ela ia, já que pelo que eu sabia, sua irmã morava em Portugal e ela não tinha outros parentes no Brasil. Será que ela está indo ver outro homem? Pensei.
- Eu agradeço o convite, mas tenho outro compromisso que é inadiável. Se der, mais tarde apareço. Vou trocar de roupa e tenho que correr.  – Ela sorriu para as meninas e me lançou um olhar estranho antes de passar por mim e me deixar ver seu pijama se mover nas coxas e mostrar marcas arroxeadas. Marcas recentes e que ficariam ainda mais roxas. Me senti mal por isso.
Tomei meu café rapidamente enquanto ela trocava de roupa. Depois dela se despedir das meninas, caminhou para a garagem onde seu carro estava estacionado. A segui até a garagem.
- Rebeca, espera. – Falei quando vi que ela não iria parar para falar comigo.
Ao parar, ela virou e me olhou. Vi uma tristeza em seus olhos que logo foi disfarçada com um sorriso que não chegava ao seu olhar, Rebeca parou e se encostou na porta do carro. Usando uma calça preta justa, sandália de salto alto e uma camiseta também preta com o logotipo do Guns'n Roses, Rebeca estava vestida como uma adolescente roqueira e sexy. Isso dificultou meu raciocínio. Eu ainda podia sentir como era tocar em sua pele nua e ainda lembrava como era ouvir ela falar em francês em meu ouvido.
- Me fez parar só para dar um confere em mim e relembrar a noite passada? – Ela sorriu ao falar, já que eu havia parado em sua frente e ficado em silêncio.
- Eu achei que o combinado seria ninguém saber sobre o que aconteceu entre nós. – Resmunguei.
- Você combinou comigo, mas não com as paredes finas da sua casa. - Ela me respondeu séria. - Eu não falei nada, mas isso não impediu a Deb de ouvir nossos barulhos, afinal ela estava no quarto ao lado.
- Droga! - Me recriminei por não ter pensado nisso, mas naquele momento eu não conseguia pensar em muita coisa além do corpo e das palavras em francês que Rebeca dizia.
- É um pecado tão grande elas ficarem sabendo que dormimos juntos? - Ela perguntou hesitante. - Não sei se você reparou, mas nenhuma das duas pareceu muito escandalizada por você ter passado a noite comigo. Então qual é o problema?
- Você não entenderia Rebeca... Eu...
Como eu poderia explicar que eu não poderia me envolver com ninguém a longo prazo? Como explicar que eu não poderia garantir um futuro ao lado dela? Como explicar que ao me privar de um envolvimento romântico com ela, eu a estou protegendo de um sofrimento maior no futuro?
Pensei em usar a desculpa da diferença da idade, mas eu não acreditava que ela fosse aceitar. Por mais que muita gente achasse estranho pessoas com idades tão diferentes, estava se tornando cada vez mais comum. Então, já sabendo que ela simplesmente não iria engolir a desculpa, preferi não dizer mais nada.
- Realmente eu não entenderia, então não se dê ao trabalho de tentar me explicar, afinal, o combinado era apenas uma noite, não é mesmo? - Ela falou visivelmente irritada. - Vamos fazer o seguinte, você me esquece e só me procura quando tiver algo para falar e fazer. Não vou ficar aqui plantada te esperando a vida toda, tenho outras coisas para fazer e outras pessoas me esperando.
Dito isso ela virou-se e começou a abrir a porta do carro, mas eu não tinha terminado de falar ainda, então coloquei minha mão sobre a porta e a impedi de abri-la.
- Você vai sair daqui para se encontrar com outro? - Me ouvi perguntando.
Ela gargalhou alto e se encostou na porta do carro.
- Diz pra mim que você veio aqui por pura curiosidade e não por ciúmes. Porque se for ciúmes vou ter que te lembrar que não temos compromisso nenhum e isso não me obriga a te dizer nada.
Ela estava brincando com a minha cara e eu estava me irritando com sua falta de respostas. Antes que eu pudesse perceber o que estava fazendo, colei meu corpo de encontro ao dela e a pressionei contra o carro.
- Basta me responder. Está saindo daqui agora porque tem encontro com outro?
O sorriso que estava em seus lábios foi substituído por uma expressão séria e decidida.
- Uma noite de sexo não te dá o direito de saber da minha vida, Ma joie gris. Então se não tem mais nada para dizer, vou te pedir com toda a educação que se afaste e me deixe ir embora. Estou atrasada.
- Você estava na minha cama há apenas algumas horas, como pode já estar indo se encontrar com outro homem? Você é tão insaciável assim?
- Sou insaciável, José? Afinal eu estava na sua cama há poucas horas atrás, então você deve saber. - Ela disse com raiva e me empurrou com força, mas não me movi. O que a deixou com mais raiva. - Quer saber de uma coisa? Você é um idiota se realmente acredita que estou indo me encontrar com outro cara. Uma pena para você que eu não me importe com o que você acha ou deixa de achar. Então me faça um favor, vá para o inferno e me deixe ir embora...
Não me contive e calei sua boca com um beijo. Segurei seu cabelo com força e trouxe seu corpo ainda mais de encontro ao meu. Foi um beijo urgente e devorador. No início Rebeca tentou me afastar, mas como segurava seu cabelo, a mantive onde estava até que ela se rendeu e correspondeu ao beijo com o mesmo desespero.
Seu gosto me intoxicava. Sua língua duelava com a minha e parecia me desafiar a ir mais além e eu fui. Com uma mão segurando seu cabelo, pressionei seu corpo contra o carro e deixei minha mão livre percorrer seu corpo e seguir até a barra da camiseta. Coloquei minha mão por baixo da camiseta e subi em direção ao seu seio. Rebeca suspirou em meus lábios quando acariciei seu seio por cima do sutiã.
Ela seguia me beijando em total abandono e isso era um afrodisíaco pra mim. Lentamente soltei seu cabelo e deixei minhas duas mãos erguerem a barra da camiseta de Rebeca, expondo seus seios em um sutiã de renda preta com abertura frontal que me fez querer gemer. Abri o sutiã e libertei seus seios para que eu pudesse me fartar deles. Quando tomei um de seus mamilos em minha boca, ouvi Rebeca gemer ao jogar sua cabeça para trás.
Instintivamente ela inclinou o corpo e suas pernas se abriram levemente me dando acesso e implorando por alivio. Como não posso ver uma mulher implorar, me coloquei entre suas pernas e pressionei meu membro ereto em seu ponto sensível e a senti empurrar contra mim.
Minha boca seguia devorando seus seios. Um pouco um e depois o outro, enquanto minhas mãos trabalhavam em apalpar seu corpo e apertá-la de encontro a minha ereção. Rebeca respondia as minhas caricias empurrando seu corpo de encontro ao meu e gemendo baixinho.
- José... Por favor... - Ela murmurou e eu sabia o que ela queria. Ela precisava gozar.
- O que você quer, pequena? - Murmurei em seu ouvido.
- Quero você... Dentro de mim... Por favor...
Sua voz estava rouca e seu sotaque mais aparente, o que intensificou ainda mais o meu tesão. Uma das minhas mãos foram em direção à frente de sua calça e a esfregou por cima do tecido. Seu gemido se tornou mais alto.
- Me dê as chaves Rebeca. - Falei e esfreguei mais forte em frente a sua calça.
- Minhas chaves? - Ela murmurou.
- Sim. Se eu vou meter em você, isso não vai acontecer aqui. Precisamos ir para outro lugar. Um lugar onde ninguém escute seus gemidos. Vou te levar para um motel...
- Seu quarto é mais perto... - Ela fitou meus olhos. - Podemos subir e ...
- Não. Não quero que ninguém nos veja e muito menos nos escute.
Foi instantâneo. Rebeca ficou tensa e tentou fechar o sutiã.
- Saia José. - Ela disse com raiva.
- O que foi? - Perguntei sem perceber o que a tinha feito ficar tão irritada de uma hora para outra
- O que foi? - Ela me olhou incrédula. - Se você não quer que ninguém nos veja, então não vamos mais correr esse risco. Nunca mais.
Enquanto ela falava, se afastava de mim e arrumava sua roupa.
- Vamos combinar o seguinte José. Quando você não sentir vergonha da atração que sente por mim, ai você volta a me procurar. Não vou agir como se estivesse fazendo algo errado e tivesse que me esconder do mundo por isso. Eu te desejo e não escondo de ninguém, agora se você precisa esconder, então não serve pra mim. Se me dá licença, tenho mais o que fazer.
Ao terminar de falar, ela abriu a porta do carro, me obrigando a dar dois passos para trás, entrou, bateu a porta com força, colocou o cinto de segurança, ligou o carro e partiu sem nem me olhar.

Eu fiquei ali, olhando ela partir sem saber como reagir. Além de uma ereção enorme me atormentando, eu estava com a sensação de que ela estava certa no que disse. Fiquei com um misto de frustração, vergonha e desejo de não dar essa conversa por encerrada.

*~*~*

Beijos e até quarta... 
Carol Paim & Sheila Bomfim

Capítulo 04

Rebeca

O quarto de José estava escuro quando entramos. As cortinas estavam fechadas e assim que ele fechou a porta, o breu dominou o ambiente. Eu não me importei. Tudo o que eu queria estava ao alcance das minhas mãos.
Mãos essas que passeavam pelo peito de José e carinhosamente alisavam os pelos que ele possuía. Era uma sensação calmante e ao mesmo tempo tão intima e corriqueira.
Ele caminhou comigo até que chegamos no meio do quarto, então ele lentamente me pôs sobre meus pés. Sem dizer nenhuma palavra, José retirou as duas peças do meu pijama, me deixando só de calcinha.
- Fique parada.
José pediu antes de se afastar e caminhar até uma das cortinas e abri-las, deixando entrar o suave brilho da luz da lua. Então ele caminhou até a segunda janela que havia em seu quarto e também abriu as cortinas, tornando o quarto mais nítido. Ele parou e de longe me observou. Como a claridade estava atrás dele, eu só podia ver o seu contorno. Sua expressão era uma incógnita para mim, e isso me causava certo frisson.
Lentamente, caminhou até ficar parado na minha frente, agora mais perto, eu podia dizer que ele estava com o rosto sério e compenetrado.
- Você devia ser presa por ser tão linda. – Ele falou ao passar ao meu lado sem me tocar, só me observando.
Ficar sob seu olhar me causou uma infinidade de sensações. Por alguns instantes me senti insegura, mas então ele disse que eu era linda. Minha insegurança se foi. Ao seu lado eu me sentia poderosa, linda e desejável. Não que eu não me sentisse assim com outros caras, mas com José essas sensações eram potencializadas ao máximo.
Eu estava só de calcinha no meio do quarto dele, enquanto ele caminhava lentamente ao meu redor, sem me tocar.
- Eu passaria a noite toda só te observando. – Ele disse.
- Nós não temos a noite toda. Por favor, toque-me. – Pedi baixinho.
Ele primeiro tocou meu braço com apenas um dedo e o correu de baixo pra cima em meu braço, então colocou a mão inteira em meu ombro e correu a palma da mão pela minha clavícula e pescoço, parando apenas na outra clavícula. Calafrios percorreram meu corpo ao sentir sua mão áspera acariciar minha pele.
- Antes de qualquer coisa, quero que você me prometa que se eu te machucar em algum momento, você vai me parar e me avisar.
- Você sabe que já perdi a virgindade faz alguns anos, não é? Se você é tão grosso que vai...
- Rebeca, algumas vezes eu perco o controle e costumo segurar com mais firmeza do que deveria. Isso pode machucar e deixar marcas. Quero que você prometa que vai me dizer se eu passar do ponto. Prometa e seguimos daqui, não prometa, voltamos à estaca zero e nada de sexo para nós.
Estaca zero não era uma opção, então fiz a única coisa que me restava, prometi.
- Tudo bem, eu prometo.
José deu um beijinho no meu ombro.
- Muito bem, pequena. Agora vamos nos divertir e tirar esse desejo das nossas cabeças de uma vez por todas.
- Pequena? Já tenho até apelido?
- Sim, você é a minha pequena. Pequena sereia que cantou para mim e me fez cair no seu encanto. Você é minha pequena pimenta; parece tão inocente por fora, mas por dentro esconde uma chama que arde e ameaça me queimar, e eu, muito burro, vou provar da sua ardência por vontade própria. Você é uma pequena fada ou seria uma bruxa celta? Eu ainda estou em dúvida sobre o que você é na verdade. Você é uma mistura de sereia, pimenta, bruxa e fada. Você é uma mulher única, Rebeca.
Durante todo o tempo em que ele falou, suas mãos percorreram lentamente o meu corpo e associados com suas palavras, seu toque se tornou o céu pra mim. Fechei meus olhos e me deixei absorver tudo o que ele tinha para me dar. Suas palavras, seus toques, o roçar de seus lábios em meus ombros e pescoço.
Meu corpo ondulava ao seu toque, minhas mãos se contorciam de vontade de tocá-lo, mas eu não queria estragar o momento. As caricias de José me enterneciam e excitavam ao mesmo tempo.
- Se eu tenho um apelido, nada mais justo do que você também ter um – Eu disse aos sussurros ao sentir suas mãos começarem a percorrer minha coluna em direção a minha bunda. José estava me torturando – Quem sabe eu possa te chamar de Ma joie gris!
- O que significa? – Ele perguntou baixinho em meu ouvido e me fez ficar arrepiada.
- Significa meu grisalho delícia em francês.
- Gosto de você falando francês. Seu sotaque falando francês, me excita. – Ao dizer isso, ele colou seu corpo em minhas costas e senti sua ereção pressionada em minha bunda. – O que mais você fala em francês?
- Je parle courammentle français, anglais, espagnol, portugais et um peu de mandarin.
- Não sei o que você disse, mas achei muito sexy.
- Eu disse que falo fluentemente o francês, inglês, espanhol, português e um pouco de mandarim.
 José correu sua mão da minha bunda para minha barriga e acariciou, introduzindo um dedo em meu umbigo. Foi inconsciente o movimento que fiz ao inclinar meu quadril de encontro a sua ereção.
– Isso está ficando interessante. – Sua mão acariciou abaixo dos meus seios e eu tombei minha cabeça para trás e ofereci meus seios ao seu toque, mas ele não os tocou. Seguiu acariciando abaixo do meu seio. - Vamos jogar um pouco, você repete em francês tudo o que eu te disser. O que você acha?
- Pour moi, tout droit. – Falei em francês, então repeti em português. – Por mim, tudo bem.
- Então vamos começar. – Ao dizer isso, José pegou meu queixo com uma das mãos e o ergueu o suficiente para que eu estivesse olhando para o teto com a cabeça encostada em seu ombro e a orelha posta estrategicamente próxima a sua boca. – Tudo o que eu disser, você repete em francês. Combinado, pequena?
Era difícil de falar naquela posição, mas eu estava gostando daquela tensão entre nós.
- Oui, combinée.
- Eu vou te deitar naquela cama...
- Je vais vous couché surcelit...
A mão de José foi para meu seio direito e o massageou com força. Eu gemi e me contorci de prazer.
- Vou te beijar a boca... – Sua voz estava rouca e eu precisei me concentrar para prestar atenção ao que ele dizia.
- Je vous embrasse la bouche... – Falei quase murmurando
- Degustar seus seios...
Sua mão desceu para minha barriga novamente e contornou minha coxa, apertando minha carne e dando-me uma mistura de dor e prazer.
- Profiter de vos seins...
- Vou lamber seu corpo...
José estava acariciando e apertando apenas um lado da minha bunda, já que a outra mão seguia segurando meu queixo.
- Je lèche votre corps... – Tive que fazer um esforço enorme para me lembrar o que ele havia dito.
Quando a mão que segurava meu queixo correu para baixo e a mão que estava em minha bunda, tornou a subir, eu sabia que iria ser a minha perdição. Ambas as mãos pararam em cima dos meus seios e ficaram ali, imóveis.
- Depois de lamber todo o seu corpo, vou fazer você gozar em minha boca...
A voz de José estava completamente alterada. O tom suave tinha dado lugar ao tom grave e rouco de tesão. Sua ereção era uma rocha atrás de mim e eu era uma massa gelatinosa em suas mãos. Mãos essas que estavam em meus seios e me confundiam. Eu não sabia se suas mãos queriam me acariciar ou torturar, o que eu sabia é que eu não queria que parasse nunca.
- Você não repetiu o que eu falei. – José falou em meu ouvido e tirou as mãos dos meus seios. Minhas mãos que até agora estavam imóveis ao lado do meu corpo, trataram de agarrar as dele e as manter no lugar.
- Eu estava um pouco ocupada e não lembro a sua frase. – Respondi, dando uma pequena rebolada em seu membro.
- Oh, pequena sereia. Só diga o que eu te pedi – Então ele repetiu a frase pra mim.
Antes que eu pudesse traduzi-la para o francês, virei-me e fiquei de frente para José. Colando nossos peitos nus, pele contra pele, no caso seria mais a minha pele contra os pelos do peito dele. Eu rodeei seu pescoço com os braços e com um impulso, saltei, rodeei também sua cintura com minhas pernas. Ele me segurou com as duas mãos em minha bunda. Senti seu sorriso quando encostei meu rosto no seu para sussurrar em seu ouvido o que ele havia me pedido.
- Après avoir lècher votre corps tout entier, je vais vous faire foutre dans ma bouche... – E acrescentei rapidamente. – Ma joie gris!
 Não precisei dizer mais nada. José atacou meu pescoço e orelha até que virei meu rosto em sua direção e nossas bocas se conectaram. Nossas línguas duelaram para descobrir qual provava mais o gosto da outra. As mãos de José apertavam minha bunda com força e eu enterrava minhas mãos em seus cabelos e puxava com força também.
Eu não podia dizer se estávamos há um minuto ou há uma hora nos beijando quando José sentou-se na cama, ainda comigo no colo. Nós nos deitamos na cama sem separar nossas bocas um do outro. Tendo as mãos livres de me segurarem, José passou a percorrer meu corpo e a estimular cada terminação nervosa que existia em mim.
Nunca estive mais excitada em toda a minha vida, sem que o homem tivesse tocado entre minhas pernas. Nos poucos momentos de lucidez que eu tive enquanto beijava José, foi esse o meu pensamento: Assim que ele tocar o meu clitóris, eu vou explodir como fogos de artifício em noite de festa.
José testou todo o meu controle ao tocar minha virilha, mas não tocar diretamente onde eu queria. Ele testou todo o meu controle, quando sua boca rodeou meu mamilo e o sugou com força, me fazendo gritar. Um seio depois do outro, ambos foram devorados, lambidos, mordidos e principalmente chupados. Delirei.
- Agora, Ma joie gris. Eu preciso de você dentro de mim, Cher.
Em questão de milésimos de segundos, minha calcinha foi rasgada e a bermuda de José foi parar longe. Como eu estava por cima, eu poderia ter me encaixado facilmente, mas José nos virou e me colou sobre a cama, quando ele se levantou e caminhou até o criado mudo. Ouvi o barulho de uma gaveta sendo aberta. Ele estava pegando camisinha. Tive vontade de dizer para não se preocupar com uma possível gravidez, mas não o alertei.
Assim que ele caminhou de volta para a cama, pude ver o brilho da embalagem. Peguei de sua mão e fiz questão de eu mesma colocar. Antes de abrir a embalagem, porém, eu quis me aproveitar que estava sentada e ele em pé, para explorar um pouco seu corpo.
Com carinho, corri minha mão de baixo para cima, sem tocar em seu mastro. Quando cheguei na altura de seu peito, trouxe minhas mãos para baixo novamente, mas quando as baixei, minhas unhas deixaram um rastro em sua barriga até a base de seu órgão. Senti José ofegar com o arranhão e o ouvi gemer, quando agarrei seu membro entre minhas mãos.
Era um pênis incrível, não por seu tamanho, o pênis de José era incrível por sua textura aveludada e pela rigidez em que estava. Eu o acariciei lentamente. Com movimentos para cima e para baixo eu o excitei mais ainda e pude sentir quando as primeiras gotas de pré-sêmen surgiram e molharam a cabeça de seu pau. Ouvi José gemer quando, com o polegar, eu espalhei o liquido em toda a ponta de seu membro.
Saber o quão excitado ele estava, me deixou ainda mais excitada e tive vontade de provar seu sabor. Já que essa seria nossa única noite, eu queria tudo o que tinha direito. Então fiz o que queria e o coloquei na boca.
- Puta que pariu. – José gemeu alto. – Eu queria tanto estar olhando para você, enquanto me chupa. Essa é a fantasia que mais tem me feito gozar. Ver você de joelhos, me chupando.
Chupei ainda mais forte antes de responder.
- Adoraria realizar sua fantasia quando e onde você quiser. – Depois de falar isso, o coloquei na boca o máximo que pude e senti José segurar meus cabelos e forçar um pouco mais. Respirando pelo nariz, consegui pôr todo o pau de José na boca. Senti suas bolas em meu queixo e soube que tinha posto inteiro na boca. Movimentei minha língua em sua base.
- Porra, pequena. Eu vou gozar. Ou você para agora, ou vai ter que engolir. – José falou gemendo e começando um movimento de tirar e colocar em minha boca.
Ele me deu as opções. Eu decidiria o que queria, e eu decidi por ver aquele homem durão perder o controle. Eu decidi o levar em minha boca. Sendo assim, eu segurei sua bunda e o forcei para frente, para que estivesse todo enterrado em minha boca. José gemeu forte.
- Pequena. Você tem certeza? – Ele perguntou, tirando seu pau da minha boca até que sua cabeça estivesse em meus lábios. – Oh, Deus! Como eu queria ver isso.
- Acenda a luz. – Eu pedi. Ele mais que prontamente acendeu. Após um instante de adaptação a claridade, eu o chamei de volta. – Venha, Ma joie gris.  Quero continuar de onde parei.
Sorri e ele me olhou de uma maneira que me fez contorcer.
- Antes, pequena. Vou mudar um pouco as coisas de lugar. – Ele disse, enquanto caminhava ao meu encontro.
Quando parou na minha frente, eu já estava me colocando a postos para continuar de onde eu havia parado, aproveitando para dar uma conferida no corpo de José.
Com a luz acessa pude ver o corpo de José por completo e o que vi me deixou mais excitada ainda. José tinha um corpo lindo. Sua pele era bronzeada pelo trabalho, seu peito era recoberto por uma leve camada de pelos que seguiam seu caminho até chegar onde se levantava um membro ereto e firme. Alguns pelos em seu peito já eram grisalhos, mas seu corpo não demonstrava em nada sua idade. Seus braços possuíam músculos bem definidos, seu peito era firme, e se não fosse pela pequena barriga, que denunciava o quanto ele gostava de cerveja, sofá e futebol, seu corpo seria idêntico ao corpo de um garotão. Suas coxas eram grossas e fiquei completamente tentada a levantar e conferir como sua bunda era.
Antes que eu pudesse voltar a chupá-lo, ou levantar para ver sua bunda, José me empurrou em direção a cama e tombou sobre mim, entre minhas pernas.
- Seria maravilhoso gozar em sua pequena boca deliciosa, mas será divino quando eu gozar dentro de você. – E sem dizer mais nada, José me penetrou de uma só vez, me fazendo gritar de prazer, dor e surpresa. – Eu posso sentir o quanto você está encharcada. Sua vagina está me afogando. Isso é tão bom.
- Isso, Ma joie gris. Continua. – Eu me descontrolava entre uma estocada e outra.
Seu ritmo era forte e rápido, me levando ao delírio. Suas mãos uma hora se apoiavam na cama, outra seguravam meus cabelos, apertavam minhas coxas ou estimulavam ainda mais meus seios. José me atacava e excitava de todas as formas. Eu estava me perdendo e gritando cada vez mais alto. Meu orgasmo chegando cada vez mais perto.
– Oh, Mon Amour! Eu estou tão perto.
Minha frase pareceu um combustível jogado sobre o fogo. José intensificou ainda mais as investidas e eu estava cada vez mais perto do orgasmo.
- Eu estou sentindo você me apertando. Me ordenhando.
- Oh, Mon Die.
- Fala mais. Fala mais, pequena.
- Isso. Me fode. Mete mais forte. Mete tudo. – Se ele gostava de mulheres que falam durante o sexo, ele iria perceber que eu era uma boca suja de marca maior.
- Em francês, pequena...
- Cette. Baise-moi. Se renforce. Mettre le touttttttt...
Então, no fim da frase que eu mais tive dificuldade em me lembrar como se falava em outra língua, eu gozei.
- Caralho. Você está me apertando de uma forma que eu não vou aguentarrrrrrr... – José gemeu em meu ouvido e senti quando gozava dentro de mim. Tão fundo quanto era possível.
Seu liquido espeço e quente se derramou em meu interior e eu vi o instante exato em que José percebeu que havia esquecido a camisinha. Ele saltou de dentro de mim, deixando-me com a sensação de vazio onde ele estava até segundos atrás.
- Não precisa se desesperar. Não corro o risco de ficar grávida. – Falei um pouco irritada pela forma como ele conseguiu quebrar o clima em poucos segundos após um orgasmo tão espetacular e pela sua cara de arrependimento.
- Não se pode confiar cem por cento em pílulas. – Ele respondeu sem me olhar nos olhos. – Você sabe que elas não são infalíveis.
- Eu sei. Mas não precisa se preocupar. Eu tenho zero chances de ficar grávida. – Falei para ele ao me levantar e caminhar até seu banheiro, fechando a porta atrás de mim.
Eu nunca fui irresponsável com relação ao sexo. Por mais que eu esteja segura quanto a gravidez, nunca se sabe que tipo de doenças pode se pegar durante o sexo. Até mesmo o cara mais bonito do mundo, pode esconder uma doença ou ser portador sem nem ao menos saber. Então sempre preferi me prevenir. Porém com José, joguei toda a minha responsabilidade pela janela e acabei me colocando em risco e possivelmente, tendo que dar explicações do porque eu tinha tanta certeza de que não poderia ficar grávida.
Sem querer mais pensar nesse assunto, liguei o chuveiro e me enfiei embaixo do jato de água fria. Eu precisava acalmar meus nervos. Lavei meu corpo e quando estava mais calma, desliguei o chuveiro e tratei de me secar. Uma parte de mim, queria que José tivesse vindo atrás de mim no chuveiro e ensaboado minhas costas, quem sabe fizéssemos amor novamente ou apenas pudéssemos conversar enquanto eu o lavava também. Porém, eu sabia que ele não viria. Ele iria me dar espaço e não iria ser romântico nesse momento.
Ainda dentro do banheiro, vi quando José apagou a luz do quarto. Me apoiei na pia do banheiro e respirei fundo. Ele provavelmente já estaria se recriminando por ter cedido e transado comigo. Tentando inventar uma maneira de fingir que esse não foi o melhor sexo da minha vida. Como eu ia fazer para fingir que nada aconteceu, eu não sabia, mas sabia que ia erguer a cabeça e fazer tudo o que fosse possível para não enfraquecer na frente dele. Iria sorrir e concordar com o que ele propusesse. Afinal, era apenas uma noite e nada mais.
Lutando contra lágrimas que surgiram, lavei meu rosto na pia e foi então que vi pelo espelho as marcas em meu corpo. José até poderia fingir que nada aconteceu, mas eu e meu corpo teríamos marcas roxas por pelo menos uma semana, para nos lembrar do que se passou nesse quarto. No mínimo uma semana em que cada vez que eu visse uma das minhas marcas, iria relembrar de quem as deixou em meu corpo. Não tinha o que se fazer. Naquele momento só me restava encarar José e o eximir de qualquer culpa, afinal, havia sido eu quem o havia posto contra a parede para que passássemos essa noite juntos. Sexo feito. Ambos satisfeitos. Agora só restava seguir com a vida.
Ainda com a luz do banheiro acessa, abri a porta e olhei o quarto em busca do meu pijama. O encontrei caído aos pés da cama. Caminhei até ele e rapidamente o vesti. Vi que José estava sentado no meio da cama, encostado na cabeceira. Ele não falou nada, apenas me observou, enquanto eu me vestia. Voltei até o banheiro, apaguei a luz e segui as escuras em direção a porta. Assim que eu abri, uma fresta de luz se infiltrou no quarto e iluminou a cama. Olhei para José.
- Boa noite, José. – Eu disse alto somente o suficiente para ele me ouvir.
- Não vá. – José me respondeu.
- Era apenas uma noite, lembra? Eu preciso voltar para o sofá cama para que ninguém desconfie.
- A noite ainda não terminou.
- José, não...
- Apenas venha aqui e deite-se ao meu lado. Vamos fingir, pelo menos por algumas horas, que somos um casal comum. – Sua voz soava tão baixa que achei que estava imaginando. Então José se levantou da cama, e ainda nu, caminhou em minha direção, fechou a porta, pegou a minha mão e me levou para a cama.
Deitei e senti a cama se mover quando ele deitou e se aconchegou em minhas costas, passando um braço embaixo do meu pescoço e o outro braço rodeando minha cintura, me puxando ainda mais de encontro ao seu corpo.
- Me desculpe. – José sussurrou em meu ouvido. – Eu fui um idiota. Eu só não estou acostumado a perder o controle como aconteceu.
- Tudo bem. – Murmurei de volta.
Suspirei e me aconcheguei ainda mais em seu corpo. Era confortável dormir assim e fui ficando sonolenta.
- Ma joie gris, é melhor eu descer ou vou acabar dormindo aqui.
- Fica mais um pouco. Se você dormir, eu te levo lá para baixo.
Sorri ao perceber que ele queria que eu ficasse. Sorri ainda mais por saber que isso era o que nós dois queríamos. Eu queria aquele aconchego, aquela conchinha e queria sentir a respiração de José em minha nuca. Queria sentir os pelos de seu peito roçando minhas costas e suas pernas entrelaçadas as minhas. Pela primeira vez em muitos anos, eu queria um relacionamento estável com alguém. Saber disso tirou meu sorriso, pois o homem que estava me fazendo desejar ter um relacionamento, era justamente aquele que me disse que não seria mais do que uma noite.
Todo o sono que eu sentia foi embora ao constatar que eu estava desejando o impossível. Sendo assim, fiquei acordada e aguardei o sol nascer e aquela noite acabar. Em algum momento, senti que o braço de José que estava em minha cintura ficou mais pesado e sua respiração mais tranquila. José tinha dormido.
Então lentamente, virei meu corpo e repousei minha cabeça em seu ombro, assim eu poderia ficar olhando para ele. Essa seria nossa primeira e única noite, eu deveria aproveitar cada segundo, e foi isso que eu fiz. Acariciei seu peito, seu rosto, senti sua leve barba, tracei o contorno de sua boca, sobrancelhas e corri minhas mãos pelos seus braços e barriga. Olhei cada centímetro dele e o memorizei. Já que essa seria a nossa única noite, queria levar gravado na memória cada pedacinho de José comigo.
Foi acariciando ele, que vi o primeiro raio de sol surgir pela janela. Tentando não acordá-lo, sai de sua cama e rabisquei um bilhete para deixar em meu lugar.

“Obrigada pela noite maravilhosa, Ma joie gris! Foi uma noite inesquecível! Beijos da sua Pequena!”

Deixei o bilhete em meu lugar, dei um último beijo em sua boca e sai do seu quarto. Uma parte de mim estava saltitando pelo sexo maravilhoso, mas outra parte de mim, uma parte maior, estava lamentando ter que deixar aquele quarto. Mesmo que eu quisesse ficar, eu não poderia. O combinado era apenas uma noite e eu sempre fui uma mulher de cumprir o combinado.
Caminhei lentamente até a escada, tentando não fazer barulho e chamar a atenção para o fato de que eu estava descendo as escadas ao invés de estar no sofá cama na sala. Porém foi inútil, já que encontrei Anne saindo da cozinha, enquanto eu terminava de descer as escadas.
– Pelo visto deu formiga na tua cama. – Provoquei – Que horas são?
– Cinco e meia; Estou grávida, sinto mais fome que o normal. Além disso, ganhei um presente de natal muito bom, que abriu meu apetite.
– É mesmo? Posso perguntar o que foi?
Ela abriu a parte de cima do roupão que estava usando e me mostrou um sutiã roxo lindo.
– Hummmm. Victoria Secret? Bom gosto. Vou dar os parabéns ao Tiago.
– O mais engraçado é que comprei um conjunto de espartilho e meias sete oitavos que planejava usar hoje, mas tive que adiar para dar preferência para um presente vindo direto de Nova Iorque.
– Seus pervertidos. – Dei risada. - Não me surpreende que estejam esperando gêmeos. Vocês não podem se ver que já pulam em cima um do outro.
– Culpa dos hormônios da gravidez. – Anne se defendeu.
– Acredito. – Respondi rindo e me servindo de uma caneca de café. – Pelo visto não vou dormir mesmo.
– Vocês falam alto demais. – Deb apareceu sorrindo na porta da cozinha. – Já me basta os barulhos do quarto ao lado do meu.
As duas me olharam. Dei de ombros antes de responder.
– O que posso fazer? Sempre gostei do Natal. O bom velhinho foi muuuuuito bom comigo esse ano.

Em meio a uma cozinha, canecas de café e o nascer do sol, nós três caímos no riso, sabendo muito bem de qual bom velhinho eu estava falando. O que só eu sabia, era que eu tinha gostado tanto do meu presente que queria que o natal não acabasse tão cedo. Assim como as crianças, eu queria que fosse natal todos os dias, mas o sol já havia nascido e a minha noite de natal estava definitivamente terminada. A partir daquele momento, só me restavam as lembranças.

*~*~*

Beijinhos!
Carol Paim & Sheila Bomfim

Capítulo 03

José

Meu faturamento na madeireira triplicava no fim do ano, mas meu trabalho multiplicava por seis. Era muita gente querendo madeira para reformas, construções, decoração e outras mil utilidades. Sempre nessa época do ano, passava mais tempo no escritório do que em casa. Meu trabalho sempre me absorveu completamente, mas não sei se era a idade que já estava pesando sobre os ombros, pois em plena segunda feira, véspera de natal, sai do escritório no horário de almoço e dispensei todos os funcionários que não estão desenvolvendo algum tipo de trabalho urgente.
Tudo o que podia pensar, era que precisava comprar um maldito presente para a Rebeca. Fui ao shopping, andei igual a uma barata tonta e não encontrava nada que pudesse ser dado para ela. Tudo o que gostaria de dar de presente tinha uma conotação romântica ou sexual e isso não era algo que eu queria.
Rebeca é uma pimenta. Linda, mas ardente quando provada. Por mais que eu a desejasse, não podia provar de sua ardência. Não era homem para ela.
Foi pensando nisso que me afastei da vitrine de uma loja de lingerie onde passei aproximadamente cinco minutos imaginando Rebeca usando um conjuntinho preto de renda e com um tamanho tão pequeno que eu poderia guardar as duas peças em meu bolso.
Discretamente ajeitei o volume em minha calça e segui caminhando pelo shopping. Pensei em comprar maquiagem, afinal toda mulher gosta de maquiagem e Rebeca não era diferente. Ela vivia arrumada e perfeitamente maquiada.
Entrei na loja e caminhei entre as prateleiras de maquiagens e perfumes. Dar um perfume de presente para ela não era uma opção, já que eu gostava tanto do cheiro dela e nenhum outro poderia se comparar. Andei até parar em frente ao mostruário de batons. Eram tantas cores que fiquei meio tonto. Eu tinha certeza que deveria ter cores repetidas expostas ali, não poderia existir tantos tons de uma mesma cor.
- Posso ajudá-lo? – Uma vendedora me perguntou ao ver que eu olhava e não me decidia.
- Acho que sim. Estou procurando um presente para dar para uma amiga. Ela é ruiva e tem a pele clara. O que você me recomenda? – Perguntei.
- Bom, as ruivas costumam gostar muito de batons em tons de vermelho.
- Tons de vermelho? – Eu já tinha visto Rebeca de batom vermelho no jantar de noivado da Anne e minha noite não foi nada agradável, pois a cada vez que ela lambia os lábios, eu sentia vontade de atacá-la e beijar sua boca até que não tivesse mais batom nenhum. – Não. Acho melhor uma cor mais discreta.
- Quem sabe um tom de rosa. Temos esse modelo aqui, por exemplo. – A vendedora pegou um tom de rosa bem clarinho. – Esse aqui chamasse romance e é um dos mais vendidos. As mulheres estão amando ele.
Romance, amando, boca da Rebeca... Isso não estava indo muito bem.
- Desculpa, acho que não é exatamente isso que estou procurando. Vou tentar olhar outras coisas.
- Tudo bem. Se quiser, basta voltar e me procurar. – A vendedora respondeu e virou-se para atender outro cliente.
Já fora da loja, pensei em tudo o que eu sabia sobre a Rebeca que poderia colaborar para comprar o presente de amigo secreto.
Ideia de jerico essa da Anne. Sorteio online de amigo secreto na véspera do Natal só serve para dar dor de cabeça. Mesmo assim, segui pensando em tudo que eu sabia sobre ela e elaborei uma pequena lista.
A Rebeca é linda e vaidosa. Divertida e brincalhona. Ela tem um lado sensível que tenta esconder de todo mundo, mas que eu já vi algumas vezes. Ela é valente e muito leal aos amigos. É atrevida e abusada. Inteligente e sagaz. Mais sexy do que deveria e mais nova do que eu gostaria. Ela é muitas coisas em uma mulher só e isso me confundi ainda mais.
Enquanto seguia rodando pelo shopping, lembrei do nosso último encontro. Ela foi levar Anne em casa depois do passeio delas. Com a desculpa de usar o banheiro, Rebeca entrou e passou por mim e João Pedro, a quem chamamos de JP, que é um amigo e funcionário da madeireira. Vi quando ela me viu sentado jogando baralho com JP, um sorriso lento se espalhou por seu rosto.
- Essa é uma amiga da sua filha? – Perguntou JP ao ver Rebeca caminhar em suas botas de salto alto, mini saia jeans e camiseta branca. Seu cabelo estava amarrado em um rabo de cavalo alto e deixava aparecer uma tatuagem de ideograma em japonês em sua nuca.
- Sim, ela é uma amiga de Anne e minha. – Respondi mais irritado do que eu gostaria pelo interesse de JP em Rebeca.
- Ela é solteira?
- Ela não é para o seu bico.
- Casada então?
- Se estão falando de mim, sou solteira. – Rebeca apareceu rapidamente, me pegando de surpresa.
- Bonita desse jeito e solteira? Duvido. – JP fez graça.
- Acredite. Isso é devido ao clássico, quem me quer eu não quero e quem eu quero não me quer.
- Quem é o maluco que dispensa uma beldade como você? Ele deve ser gay ou é como o nosso querido José que tem idade para ser seu pai.
Levantei furioso e caminhei para a geladeira, a fim de pegar outra cerveja e acalmar minha ira. Quem JP achava que era para dizer que eu tinha idade para ser o pai da Rebeca?
Enquanto abria a garrafa longneck de cerveja e jogava a tampa no lixo, ouvi Rebeca responder JP.
- Desculpa, mas não sei seu nome. O meu é Rebeca.
- Eu sou o JP.
- Bom, JP. Sabe uma das minhas teorias por estar solteira até hoje? A minha principal teoria é a que eu não nasci para me envolver com moleques. Gosto de homens maduros e admiro a experiência que os anos trazem a um homem. Um homem qualquer, pensa no seu prazer em primeiro lugar, um homem maduro sabe que se a sua mulher estiver satisfeita, a retribuição será muito mais prazerosa. Agora se me dão licença, vou me despedir da Anne e vou para casa dormir sozinha, enquanto não encontro meu homem maduro.
Dito isso, ela me encarou por alguns instantes e sem dar adeus a JP, saiu da cozinha e subiu as escadas em busca da Anne. Um sorriso convencido deslizou vagarosamente em meus lábios.
- Além de linda, inteligente. Deve ter um temperamento dos infernos. E o que dizer daquele sotaque?
- O banheiro é ali, caso queira terminar sua descrição completa da Rebeca enquanto se masturba. – Falei com mau humor.
- Por que será que acho que tem alguma coisa entre vocês dois?
- Porque você é um idiota?
JP apenas sorriu e não falou mais nada.
Depois que Rebeca saiu, Anne desceu as escadas com seu notebook nas mãos e veio nos cumprimentar. Sentou-se ao meu lado e colocou o notebook na mesa, ao lado das minhas cartas.
- Pai, preciso confirmar algumas informações suas.
- E por que você precisaria? – Perguntei curioso.
- Porque vou fazer seu cadastro em um site para participar do nosso amigo secreto.
- Anne, faltam dois dias para o Natal. Como você acha que vai conseguir organizar um amigo secreto, sortear os nomes, comprar os presentes e tudo mais?
- Esse site vai me ajudar. Vamos nos cadastrar e o site sorteia e manda para o seu e-mail o nome do seu amigo secreto. Então temos amanhã para comprar os presentes e terça-feira tocamos os presentes.
- Quem vai participar?
- Eu, você, Tiago, Deb, Diego e Beca.
- Anne, não sei se quero participar. Façam entre vocês apenas.
- Não. Nada disso. Eu preciso que você participe, ou vou ter minha pele arrancada. Prometi que te convenceria a participar a qualquer custo. Por favor, pai.
- Prometeu? Pra quem? – Na mesma hora em que perguntei, me arrependi.
- A Beca, é claro. Quem mais você acha que está louca para te pegar... No amigo secreto.
JP não conseguiu segurar a risada e ouvi um “eu sabia” sendo disfarçado por uma tosse falsa. Anne me olhava e sorria. Merda! Isso não ia dar nada certo.
- Pode tirar meu nome da lista Anne. Não vou participar e ponto final.
- Agora é tarde. Já te inscrevi. Agora não dá para cancelar. – Anne falou olhando para o notebook. Eu sabia que ela estava mentindo. – Hoje à noite você vai receber um e-mail com o nome do teu amigo secreto e o link para o perfil dele, onde poderá ter algumas sugestões de presentes.
- Tudo bem então. Porém com a sorte que tenho, vou pegar alguém sem nenhuma sugestão de presente.
Foi exatamente assim. Minha amiga secreta era a Rebeca e ela não tinha deixado nenhuma sugestão, apenas uma frase dizendo: “Faça o seu melhor e surpreenda-me!”
Era por isso que em plena segunda-feira, véspera de natal, eu estava rodando em um shopping sem saber o que comprar para ela. Até que parei em frente a uma floricultura. Resolvi entrar.
- Olá, posso lhe ajudar?
- Oi, preciso de um presente para uma amiga. Uma flor que não sejam rosas vermelhas, mas que não sejam simples violetas também.
- Eu tenho prímulas. Elas são conhecidas por serem símbolos de amizade.
A vendedora me entregou um pequeno vaso com umas flores em tons de rosa. Pareciam simples demais.
- Estou achando que não é isso. Queria algo um pouco mais diferente. A Rebeca não é uma mulher de flores simples.
- Uma mulher bonita e exótica?
- Podemos dizer que sim. Porém não quero dar nenhuma flor que possa dar alguma indicação errada.
- Entendi. Quem sabe ela combina com lírios ou tulipas.
Olhei os dois tipos de flores. Os lírios eram uma mistura de rosa, roxo claro e branco. Eram bonitos, porém exalavam um perfume muito forte. Já as tulipas eram de um tom de vermelho que lembravam muito os cabelos de Rebeca. Era uma flor elegante, linda e totalmente delicada. Sim, tulipa era a flor ideal para Rebeca.
- Infelizmente só tenho as tulipas vermelhas no momento e se você não quer que tenham um significado romântico, acho melhor escolher os lírios.
Depois de ver as tulipas, os lírios perderam totalmente o encanto.
- Você não tem alguma outra opção?
- Quem sabe uma cesta de produtos bem recheada com tudo que uma mulher gosta?
- Acho que será bem melhor mesmo. Vários presentes diferentes, é melhor do que nenhum ou um presente errado.
Alguns minutos depois eu sai do shopping com uma cesta enorme, embrulhada em um plástico brilhante e com um enorme laço. Dentro havia uma infinidade de coisas, champanhe, bombons, frutas cristalizadas, biscoitos, chocolates de todos os tipos e mais outras coisas. Provavelmente ela me acusaria de estar tentando engordá-la, mas arrisquei mesmo assim.

~*~*~

Na noite seguinte, nossa casa estava arrumada e decorada. A árvore de natal estava posta na sala com todos os presentes embaixo e enquanto jantávamos, todos pareciam se divertir. Assim que todos comemos, era chegada a hora de revelar o amigo secreto.
Por algum mistério que eu não conseguia entender, Rebeca ficou afastada de mim durante todo tempo e apesar de nos encararmos em alguns momentos, ela não falou comigo nenhuma vez. Isso estava me deixando preocupado.
Quando chegamos na sala, para revelar o amigo secreto, fiquei do lado contrário ao de Rebeca, com medo de que se ficássemos muito próximos, eu fosse puxar papo com ela só para quebrar aquele gelo que ela estava me dando. Isso sem falar que ela estava usando um vestido preto de cetim que ia até suas coxas e que realçava todas as curvas do seu corpo.
– Certo, quem começa? – Anne perguntou.
– Pode ser eu? – Rebeca se prontificou. Senti meu coração acelerar. 
Como todos concordaram, apenas balancei a cabeça dando o meu ok. Ela então foi até embaixo da árvore e pegou uma caixa branca com um laço vermelho em cima.
– Bom, o que posso dizer sobre essa pessoa. Conheci há pouco tempo, no início me pareceu uma pessoa um pouco retraída, mas sei que aos poucos estou conquistando com minha simpatia, carisma e lindos olhos azuis...
Suei frio. Um misto de expectativa e medo se apossaram de mim.
– Acho que sei quem é... – Anne respondeu e todos me olharam. Tentei fingir que não era comigo.
– Infelizmente acho que todos erraram o palpite. – Ela respondeu sorrindo e me lançou um olhar como quem diz: “você também achou que era você”. Eu não poderia negar, também tive a suspeita que fosse eu. – Meu amigo secreto é na verdade uma amiga. É você Deb.
Eu deveria ter ficado aliviado, mas tive que lutar para controlar a decepção que senti. Não era uma sensação normal, afinal eu não queria que ela tivesse me pego no amigo secreto.  Como poderia estar decepcionado?
Seguimos com o amigo secreto e tive que ouvi mais algumas piadinhas sobre a Rebeca e eu. O clima estava animado e todos se divertiam. Tiago e Diego estavam mais relaxados um com o outro e Anne e Deb pareciam reluzir de tamanha felicidade. Rebeca era a única que continuava tensa. Apesar de sorrir e brincar com os demais, eu conseguia ver pela sua postura o quanto ela estava nervosa.
Assim que Tiago recebeu o presente que ganhou de Diego, ele olhou de mim para Rebeca.
– Bom, quem ainda falta para ser pego?
– Eu e o José. – Rebeca respondeu.
– Então vou poupar seu pobre coração Beca. – Tiago falou, olhando para ela. - Meu amigo secreto é o meu sogro favorito e único. O cara que fez a coisa mais linda do mundo. Estava inspirado quando fez a Anne, heim sogrão?
Sorri ao receber o presente e o abraço apertado do meu genro. Eu ainda sorria quando abri o pacote de presente e encontrei uma maleta de madeira lapidada com um equipamento completo para churrasco. O presente ideal pra mim. Adorei.
– Digamos que sou bom no que faço. – Respondi a provocação de estar inspirado quando fiz a Anne e pude ouvir Rebeca murmurar um “Duvido” tão baixo que pareceu quase um gemido. Todos na sala sorriram, menos eu. Eu a olhava diretamente. – Bom só sobrou entregar o meu presente e como não há mais mistério. Minha amiga secreta é você Rebeca.
– E não é que ele te pegou mesmo, Rebeca? – Tiago provocou. – Uma pena que seja como amiga secreta.
– Hoje amiga, amanhã... – Ela não terminou de falar ao ver o tamanho da cesta que estava nos meus braços. – Diz pra mim que isso é uma cesta de café da manhã e que é parte de um convite do qual eu já digo que aceito.
Não tive como ficar sério. Ela é encantadora demais. Seus olhos brilhavam ao olhar para a cesta. Parecia criança em noite de natal.
– Na verdade, é uma cesta com presentes variados, não exatamente uma cesta de café da manhã.
– Certo, já entendi, mas amei mesmo assim. Principalmente pela quantidade de chocolate que tem. Obrigada José. – Rebeca soltou a cesta sobre o sofá e me abraçou.
Suas mãos rodearam meu pescoço e senti seu corpo completamente colado ao meu. Estremeci com o contato tão íntimo e com seu perfume. Rebeca me apertou ainda mais contra ela e murmurou em meu ouvido:
- Isso é só o começo.
Então se afastou um pouco e beijou o canto da minha boca, tocando rapidamente meu lábio com sua língua. Senti seu gosto e me perdi. Aquela mulher estava me enlouquecendo aos poucos.
Antes que eu cometesse uma loucura, fugi. Caminhei em passos decididos até o meu quarto e planejei ficar lá até conseguir me controlar e diminuir minha ereção. Não tive tempo para isso.
Eu estava de costas para a porta, mas senti a presença e o perfume dela. Virei e a vi abrir a porta do meu quarto.
– Oi. – Ela disse simplesmente.
– Oi. – Respondi.
– Eu quero falar com você.
– Rebeca, não...
– Só quero trocar duas palavras José, não vou te estuprar.
Ela não sabia que meu medo era eu estuprá-la e não o contrário. Com todas as minhas forças, lutei para ficar afastado dela.
– Sei que não, mas não quero te dar esperanças e nem ideias erradas pros meninos lá embaixo.
– Para falar a verdade eu quero te fazer um pedido para que possamos parar com essa brincadeira de gato e rato.
– Eu... – Ela não me deixou responder. Parecia decidida.
– Nós dois sabemos que eu estou sendo bem direta na minha investida e você está sendo bem direto em me ignorar, mas as últimas vezes que estive aqui percebi que você começou a me olhar, principalmente quando acha que não estou te olhando. – Ela começou a caminhar na minha direção. – José, não somos mais crianças. Eu estou atraída por você e pelo que meu instinto feminino me diz, você também está atraído por mim. O que te impede de ficar comigo?
O que me impedia de ficar com ela? Com certeza não era a distância, já que ela estava a centímetros de mim.
– Olhe para nós dois, Rebeca. Tenho idade para ser seu pai.
– Meu pai teria setenta e dois anos hoje. Você tem essa idade? Acho que não. Então não me venha com essa que poderia ser meu pai. Você não é, e o que desejo fazer com você não é nada bonito de se pensar em fazer com o próprio pai.
– Rebeca, não insista.
Ela não sabia aceitar um não e os meus nãos estavam se esgotando. Precisava que ela parasse de me atormentar. Seus olhos vinham me perseguindo nos meus sonhos. Seu corpo estava em meus pensamentos mais impróprios e sua boca... Oh aquela boca! Aquela boca fazia e falava em minha mente tudo o que podia para me levar do céu ao inferno.
Aquela boca que estava sem batom, me excitava mais do que qualquer outra coisa. Ainda mais quando ela passava a língua sobre o lábio inferior da maneira como ela fez. Seu perfume, sua língua, sua boca, seu corpo tão próximo de mim, era muita coisa para suportar. Fechei meus olhos e tentei imaginar qualquer outra cena que aqueles cabelos vermelhos não estivessem presentes e foi nesse momento que eu conheci o céu.
Os lábios de Rebeca colaram-se aos meus. Seus seios esmagaram meu peito e suas mãos voaram para meu pescoço. Me recusei a retribuir sua investida, até que ela passou sua língua em meu lábio e percorreu toda a minha boca. Não pude resistir. Ataquei sua boca, puxei seu corpo ainda mais contra o meu e provei todo o sabor daquela pequena pimenta. Me sentir arder com seu gosto. Se eu iria para o inferno, que fosse após ter cometidos todos os pecados possíveis.
Rebeca retribuiu meu beijo com tanta entrega que eu estava cogitando possuí-la ali, em pé, no meio do meu quarto, eu sabia que ela se entregaria e deixaria eu fazer o que quisesse com ela. Isso estava errado. Ela estava sendo movida pelo desejo e não estava vendo o erro que estávamos cometendo. Eu era o cara maduro dentre os dois. Eu precisava refrear isso. Eu não podia seguir a diante.
De onde tirei forças para interromper nosso beijo, eu não sei. Porém, foi necessário. Após interromper o beijo, dei-lhe as costas e evitei qualquer tipo de contato visual. Eu achei que ao beijá-la eu estaria perdido, mas simplesmente olhá-la já me fazia ter que lutar para não sucumbir ao seu encanto. Ela era uma maldita sereia e seu canto e encanto me seduziam e faziam desejar me afogar, só para estar ao lado dela.
– Rebeca, por favor, vá lá para baixo.
– José, quantas vezes vou ter que dizer que não somos mais crianças. Só me dê uma justificativa plausível e juro por tudo que é mais sagrado que não volto a te perturbar ou a dar em cima de você.
Eu queria dizer muita coisa, mas sabia que ela teria uma resposta para cada uma das minhas desculpas. Eu não podia contar a verdade, e as desculpas não seriam eficazes com ela.
– Rebeca, apenas não haverá nada entre nós, aceite isso.
– Pode me chamar de mimada se quiser, mas eu não costumo abrir mão do que quero. E eu quero você, tanto quanto você me quer, então é apenas uma questão de tempo para eu conseguir fazer você entender isso.
– Esse dia não vai existir. – Respondi na intenção de convencer a nós dois.
– Desculpa, mas não me assusto tão fácil. – Ela fechou o espaço entre nós. Passando suas mãos em minha cintura, colou seu corpo ao meu e voltou a falar, agora baixinho, bem próximo a minha orelha. – Eu aprendi a correr atrás do que eu quero. Eu quero você, quero transar com você. Quero beijar seu corpo inteiro e sentir você beijando meu corpo todo. José, faz muito tempo que não sei o que é estar com um homem de verdade.
Nesse momento eu conheci o inferno. Sua voz em meu ouvido, combinada com suas mãos que passeavam pelo meu peito, barriga e desciam ainda mais me fizeram fechar os olhos e implorar por uma morte rápida. Teria que ser uma morte quase instantânea para que evitasse que eu sucumbisse a tanto desejo que me corroía naquele momento.
Quando sua mão parou em cima da minha ereção, Rebeca acariciou lentamente.
– Pelo visto não sou a única que quer ter uma noite de sexo quente e forte. – Ela disse de encontro a minha orelha.
Gemi com seu sotaque em meu ouvido, combinado com sua mão me acariciando. Eu estava a ponto de virar e terminar o que começamos minutos antes, quando ouvi risadas vindas do andar de baixo.
Segurei a mão de Rebeca e por míseros segundos, me deixei levar pelo desejo ao pressionar a mão dela com mais firmeza sobre a minha calça e minha ereção. Suspirei de prazer, fechei os olhos e a contragosto, afastei as mãos de Rebeca de mim. Quando virei para olhá-la, respirei fundo e tentei soar o mais convincente possível.
– Por favor, Rebeca. Eu não posso e não vou pra cama com você. Você é linda, sexy e atrevida. Qualquer cara da tua idade teria o imenso prazer em te dar prazer, mas não sou da tua idade, você é ex-mulher do meu genro e futura madrinha do meu neto. Não quero que uma aventura atrapalhe ou cause constrangimento na relação que você tem com a minha filha.
Não contei o motivo verdadeiro, mas falei honestamente.
– Certo. Entendi seus motivos, porém não concordo. – Ela não ia facilitar a minha vida. - Você acha que Anne e eu nunca conversamos sobre o que sinto por você? Todos lá embaixo sabem que te desejo e que você foge de mim como se eu fosse o lobo mal e você a chapeuzinho vermelho.
Ela caminhou para longe de mim e parecia irritada quando arrumou os cabelos.
– Você não quer que ninguém saiba que nos beijamos? Você não quer que ninguém saiba que desejamos um ao outro, José? É isso?
Sim, ela estava furiosa. Não havia como negar isso ao ver suas sobrancelhas erguidas e a mão na cintura. Seu temperamento estava a ponto de explodir.
– Não quero que a amizade entre você e a minha família tenha qualquer danos por minha causa. Não quero que o meu desejo me cegue e depois que esse desejo passar, as coisas fiquem estranhas entre você, a Anne e o Tiago.
– Você não acha que as coisas podem ficar estranhas entre nós dois, ao invés de que entre a Anne e eu?
– Não foi você mesma que disse que não somos mais crianças? Acho que somos maduros o suficiente para não deixar um envolvimento atrapalhar nossas vidas.
Ela pareceu repensar. Suspirou e me encarou.
– Então vou te propor uma coisa. – Caminhou até estar novamente quase colada a mim. – Essa noite vou dormir aqui. Podemos esperar todos dormirem. Assim acabamos com isso de uma vez. Ambos sairemos satisfeitos e ninguém precisa saber. Antes do sol nascer saio da tua cama e volto para a minha.
A proposta era tentadora, mas alarmes soavam em minha cabeça, alertando para o perigo desse plano.
– Rebeca...
– Vou esperar por uma decisão sua. Você vai ter que dar o próximo passo. Vou estar na cama, acordada e esperando por você. Não me deixe esperando.
Sem dizer mais nada, ela virou-se e saiu do meu quarto. Deixando-me seu perfume e uma enorme ereção.
Caminhei pelo quarto um pouco e fiquei repetindo suas palavras em minha cabeça.
Ambos sairemos satisfeitos e ninguém precisa saber.”
Qual era o meu problema com a Rebeca? Por que ela não era como as outras mulheres? Por que ela mexia tanto comigo? Será que eu conseguiria levar Rebeca para cama sem correr o risco de morrer em seus braços? Essas eram perguntas que não saiam da minha cabeça.
“Todos lá embaixo sabem que te desejo...” Ela disse.
Então se todos sabiam, porque eu não poderia simplesmente aproveitar? Porque eu tinha que pensar tanto? Quem sabe por que eu era mais de vinte anos mais velho do que ela? Porque ela tinha a idade da minha filha? Não era só isso, mas eu tinha que pensar na questão da nossa diferença de idade também
Eu pensei tanto, que cheguei em um ponto de não conseguir pensar em outra coisa e me irritei tanto comigo mesmo que desci as escadas para a cozinha, totalmente irritado.
Encontrei todos em volta da mesa jogando baralho e me juntei a eles. Era pra ser uma distração, mas os braços cruzados de Rebeca levantavam seus seios e o decote daquele vestido pecaminoso deixava pouco para a minha imaginação. Quanto mais eu via, mais eu queria ver e mais eu salivava por provar.
Em algum momento, Anne anunciou que ia dormir. Vi ela e Rebeca discutirem sobre onde Rebeca ia dormi e descobri que ela iria dormir na sala. Ela não ia facilitar minha vida. Se eu iria tê-la, teria que descer as escadas e vir buscá-la. Ela não estaria me esperando em minha cama.
Vi quando ela caminhou em direção ao quarto da Anne e voltou de lá quase uma hora depois, com os cabelos molhados, sem maquiagem, um travesseiro e um pijama cor de rosa tão curto que me deu um bom vislumbre de suas coxas.
- Boa noite meninos. – Ela disse ao passar pela porta da cozinha e seguir em direção ao sofá-cama que ficava na sala.
Estava na hora. Eu tinha que decidir. Algo me dizia que essa era a última vez que eu iria rejeitar Rebeca. Ela não é mulher de ficar rastejando por um homem. Deve ter milhares deles aos seus pés, mas por algum motivo oculto, ela queria a mim. Então eu sabia o que tinha que fazer. Se ela não fosse parar em meus lençóis naquela noite, algo me dizia que nunca mais a teria em minha cama.
Depois que todos foram para suas camas, fiquei rodando em meu quarto. Andando de um lado para outro sem saber o que fazer. Eu queria ficar com ela, tê-la em meus braços e então esclarecer esse mistério sobre como é estar dentro dela. Quem sabe depois que fizéssemos amor, ela perderia o interesse e pararia de me perseguir com seus olhos claros, seus cabelos vermelhos, sua pele sedosa, sorriso brincalhão, lábios carnudos...
Oh Deus! Eu estava enlouquecendo de tesão.
No banheiro do meu quarto, tomei um banho e tratei de resolver sozinho parte do meu tesão, mas mesmo enquanto me masturbava como um adolescente, meus pensamentos estavam nela e emm tudo que eu sonhava em fazer. Sentir aquela linda boca devorando meu mastro era o que mais me excitava. Imaginar ela lambendo-o e olhando para mim com aqueles olhos claros e olhar sacana já me deixa a ponto de explodir. Eu não podia seguir assim, me masturbando no chuveiro e mesmo assim ficando insatisfeito. Precisava de um corpo de mulher. Precisava estar dentro de uma mulher. Eu precisava estar dentro de uma certa ruiva.
Pensando nisso, sai do banho, vesti uma bermuda confortável e arrumei minha cama. Era chegada a hora de cometer o meu pior pecado, aquele que iria me levar diretamente para o inferno e sem escalas no purgatório.
Caminhei até as escadas e a cada passo que eu dava, um barulho diferente e parecendo cada vez mais alto ressoava pelo corredor. Parecia que a casa toda iria acordar e me pegar indo em direção ao pecado em forma de mulher. Caminhei tão lentamente e com tanto cuidado que pareceu levar horas até que eu estivesse terminando de descer as escadas. Chegando a sala, vi que Rebeca estava deitada de bruços. Uma de suas pernas estava descoberta e ela parecia dormir.
Fiquei paralisado com aquela visão. Ela parecia uma fada celta com seus cabelos vermelhos esparramados sobre o travesseiro branco. Havia algo de vulnerável nela que enterneceu meu coração e por um minuto, tudo o que desejei foi me deitar ao lado dela e abraça-la. Lembrei então, que alguém poderia descer e me ver deitado ali com ela. Achei melhor leva-la para meu quarto, nem que fosse apenas para dormir ao seu lado essa noite e no primeiro raio de sol que apontasse no horizonte, eu a levaria de volta para o sofá cama.
A levantei do sofá cama e a acomodei em meu peito. Rebeca se remexeu e apoio sua cabeça em meu ombro.
– Achei que você não vinha. – Ela murmurou com a voz sonolenta e passou os braços em meu pescoço.
– Eu também achei. – Respondi e fiz algo que vinha querendo fazer a bastante tempo, dei um beijinho em seus lábios. Foi instantâneo, me senti bem. Me senti tão bem que tive que lembrar a mim mesmo que era apenas por uma noite. – Só por uma noite.

Quando voltei para meu quarto, não me importei com o barulho ou com qualquer outra coisa. Rebeca estava nos meus braços e tudo o que eu podia fazer era sentir seu corpo leve em meu colo. Por essa mulher, por essa noite, eu iria para o inferno de bom grado e com um sorriso no rosto. 

*~*~*

Beijinhos!

Carol Paim & Sheila Bomfim