Rebeca
O quarto de José estava escuro
quando entramos. As cortinas estavam fechadas e assim que ele fechou a porta, o
breu dominou o ambiente. Eu não me importei. Tudo o que eu queria estava ao
alcance das minhas mãos.
Mãos essas que passeavam pelo
peito de José e carinhosamente alisavam os pelos que ele possuía. Era uma
sensação calmante e ao mesmo tempo tão intima e corriqueira.
Ele caminhou comigo até que
chegamos no meio do quarto, então ele lentamente me pôs sobre meus pés. Sem
dizer nenhuma palavra, José retirou as duas peças do meu pijama, me deixando só
de calcinha.
- Fique parada.
José pediu antes de se afastar e
caminhar até uma das cortinas e abri-las, deixando entrar o suave brilho da luz
da lua. Então ele caminhou até a segunda janela que havia em seu quarto e também
abriu as cortinas, tornando o quarto mais nítido. Ele parou e de longe me
observou. Como a claridade estava atrás dele, eu só podia ver o seu contorno.
Sua expressão era uma incógnita para mim, e isso me causava certo frisson.
Lentamente, caminhou até ficar
parado na minha frente, agora mais perto, eu podia dizer que ele estava com o
rosto sério e compenetrado.
- Você devia ser presa por ser
tão linda. – Ele falou ao passar ao meu lado sem me tocar, só me observando.
Ficar sob seu olhar me causou uma
infinidade de sensações. Por alguns instantes me senti insegura, mas então ele
disse que eu era linda. Minha insegurança se foi. Ao seu lado eu me sentia
poderosa, linda e desejável. Não que eu não me sentisse assim com outros caras,
mas com José essas sensações eram potencializadas ao máximo.
Eu estava só de calcinha no meio
do quarto dele, enquanto ele caminhava lentamente ao meu redor, sem me tocar.
- Eu passaria a noite toda só te
observando. – Ele disse.
- Nós não temos a noite toda. Por
favor, toque-me. – Pedi baixinho.
Ele primeiro tocou meu braço com
apenas um dedo e o correu de baixo pra cima em meu braço, então colocou a mão
inteira em meu ombro e correu a palma da mão pela minha clavícula e pescoço,
parando apenas na outra clavícula. Calafrios percorreram meu corpo ao sentir
sua mão áspera acariciar minha pele.
- Antes de qualquer coisa, quero
que você me prometa que se eu te machucar em algum momento, você vai me parar e
me avisar.
- Você sabe que já perdi a
virgindade faz alguns anos, não é? Se você é tão grosso que vai...
- Rebeca, algumas vezes eu perco
o controle e costumo segurar com mais firmeza do que deveria. Isso pode
machucar e deixar marcas. Quero que você prometa que vai me dizer se eu passar
do ponto. Prometa e seguimos daqui, não prometa, voltamos à estaca zero e nada
de sexo para nós.
Estaca zero não era uma opção,
então fiz a única coisa que me restava, prometi.
- Tudo bem, eu prometo.
José deu um beijinho no meu
ombro.
- Muito bem, pequena. Agora vamos
nos divertir e tirar esse desejo das nossas cabeças de uma vez por todas.
- Pequena? Já tenho até apelido?
- Sim, você é a minha pequena.
Pequena sereia que cantou para mim e me fez cair no seu encanto. Você é minha
pequena pimenta; parece tão inocente por fora, mas por dentro esconde uma chama
que arde e ameaça me queimar, e eu, muito burro, vou provar da sua ardência por
vontade própria. Você é uma pequena fada ou seria uma bruxa celta? Eu ainda
estou em dúvida sobre o que você é na verdade. Você é uma mistura de sereia,
pimenta, bruxa e fada. Você é uma mulher única, Rebeca.
Durante todo o tempo em que ele
falou, suas mãos percorreram lentamente o meu corpo e associados com suas
palavras, seu toque se tornou o céu pra mim. Fechei meus olhos e me deixei
absorver tudo o que ele tinha para me dar. Suas palavras, seus toques, o roçar
de seus lábios em meus ombros e pescoço.
Meu corpo ondulava ao seu toque,
minhas mãos se contorciam de vontade de tocá-lo, mas eu não queria estragar o
momento. As caricias de José me enterneciam e excitavam ao mesmo tempo.
- Se eu tenho um apelido, nada
mais justo do que você também ter um – Eu disse aos sussurros ao sentir suas
mãos começarem a percorrer minha coluna em direção a minha bunda. José estava
me torturando – Quem sabe eu possa te chamar de Ma joie gris!
- O que significa? – Ele
perguntou baixinho em meu ouvido e me fez ficar arrepiada.
- Significa meu grisalho delícia
em francês.
- Gosto de você falando francês.
Seu sotaque falando francês, me excita. – Ao dizer isso, ele colou seu corpo em
minhas costas e senti sua ereção pressionada em minha bunda. – O que mais você
fala em francês?
- Je parle courammentle français, anglais, espagnol, portugais et um peu
de mandarin.
- Não sei o que você disse, mas
achei muito sexy.
- Eu disse que falo fluentemente
o francês, inglês, espanhol, português e um pouco de mandarim.
José correu sua mão da minha bunda para minha
barriga e acariciou, introduzindo um dedo em meu umbigo. Foi inconsciente o
movimento que fiz ao inclinar meu quadril de encontro a sua ereção.
– Isso está ficando interessante.
– Sua mão acariciou abaixo dos meus seios e eu tombei minha cabeça para trás e
ofereci meus seios ao seu toque, mas ele não os tocou. Seguiu acariciando
abaixo do meu seio. - Vamos jogar um pouco, você repete em francês tudo o que
eu te disser. O que você acha?
- Pour moi, tout droit. – Falei em francês, então repeti em
português. – Por mim, tudo bem.
- Então vamos começar. – Ao dizer
isso, José pegou meu queixo com uma das mãos e o ergueu o suficiente para que
eu estivesse olhando para o teto com a cabeça encostada em seu ombro e a orelha
posta estrategicamente próxima a sua boca. – Tudo o que eu disser, você repete
em francês. Combinado, pequena?
Era difícil de falar naquela
posição, mas eu estava gostando daquela tensão entre nós.
- Oui, combinée.
- Eu vou te deitar naquela
cama...
- Je vais vous couché surcelit...
A mão de José foi para meu seio
direito e o massageou com força. Eu gemi e me contorci de prazer.
- Vou te beijar a boca... – Sua
voz estava rouca e eu precisei me concentrar para prestar atenção ao que ele
dizia.
- Je vous embrasse la bouche... – Falei quase murmurando
- Degustar seus seios...
Sua mão desceu para minha barriga
novamente e contornou minha coxa, apertando minha carne e dando-me uma mistura
de dor e prazer.
- Profiter de vos seins...
- Vou lamber seu corpo...
José estava acariciando e
apertando apenas um lado da minha bunda, já que a outra mão seguia segurando
meu queixo.
- Je lèche votre corps... – Tive que fazer um esforço enorme para me
lembrar o que ele havia dito.
Quando a mão que segurava meu
queixo correu para baixo e a mão que estava em minha bunda, tornou a subir, eu
sabia que iria ser a minha perdição. Ambas as mãos pararam em cima dos meus
seios e ficaram ali, imóveis.
- Depois de lamber todo o seu
corpo, vou fazer você gozar em minha boca...
A voz de José estava
completamente alterada. O tom suave tinha dado lugar ao tom grave e rouco de
tesão. Sua ereção era uma rocha atrás de mim e eu era uma massa gelatinosa em
suas mãos. Mãos essas que estavam em meus seios e me confundiam. Eu não sabia
se suas mãos queriam me acariciar ou torturar, o que eu sabia é que eu não
queria que parasse nunca.
- Você não repetiu o que eu
falei. – José falou em meu ouvido e tirou as mãos dos meus seios. Minhas mãos
que até agora estavam imóveis ao lado do meu corpo, trataram de agarrar as dele
e as manter no lugar.
- Eu estava um pouco ocupada e
não lembro a sua frase. – Respondi, dando uma pequena rebolada em seu membro.
- Oh, pequena sereia. Só diga o
que eu te pedi – Então ele repetiu a frase pra mim.
Antes que eu pudesse traduzi-la
para o francês, virei-me e fiquei de frente para José. Colando nossos peitos
nus, pele contra pele, no caso seria mais a minha pele contra os pelos do peito
dele. Eu rodeei seu pescoço com os braços e com um impulso, saltei, rodeei
também sua cintura com minhas pernas. Ele me segurou com as duas mãos em minha
bunda. Senti seu sorriso quando encostei meu rosto no seu para sussurrar em seu
ouvido o que ele havia me pedido.
- Après avoir lècher votre corps tout entier, je vais vous faire foutre
dans ma bouche... – E acrescentei rapidamente. – Ma joie gris!
Não precisei dizer mais nada. José atacou meu
pescoço e orelha até que virei meu rosto em sua direção e nossas bocas se
conectaram. Nossas línguas duelaram para descobrir qual provava mais o gosto da
outra. As mãos de José apertavam minha bunda com força e eu enterrava minhas
mãos em seus cabelos e puxava com força também.
Eu não podia dizer se estávamos
há um minuto ou há uma hora nos beijando quando José sentou-se na cama, ainda
comigo no colo. Nós nos deitamos na cama sem separar nossas bocas um do outro.
Tendo as mãos livres de me segurarem, José passou a percorrer meu corpo e a
estimular cada terminação nervosa que existia em mim.
Nunca estive mais excitada em
toda a minha vida, sem que o homem tivesse tocado entre minhas pernas. Nos
poucos momentos de lucidez que eu tive enquanto beijava José, foi esse o meu
pensamento: Assim que ele tocar o meu
clitóris, eu vou explodir como fogos de artifício em noite de festa.
José testou todo o meu controle
ao tocar minha virilha, mas não tocar diretamente onde eu queria. Ele testou
todo o meu controle, quando sua boca rodeou meu mamilo e o sugou com força, me
fazendo gritar. Um seio depois do outro, ambos foram devorados, lambidos,
mordidos e principalmente chupados. Delirei.
- Agora, Ma joie gris. Eu preciso de você dentro de mim, Cher.
Em questão de milésimos de
segundos, minha calcinha foi rasgada e a bermuda de José foi parar longe. Como
eu estava por cima, eu poderia ter me encaixado facilmente, mas José nos virou
e me colou sobre a cama, quando ele se levantou e caminhou até o criado mudo.
Ouvi o barulho de uma gaveta sendo aberta. Ele estava pegando camisinha. Tive
vontade de dizer para não se preocupar com uma possível gravidez, mas não o
alertei.
Assim que ele caminhou de volta
para a cama, pude ver o brilho da embalagem. Peguei de sua mão e fiz questão de
eu mesma colocar. Antes de abrir a embalagem, porém, eu quis me aproveitar que
estava sentada e ele em pé, para explorar um pouco seu corpo.
Com carinho, corri minha mão de
baixo para cima, sem tocar em seu mastro. Quando cheguei na altura de seu
peito, trouxe minhas mãos para baixo novamente, mas quando as baixei, minhas
unhas deixaram um rastro em sua barriga até a base de seu órgão. Senti José
ofegar com o arranhão e o ouvi gemer, quando agarrei seu membro entre minhas
mãos.
Era um pênis incrível, não por
seu tamanho, o pênis de José era incrível por sua textura aveludada e pela rigidez
em que estava. Eu o acariciei lentamente. Com movimentos para cima e para baixo
eu o excitei mais ainda e pude sentir quando as primeiras gotas de pré-sêmen
surgiram e molharam a cabeça de seu pau. Ouvi José gemer quando, com o polegar,
eu espalhei o liquido em toda a ponta de seu membro.
Saber o quão excitado ele estava,
me deixou ainda mais excitada e tive vontade de provar seu sabor. Já que essa
seria nossa única noite, eu queria tudo o que tinha direito. Então fiz o que
queria e o coloquei na boca.
- Puta que pariu. – José gemeu
alto. – Eu queria tanto estar olhando para você, enquanto me chupa. Essa é a
fantasia que mais tem me feito gozar. Ver você de joelhos, me chupando.
Chupei ainda mais forte antes de
responder.
- Adoraria realizar sua fantasia
quando e onde você quiser. – Depois de falar isso, o coloquei na boca o máximo
que pude e senti José segurar meus cabelos e forçar um pouco mais. Respirando
pelo nariz, consegui pôr todo o pau de José na boca. Senti suas bolas em meu
queixo e soube que tinha posto inteiro na boca. Movimentei minha língua em sua
base.
- Porra, pequena. Eu vou gozar.
Ou você para agora, ou vai ter que engolir. – José falou gemendo e começando um
movimento de tirar e colocar em minha boca.
Ele me deu as opções. Eu
decidiria o que queria, e eu decidi por ver aquele homem durão perder o
controle. Eu decidi o levar em minha boca. Sendo assim, eu segurei sua bunda e
o forcei para frente, para que estivesse todo enterrado em minha boca. José
gemeu forte.
- Pequena. Você tem certeza? –
Ele perguntou, tirando seu pau da minha boca até que sua cabeça estivesse em
meus lábios. – Oh, Deus! Como eu queria ver isso.
- Acenda a luz. – Eu pedi. Ele
mais que prontamente acendeu. Após um instante de adaptação a claridade, eu o
chamei de volta. – Venha, Ma joie gris. Quero continuar de onde parei.
Sorri e ele me olhou de uma
maneira que me fez contorcer.
- Antes, pequena. Vou mudar um
pouco as coisas de lugar. – Ele disse, enquanto caminhava ao meu encontro.
Quando parou na minha frente, eu
já estava me colocando a postos para continuar de onde eu havia parado,
aproveitando para dar uma conferida no corpo de José.
Com a luz acessa pude ver o corpo
de José por completo e o que vi me deixou mais excitada ainda. José tinha um
corpo lindo. Sua pele era bronzeada pelo trabalho, seu peito era recoberto por
uma leve camada de pelos que seguiam seu caminho até chegar onde se levantava
um membro ereto e firme. Alguns pelos em seu peito já eram grisalhos, mas seu
corpo não demonstrava em nada sua idade. Seus braços possuíam músculos bem
definidos, seu peito era firme, e se não fosse pela pequena barriga, que
denunciava o quanto ele gostava de cerveja, sofá e futebol, seu corpo seria
idêntico ao corpo de um garotão. Suas coxas eram grossas e fiquei completamente
tentada a levantar e conferir como sua bunda era.
Antes que eu pudesse voltar a
chupá-lo, ou levantar para ver sua bunda, José me empurrou em direção a cama e
tombou sobre mim, entre minhas pernas.
- Seria maravilhoso gozar em sua
pequena boca deliciosa, mas será divino quando eu gozar dentro de você. – E sem
dizer mais nada, José me penetrou de uma só vez, me fazendo gritar de prazer,
dor e surpresa. – Eu posso sentir o quanto você está encharcada. Sua vagina
está me afogando. Isso é tão bom.
- Isso, Ma joie gris. Continua. – Eu me descontrolava entre uma estocada e
outra.
Seu ritmo era forte e rápido, me
levando ao delírio. Suas mãos uma hora se apoiavam na cama, outra seguravam
meus cabelos, apertavam minhas coxas ou estimulavam ainda mais meus seios. José
me atacava e excitava de todas as formas. Eu estava me perdendo e gritando cada
vez mais alto. Meu orgasmo chegando cada vez mais perto.
– Oh, Mon Amour! Eu estou tão perto.
Minha frase pareceu um
combustível jogado sobre o fogo. José intensificou ainda mais as investidas e
eu estava cada vez mais perto do orgasmo.
- Eu estou sentindo você me
apertando. Me ordenhando.
- Oh, Mon Die.
- Fala mais. Fala mais, pequena.
- Isso. Me fode. Mete mais forte.
Mete tudo. – Se ele gostava de mulheres que falam durante o sexo, ele iria
perceber que eu era uma boca suja de marca maior.
- Em francês, pequena...
- Cette. Baise-moi. Se renforce. Mettre le touttttttt...
Então, no fim da frase que eu
mais tive dificuldade em me lembrar como se falava em outra língua, eu gozei.
- Caralho. Você está me apertando
de uma forma que eu não vou aguentarrrrrrr... – José gemeu em meu ouvido e
senti quando gozava dentro de mim. Tão fundo quanto era possível.
Seu liquido espeço e quente se
derramou em meu interior e eu vi o instante exato em que José percebeu que
havia esquecido a camisinha. Ele saltou de dentro de mim, deixando-me com a
sensação de vazio onde ele estava até segundos atrás.
- Não precisa se desesperar. Não
corro o risco de ficar grávida. – Falei um pouco irritada pela forma como ele
conseguiu quebrar o clima em poucos segundos após um orgasmo tão espetacular e
pela sua cara de arrependimento.
- Não se pode confiar cem por
cento em pílulas. – Ele respondeu sem me olhar nos olhos. – Você sabe que elas não
são infalíveis.
- Eu sei. Mas não precisa se
preocupar. Eu tenho zero chances de ficar grávida. – Falei para ele ao me
levantar e caminhar até seu banheiro, fechando a porta atrás de mim.
Eu nunca fui irresponsável com
relação ao sexo. Por mais que eu esteja segura quanto a gravidez, nunca se sabe
que tipo de doenças pode se pegar durante o sexo. Até mesmo o cara mais bonito
do mundo, pode esconder uma doença ou ser portador sem nem ao menos saber.
Então sempre preferi me prevenir. Porém com José, joguei toda a minha
responsabilidade pela janela e acabei me colocando em risco e possivelmente,
tendo que dar explicações do porque eu tinha tanta certeza de que não poderia
ficar grávida.
Sem querer mais pensar nesse
assunto, liguei o chuveiro e me enfiei embaixo do jato de água fria. Eu
precisava acalmar meus nervos. Lavei meu corpo e quando estava mais calma,
desliguei o chuveiro e tratei de me secar. Uma parte de mim, queria que José
tivesse vindo atrás de mim no chuveiro e ensaboado minhas costas, quem sabe
fizéssemos amor novamente ou apenas pudéssemos conversar enquanto eu o lavava
também. Porém, eu sabia que ele não viria. Ele iria me dar espaço e não iria
ser romântico nesse momento.
Ainda dentro do banheiro, vi
quando José apagou a luz do quarto. Me apoiei na pia do banheiro e respirei
fundo. Ele provavelmente já estaria se recriminando por ter cedido e transado
comigo. Tentando inventar uma maneira de fingir que esse não foi o melhor sexo
da minha vida. Como eu ia fazer para fingir que nada aconteceu, eu não sabia,
mas sabia que ia erguer a cabeça e fazer tudo o que fosse possível para não
enfraquecer na frente dele. Iria sorrir e concordar com o que ele propusesse.
Afinal, era apenas uma noite e nada mais.
Lutando contra lágrimas que
surgiram, lavei meu rosto na pia e foi então que vi pelo espelho as marcas em
meu corpo. José até poderia fingir que nada aconteceu, mas eu e meu corpo
teríamos marcas roxas por pelo menos uma semana, para nos lembrar do que se
passou nesse quarto. No mínimo uma semana em que cada vez que eu visse uma das
minhas marcas, iria relembrar de quem as deixou em meu corpo. Não tinha o que se
fazer. Naquele momento só me restava encarar José e o eximir de qualquer culpa,
afinal, havia sido eu quem o havia posto contra a parede para que passássemos
essa noite juntos. Sexo feito. Ambos satisfeitos. Agora só restava seguir com a
vida.
Ainda com a luz do banheiro
acessa, abri a porta e olhei o quarto em busca do meu pijama. O encontrei caído
aos pés da cama. Caminhei até ele e rapidamente o vesti. Vi que José estava
sentado no meio da cama, encostado na cabeceira. Ele não falou nada, apenas me
observou, enquanto eu me vestia. Voltei até o banheiro, apaguei a luz e segui
as escuras em direção a porta. Assim que eu abri, uma fresta de luz se
infiltrou no quarto e iluminou a cama. Olhei para José.
- Boa noite, José. – Eu disse
alto somente o suficiente para ele me ouvir.
- Não vá. – José me respondeu.
- Era apenas uma noite, lembra?
Eu preciso voltar para o sofá cama para que ninguém desconfie.
- A noite ainda não terminou.
- José, não...
- Apenas venha aqui e deite-se ao
meu lado. Vamos fingir, pelo menos por algumas horas, que somos um casal comum.
– Sua voz soava tão baixa que achei que estava imaginando. Então José se
levantou da cama, e ainda nu, caminhou em minha direção, fechou a porta, pegou
a minha mão e me levou para a cama.
Deitei e senti a cama se mover
quando ele deitou e se aconchegou em minhas costas, passando um braço embaixo
do meu pescoço e o outro braço rodeando minha cintura, me puxando ainda mais de
encontro ao seu corpo.
- Me desculpe. – José sussurrou
em meu ouvido. – Eu fui um idiota. Eu só não estou acostumado a perder o
controle como aconteceu.
- Tudo bem. – Murmurei de volta.
Suspirei e me aconcheguei ainda
mais em seu corpo. Era confortável dormir assim e fui ficando sonolenta.
- Ma joie gris, é melhor eu descer ou vou acabar dormindo aqui.
- Fica mais um pouco. Se você
dormir, eu te levo lá para baixo.
Sorri ao perceber que ele queria
que eu ficasse. Sorri ainda mais por saber que isso era o que nós dois
queríamos. Eu queria aquele aconchego, aquela conchinha e queria sentir a
respiração de José em minha nuca. Queria sentir os pelos de seu peito roçando
minhas costas e suas pernas entrelaçadas as minhas. Pela primeira vez em muitos
anos, eu queria um relacionamento estável com alguém. Saber disso tirou meu
sorriso, pois o homem que estava me fazendo desejar ter um relacionamento, era
justamente aquele que me disse que não seria mais do que uma noite.
Todo o sono que eu sentia foi
embora ao constatar que eu estava desejando o impossível. Sendo assim, fiquei
acordada e aguardei o sol nascer e aquela noite acabar. Em algum momento, senti
que o braço de José que estava em minha cintura ficou mais pesado e sua
respiração mais tranquila. José tinha dormido.
Então lentamente, virei meu corpo
e repousei minha cabeça em seu ombro, assim eu poderia ficar olhando para ele.
Essa seria nossa primeira e única noite, eu deveria aproveitar cada segundo, e
foi isso que eu fiz. Acariciei seu peito, seu rosto, senti sua leve barba,
tracei o contorno de sua boca, sobrancelhas e corri minhas mãos pelos seus
braços e barriga. Olhei cada centímetro dele e o memorizei. Já que essa seria a
nossa única noite, queria levar gravado na memória cada pedacinho de José
comigo.
Foi acariciando ele, que vi o
primeiro raio de sol surgir pela janela. Tentando não acordá-lo, sai de sua
cama e rabisquei um bilhete para deixar em meu lugar.
“Obrigada pela noite maravilhosa, Ma joie
gris! Foi uma noite inesquecível! Beijos
da sua Pequena!”
Deixei o bilhete em meu lugar,
dei um último beijo em sua boca e sai do seu quarto. Uma parte de mim estava
saltitando pelo sexo maravilhoso, mas outra parte de mim, uma parte maior,
estava lamentando ter que deixar aquele quarto. Mesmo que eu quisesse ficar, eu
não poderia. O combinado era apenas uma noite e eu sempre fui uma mulher de
cumprir o combinado.
Caminhei lentamente até a escada,
tentando não fazer barulho e chamar a atenção para o fato de que eu estava
descendo as escadas ao invés de estar no sofá cama na sala. Porém foi inútil,
já que encontrei Anne saindo da cozinha, enquanto eu terminava de descer as
escadas.
– Pelo visto deu formiga na tua cama. –
Provoquei – Que horas são?
– Cinco e meia; Estou grávida, sinto mais fome
que o normal. Além disso, ganhei um presente de natal muito bom, que abriu meu
apetite.
– É mesmo? Posso perguntar o que foi?
Ela abriu a parte de cima do roupão que estava
usando e me mostrou um sutiã roxo lindo.
– Hummmm. Victoria Secret? Bom gosto. Vou dar
os parabéns ao Tiago.
– O mais engraçado é que comprei um conjunto
de espartilho e meias sete oitavos que planejava usar hoje, mas tive que adiar
para dar preferência para um presente vindo direto de Nova Iorque.
– Seus pervertidos. – Dei risada. - Não me
surpreende que estejam esperando gêmeos. Vocês não podem se ver que já pulam em
cima um do outro.
– Culpa dos hormônios da gravidez. – Anne se
defendeu.
– Acredito. – Respondi rindo e me servindo de
uma caneca de café. – Pelo visto não vou dormir mesmo.
– Vocês falam alto demais. – Deb apareceu
sorrindo na porta da cozinha. – Já me basta os barulhos do quarto ao lado do
meu.
As duas me olharam. Dei de ombros antes de
responder.
– O que posso fazer? Sempre gostei do Natal. O
bom velhinho foi muuuuuito bom comigo esse ano.
Em meio a uma cozinha, canecas de café e o
nascer do sol, nós três caímos no riso, sabendo muito bem de qual bom velhinho
eu estava falando. O que só eu sabia, era que eu tinha gostado tanto do meu
presente que queria que o natal não acabasse tão cedo. Assim como as crianças,
eu queria que fosse natal todos os dias, mas o sol já havia nascido e a minha
noite de natal estava definitivamente terminada. A partir daquele momento, só
me restavam as lembranças.
*~*~*
Beijinhos!
Carol Paim & Sheila Bomfim


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