quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Capítulo 04

Rebeca

O quarto de José estava escuro quando entramos. As cortinas estavam fechadas e assim que ele fechou a porta, o breu dominou o ambiente. Eu não me importei. Tudo o que eu queria estava ao alcance das minhas mãos.
Mãos essas que passeavam pelo peito de José e carinhosamente alisavam os pelos que ele possuía. Era uma sensação calmante e ao mesmo tempo tão intima e corriqueira.
Ele caminhou comigo até que chegamos no meio do quarto, então ele lentamente me pôs sobre meus pés. Sem dizer nenhuma palavra, José retirou as duas peças do meu pijama, me deixando só de calcinha.
- Fique parada.
José pediu antes de se afastar e caminhar até uma das cortinas e abri-las, deixando entrar o suave brilho da luz da lua. Então ele caminhou até a segunda janela que havia em seu quarto e também abriu as cortinas, tornando o quarto mais nítido. Ele parou e de longe me observou. Como a claridade estava atrás dele, eu só podia ver o seu contorno. Sua expressão era uma incógnita para mim, e isso me causava certo frisson.
Lentamente, caminhou até ficar parado na minha frente, agora mais perto, eu podia dizer que ele estava com o rosto sério e compenetrado.
- Você devia ser presa por ser tão linda. – Ele falou ao passar ao meu lado sem me tocar, só me observando.
Ficar sob seu olhar me causou uma infinidade de sensações. Por alguns instantes me senti insegura, mas então ele disse que eu era linda. Minha insegurança se foi. Ao seu lado eu me sentia poderosa, linda e desejável. Não que eu não me sentisse assim com outros caras, mas com José essas sensações eram potencializadas ao máximo.
Eu estava só de calcinha no meio do quarto dele, enquanto ele caminhava lentamente ao meu redor, sem me tocar.
- Eu passaria a noite toda só te observando. – Ele disse.
- Nós não temos a noite toda. Por favor, toque-me. – Pedi baixinho.
Ele primeiro tocou meu braço com apenas um dedo e o correu de baixo pra cima em meu braço, então colocou a mão inteira em meu ombro e correu a palma da mão pela minha clavícula e pescoço, parando apenas na outra clavícula. Calafrios percorreram meu corpo ao sentir sua mão áspera acariciar minha pele.
- Antes de qualquer coisa, quero que você me prometa que se eu te machucar em algum momento, você vai me parar e me avisar.
- Você sabe que já perdi a virgindade faz alguns anos, não é? Se você é tão grosso que vai...
- Rebeca, algumas vezes eu perco o controle e costumo segurar com mais firmeza do que deveria. Isso pode machucar e deixar marcas. Quero que você prometa que vai me dizer se eu passar do ponto. Prometa e seguimos daqui, não prometa, voltamos à estaca zero e nada de sexo para nós.
Estaca zero não era uma opção, então fiz a única coisa que me restava, prometi.
- Tudo bem, eu prometo.
José deu um beijinho no meu ombro.
- Muito bem, pequena. Agora vamos nos divertir e tirar esse desejo das nossas cabeças de uma vez por todas.
- Pequena? Já tenho até apelido?
- Sim, você é a minha pequena. Pequena sereia que cantou para mim e me fez cair no seu encanto. Você é minha pequena pimenta; parece tão inocente por fora, mas por dentro esconde uma chama que arde e ameaça me queimar, e eu, muito burro, vou provar da sua ardência por vontade própria. Você é uma pequena fada ou seria uma bruxa celta? Eu ainda estou em dúvida sobre o que você é na verdade. Você é uma mistura de sereia, pimenta, bruxa e fada. Você é uma mulher única, Rebeca.
Durante todo o tempo em que ele falou, suas mãos percorreram lentamente o meu corpo e associados com suas palavras, seu toque se tornou o céu pra mim. Fechei meus olhos e me deixei absorver tudo o que ele tinha para me dar. Suas palavras, seus toques, o roçar de seus lábios em meus ombros e pescoço.
Meu corpo ondulava ao seu toque, minhas mãos se contorciam de vontade de tocá-lo, mas eu não queria estragar o momento. As caricias de José me enterneciam e excitavam ao mesmo tempo.
- Se eu tenho um apelido, nada mais justo do que você também ter um – Eu disse aos sussurros ao sentir suas mãos começarem a percorrer minha coluna em direção a minha bunda. José estava me torturando – Quem sabe eu possa te chamar de Ma joie gris!
- O que significa? – Ele perguntou baixinho em meu ouvido e me fez ficar arrepiada.
- Significa meu grisalho delícia em francês.
- Gosto de você falando francês. Seu sotaque falando francês, me excita. – Ao dizer isso, ele colou seu corpo em minhas costas e senti sua ereção pressionada em minha bunda. – O que mais você fala em francês?
- Je parle courammentle français, anglais, espagnol, portugais et um peu de mandarin.
- Não sei o que você disse, mas achei muito sexy.
- Eu disse que falo fluentemente o francês, inglês, espanhol, português e um pouco de mandarim.
 José correu sua mão da minha bunda para minha barriga e acariciou, introduzindo um dedo em meu umbigo. Foi inconsciente o movimento que fiz ao inclinar meu quadril de encontro a sua ereção.
– Isso está ficando interessante. – Sua mão acariciou abaixo dos meus seios e eu tombei minha cabeça para trás e ofereci meus seios ao seu toque, mas ele não os tocou. Seguiu acariciando abaixo do meu seio. - Vamos jogar um pouco, você repete em francês tudo o que eu te disser. O que você acha?
- Pour moi, tout droit. – Falei em francês, então repeti em português. – Por mim, tudo bem.
- Então vamos começar. – Ao dizer isso, José pegou meu queixo com uma das mãos e o ergueu o suficiente para que eu estivesse olhando para o teto com a cabeça encostada em seu ombro e a orelha posta estrategicamente próxima a sua boca. – Tudo o que eu disser, você repete em francês. Combinado, pequena?
Era difícil de falar naquela posição, mas eu estava gostando daquela tensão entre nós.
- Oui, combinée.
- Eu vou te deitar naquela cama...
- Je vais vous couché surcelit...
A mão de José foi para meu seio direito e o massageou com força. Eu gemi e me contorci de prazer.
- Vou te beijar a boca... – Sua voz estava rouca e eu precisei me concentrar para prestar atenção ao que ele dizia.
- Je vous embrasse la bouche... – Falei quase murmurando
- Degustar seus seios...
Sua mão desceu para minha barriga novamente e contornou minha coxa, apertando minha carne e dando-me uma mistura de dor e prazer.
- Profiter de vos seins...
- Vou lamber seu corpo...
José estava acariciando e apertando apenas um lado da minha bunda, já que a outra mão seguia segurando meu queixo.
- Je lèche votre corps... – Tive que fazer um esforço enorme para me lembrar o que ele havia dito.
Quando a mão que segurava meu queixo correu para baixo e a mão que estava em minha bunda, tornou a subir, eu sabia que iria ser a minha perdição. Ambas as mãos pararam em cima dos meus seios e ficaram ali, imóveis.
- Depois de lamber todo o seu corpo, vou fazer você gozar em minha boca...
A voz de José estava completamente alterada. O tom suave tinha dado lugar ao tom grave e rouco de tesão. Sua ereção era uma rocha atrás de mim e eu era uma massa gelatinosa em suas mãos. Mãos essas que estavam em meus seios e me confundiam. Eu não sabia se suas mãos queriam me acariciar ou torturar, o que eu sabia é que eu não queria que parasse nunca.
- Você não repetiu o que eu falei. – José falou em meu ouvido e tirou as mãos dos meus seios. Minhas mãos que até agora estavam imóveis ao lado do meu corpo, trataram de agarrar as dele e as manter no lugar.
- Eu estava um pouco ocupada e não lembro a sua frase. – Respondi, dando uma pequena rebolada em seu membro.
- Oh, pequena sereia. Só diga o que eu te pedi – Então ele repetiu a frase pra mim.
Antes que eu pudesse traduzi-la para o francês, virei-me e fiquei de frente para José. Colando nossos peitos nus, pele contra pele, no caso seria mais a minha pele contra os pelos do peito dele. Eu rodeei seu pescoço com os braços e com um impulso, saltei, rodeei também sua cintura com minhas pernas. Ele me segurou com as duas mãos em minha bunda. Senti seu sorriso quando encostei meu rosto no seu para sussurrar em seu ouvido o que ele havia me pedido.
- Après avoir lècher votre corps tout entier, je vais vous faire foutre dans ma bouche... – E acrescentei rapidamente. – Ma joie gris!
 Não precisei dizer mais nada. José atacou meu pescoço e orelha até que virei meu rosto em sua direção e nossas bocas se conectaram. Nossas línguas duelaram para descobrir qual provava mais o gosto da outra. As mãos de José apertavam minha bunda com força e eu enterrava minhas mãos em seus cabelos e puxava com força também.
Eu não podia dizer se estávamos há um minuto ou há uma hora nos beijando quando José sentou-se na cama, ainda comigo no colo. Nós nos deitamos na cama sem separar nossas bocas um do outro. Tendo as mãos livres de me segurarem, José passou a percorrer meu corpo e a estimular cada terminação nervosa que existia em mim.
Nunca estive mais excitada em toda a minha vida, sem que o homem tivesse tocado entre minhas pernas. Nos poucos momentos de lucidez que eu tive enquanto beijava José, foi esse o meu pensamento: Assim que ele tocar o meu clitóris, eu vou explodir como fogos de artifício em noite de festa.
José testou todo o meu controle ao tocar minha virilha, mas não tocar diretamente onde eu queria. Ele testou todo o meu controle, quando sua boca rodeou meu mamilo e o sugou com força, me fazendo gritar. Um seio depois do outro, ambos foram devorados, lambidos, mordidos e principalmente chupados. Delirei.
- Agora, Ma joie gris. Eu preciso de você dentro de mim, Cher.
Em questão de milésimos de segundos, minha calcinha foi rasgada e a bermuda de José foi parar longe. Como eu estava por cima, eu poderia ter me encaixado facilmente, mas José nos virou e me colou sobre a cama, quando ele se levantou e caminhou até o criado mudo. Ouvi o barulho de uma gaveta sendo aberta. Ele estava pegando camisinha. Tive vontade de dizer para não se preocupar com uma possível gravidez, mas não o alertei.
Assim que ele caminhou de volta para a cama, pude ver o brilho da embalagem. Peguei de sua mão e fiz questão de eu mesma colocar. Antes de abrir a embalagem, porém, eu quis me aproveitar que estava sentada e ele em pé, para explorar um pouco seu corpo.
Com carinho, corri minha mão de baixo para cima, sem tocar em seu mastro. Quando cheguei na altura de seu peito, trouxe minhas mãos para baixo novamente, mas quando as baixei, minhas unhas deixaram um rastro em sua barriga até a base de seu órgão. Senti José ofegar com o arranhão e o ouvi gemer, quando agarrei seu membro entre minhas mãos.
Era um pênis incrível, não por seu tamanho, o pênis de José era incrível por sua textura aveludada e pela rigidez em que estava. Eu o acariciei lentamente. Com movimentos para cima e para baixo eu o excitei mais ainda e pude sentir quando as primeiras gotas de pré-sêmen surgiram e molharam a cabeça de seu pau. Ouvi José gemer quando, com o polegar, eu espalhei o liquido em toda a ponta de seu membro.
Saber o quão excitado ele estava, me deixou ainda mais excitada e tive vontade de provar seu sabor. Já que essa seria nossa única noite, eu queria tudo o que tinha direito. Então fiz o que queria e o coloquei na boca.
- Puta que pariu. – José gemeu alto. – Eu queria tanto estar olhando para você, enquanto me chupa. Essa é a fantasia que mais tem me feito gozar. Ver você de joelhos, me chupando.
Chupei ainda mais forte antes de responder.
- Adoraria realizar sua fantasia quando e onde você quiser. – Depois de falar isso, o coloquei na boca o máximo que pude e senti José segurar meus cabelos e forçar um pouco mais. Respirando pelo nariz, consegui pôr todo o pau de José na boca. Senti suas bolas em meu queixo e soube que tinha posto inteiro na boca. Movimentei minha língua em sua base.
- Porra, pequena. Eu vou gozar. Ou você para agora, ou vai ter que engolir. – José falou gemendo e começando um movimento de tirar e colocar em minha boca.
Ele me deu as opções. Eu decidiria o que queria, e eu decidi por ver aquele homem durão perder o controle. Eu decidi o levar em minha boca. Sendo assim, eu segurei sua bunda e o forcei para frente, para que estivesse todo enterrado em minha boca. José gemeu forte.
- Pequena. Você tem certeza? – Ele perguntou, tirando seu pau da minha boca até que sua cabeça estivesse em meus lábios. – Oh, Deus! Como eu queria ver isso.
- Acenda a luz. – Eu pedi. Ele mais que prontamente acendeu. Após um instante de adaptação a claridade, eu o chamei de volta. – Venha, Ma joie gris.  Quero continuar de onde parei.
Sorri e ele me olhou de uma maneira que me fez contorcer.
- Antes, pequena. Vou mudar um pouco as coisas de lugar. – Ele disse, enquanto caminhava ao meu encontro.
Quando parou na minha frente, eu já estava me colocando a postos para continuar de onde eu havia parado, aproveitando para dar uma conferida no corpo de José.
Com a luz acessa pude ver o corpo de José por completo e o que vi me deixou mais excitada ainda. José tinha um corpo lindo. Sua pele era bronzeada pelo trabalho, seu peito era recoberto por uma leve camada de pelos que seguiam seu caminho até chegar onde se levantava um membro ereto e firme. Alguns pelos em seu peito já eram grisalhos, mas seu corpo não demonstrava em nada sua idade. Seus braços possuíam músculos bem definidos, seu peito era firme, e se não fosse pela pequena barriga, que denunciava o quanto ele gostava de cerveja, sofá e futebol, seu corpo seria idêntico ao corpo de um garotão. Suas coxas eram grossas e fiquei completamente tentada a levantar e conferir como sua bunda era.
Antes que eu pudesse voltar a chupá-lo, ou levantar para ver sua bunda, José me empurrou em direção a cama e tombou sobre mim, entre minhas pernas.
- Seria maravilhoso gozar em sua pequena boca deliciosa, mas será divino quando eu gozar dentro de você. – E sem dizer mais nada, José me penetrou de uma só vez, me fazendo gritar de prazer, dor e surpresa. – Eu posso sentir o quanto você está encharcada. Sua vagina está me afogando. Isso é tão bom.
- Isso, Ma joie gris. Continua. – Eu me descontrolava entre uma estocada e outra.
Seu ritmo era forte e rápido, me levando ao delírio. Suas mãos uma hora se apoiavam na cama, outra seguravam meus cabelos, apertavam minhas coxas ou estimulavam ainda mais meus seios. José me atacava e excitava de todas as formas. Eu estava me perdendo e gritando cada vez mais alto. Meu orgasmo chegando cada vez mais perto.
– Oh, Mon Amour! Eu estou tão perto.
Minha frase pareceu um combustível jogado sobre o fogo. José intensificou ainda mais as investidas e eu estava cada vez mais perto do orgasmo.
- Eu estou sentindo você me apertando. Me ordenhando.
- Oh, Mon Die.
- Fala mais. Fala mais, pequena.
- Isso. Me fode. Mete mais forte. Mete tudo. – Se ele gostava de mulheres que falam durante o sexo, ele iria perceber que eu era uma boca suja de marca maior.
- Em francês, pequena...
- Cette. Baise-moi. Se renforce. Mettre le touttttttt...
Então, no fim da frase que eu mais tive dificuldade em me lembrar como se falava em outra língua, eu gozei.
- Caralho. Você está me apertando de uma forma que eu não vou aguentarrrrrrr... – José gemeu em meu ouvido e senti quando gozava dentro de mim. Tão fundo quanto era possível.
Seu liquido espeço e quente se derramou em meu interior e eu vi o instante exato em que José percebeu que havia esquecido a camisinha. Ele saltou de dentro de mim, deixando-me com a sensação de vazio onde ele estava até segundos atrás.
- Não precisa se desesperar. Não corro o risco de ficar grávida. – Falei um pouco irritada pela forma como ele conseguiu quebrar o clima em poucos segundos após um orgasmo tão espetacular e pela sua cara de arrependimento.
- Não se pode confiar cem por cento em pílulas. – Ele respondeu sem me olhar nos olhos. – Você sabe que elas não são infalíveis.
- Eu sei. Mas não precisa se preocupar. Eu tenho zero chances de ficar grávida. – Falei para ele ao me levantar e caminhar até seu banheiro, fechando a porta atrás de mim.
Eu nunca fui irresponsável com relação ao sexo. Por mais que eu esteja segura quanto a gravidez, nunca se sabe que tipo de doenças pode se pegar durante o sexo. Até mesmo o cara mais bonito do mundo, pode esconder uma doença ou ser portador sem nem ao menos saber. Então sempre preferi me prevenir. Porém com José, joguei toda a minha responsabilidade pela janela e acabei me colocando em risco e possivelmente, tendo que dar explicações do porque eu tinha tanta certeza de que não poderia ficar grávida.
Sem querer mais pensar nesse assunto, liguei o chuveiro e me enfiei embaixo do jato de água fria. Eu precisava acalmar meus nervos. Lavei meu corpo e quando estava mais calma, desliguei o chuveiro e tratei de me secar. Uma parte de mim, queria que José tivesse vindo atrás de mim no chuveiro e ensaboado minhas costas, quem sabe fizéssemos amor novamente ou apenas pudéssemos conversar enquanto eu o lavava também. Porém, eu sabia que ele não viria. Ele iria me dar espaço e não iria ser romântico nesse momento.
Ainda dentro do banheiro, vi quando José apagou a luz do quarto. Me apoiei na pia do banheiro e respirei fundo. Ele provavelmente já estaria se recriminando por ter cedido e transado comigo. Tentando inventar uma maneira de fingir que esse não foi o melhor sexo da minha vida. Como eu ia fazer para fingir que nada aconteceu, eu não sabia, mas sabia que ia erguer a cabeça e fazer tudo o que fosse possível para não enfraquecer na frente dele. Iria sorrir e concordar com o que ele propusesse. Afinal, era apenas uma noite e nada mais.
Lutando contra lágrimas que surgiram, lavei meu rosto na pia e foi então que vi pelo espelho as marcas em meu corpo. José até poderia fingir que nada aconteceu, mas eu e meu corpo teríamos marcas roxas por pelo menos uma semana, para nos lembrar do que se passou nesse quarto. No mínimo uma semana em que cada vez que eu visse uma das minhas marcas, iria relembrar de quem as deixou em meu corpo. Não tinha o que se fazer. Naquele momento só me restava encarar José e o eximir de qualquer culpa, afinal, havia sido eu quem o havia posto contra a parede para que passássemos essa noite juntos. Sexo feito. Ambos satisfeitos. Agora só restava seguir com a vida.
Ainda com a luz do banheiro acessa, abri a porta e olhei o quarto em busca do meu pijama. O encontrei caído aos pés da cama. Caminhei até ele e rapidamente o vesti. Vi que José estava sentado no meio da cama, encostado na cabeceira. Ele não falou nada, apenas me observou, enquanto eu me vestia. Voltei até o banheiro, apaguei a luz e segui as escuras em direção a porta. Assim que eu abri, uma fresta de luz se infiltrou no quarto e iluminou a cama. Olhei para José.
- Boa noite, José. – Eu disse alto somente o suficiente para ele me ouvir.
- Não vá. – José me respondeu.
- Era apenas uma noite, lembra? Eu preciso voltar para o sofá cama para que ninguém desconfie.
- A noite ainda não terminou.
- José, não...
- Apenas venha aqui e deite-se ao meu lado. Vamos fingir, pelo menos por algumas horas, que somos um casal comum. – Sua voz soava tão baixa que achei que estava imaginando. Então José se levantou da cama, e ainda nu, caminhou em minha direção, fechou a porta, pegou a minha mão e me levou para a cama.
Deitei e senti a cama se mover quando ele deitou e se aconchegou em minhas costas, passando um braço embaixo do meu pescoço e o outro braço rodeando minha cintura, me puxando ainda mais de encontro ao seu corpo.
- Me desculpe. – José sussurrou em meu ouvido. – Eu fui um idiota. Eu só não estou acostumado a perder o controle como aconteceu.
- Tudo bem. – Murmurei de volta.
Suspirei e me aconcheguei ainda mais em seu corpo. Era confortável dormir assim e fui ficando sonolenta.
- Ma joie gris, é melhor eu descer ou vou acabar dormindo aqui.
- Fica mais um pouco. Se você dormir, eu te levo lá para baixo.
Sorri ao perceber que ele queria que eu ficasse. Sorri ainda mais por saber que isso era o que nós dois queríamos. Eu queria aquele aconchego, aquela conchinha e queria sentir a respiração de José em minha nuca. Queria sentir os pelos de seu peito roçando minhas costas e suas pernas entrelaçadas as minhas. Pela primeira vez em muitos anos, eu queria um relacionamento estável com alguém. Saber disso tirou meu sorriso, pois o homem que estava me fazendo desejar ter um relacionamento, era justamente aquele que me disse que não seria mais do que uma noite.
Todo o sono que eu sentia foi embora ao constatar que eu estava desejando o impossível. Sendo assim, fiquei acordada e aguardei o sol nascer e aquela noite acabar. Em algum momento, senti que o braço de José que estava em minha cintura ficou mais pesado e sua respiração mais tranquila. José tinha dormido.
Então lentamente, virei meu corpo e repousei minha cabeça em seu ombro, assim eu poderia ficar olhando para ele. Essa seria nossa primeira e única noite, eu deveria aproveitar cada segundo, e foi isso que eu fiz. Acariciei seu peito, seu rosto, senti sua leve barba, tracei o contorno de sua boca, sobrancelhas e corri minhas mãos pelos seus braços e barriga. Olhei cada centímetro dele e o memorizei. Já que essa seria a nossa única noite, queria levar gravado na memória cada pedacinho de José comigo.
Foi acariciando ele, que vi o primeiro raio de sol surgir pela janela. Tentando não acordá-lo, sai de sua cama e rabisquei um bilhete para deixar em meu lugar.

“Obrigada pela noite maravilhosa, Ma joie gris! Foi uma noite inesquecível! Beijos da sua Pequena!”

Deixei o bilhete em meu lugar, dei um último beijo em sua boca e sai do seu quarto. Uma parte de mim estava saltitando pelo sexo maravilhoso, mas outra parte de mim, uma parte maior, estava lamentando ter que deixar aquele quarto. Mesmo que eu quisesse ficar, eu não poderia. O combinado era apenas uma noite e eu sempre fui uma mulher de cumprir o combinado.
Caminhei lentamente até a escada, tentando não fazer barulho e chamar a atenção para o fato de que eu estava descendo as escadas ao invés de estar no sofá cama na sala. Porém foi inútil, já que encontrei Anne saindo da cozinha, enquanto eu terminava de descer as escadas.
– Pelo visto deu formiga na tua cama. – Provoquei – Que horas são?
– Cinco e meia; Estou grávida, sinto mais fome que o normal. Além disso, ganhei um presente de natal muito bom, que abriu meu apetite.
– É mesmo? Posso perguntar o que foi?
Ela abriu a parte de cima do roupão que estava usando e me mostrou um sutiã roxo lindo.
– Hummmm. Victoria Secret? Bom gosto. Vou dar os parabéns ao Tiago.
– O mais engraçado é que comprei um conjunto de espartilho e meias sete oitavos que planejava usar hoje, mas tive que adiar para dar preferência para um presente vindo direto de Nova Iorque.
– Seus pervertidos. – Dei risada. - Não me surpreende que estejam esperando gêmeos. Vocês não podem se ver que já pulam em cima um do outro.
– Culpa dos hormônios da gravidez. – Anne se defendeu.
– Acredito. – Respondi rindo e me servindo de uma caneca de café. – Pelo visto não vou dormir mesmo.
– Vocês falam alto demais. – Deb apareceu sorrindo na porta da cozinha. – Já me basta os barulhos do quarto ao lado do meu.
As duas me olharam. Dei de ombros antes de responder.
– O que posso fazer? Sempre gostei do Natal. O bom velhinho foi muuuuuito bom comigo esse ano.

Em meio a uma cozinha, canecas de café e o nascer do sol, nós três caímos no riso, sabendo muito bem de qual bom velhinho eu estava falando. O que só eu sabia, era que eu tinha gostado tanto do meu presente que queria que o natal não acabasse tão cedo. Assim como as crianças, eu queria que fosse natal todos os dias, mas o sol já havia nascido e a minha noite de natal estava definitivamente terminada. A partir daquele momento, só me restavam as lembranças.

*~*~*

Beijinhos!
Carol Paim & Sheila Bomfim

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