Oito meses atrás
- Meus pés estão me matando. – Eu disse para Deb, enquanto
tirava meus sapatos de dança.
- Os meus também – Respondeu ela, enquanto massageava os
dedos dos pés
Nós havíamos acabado nossos turnos na academia onde sou
professora de dança de salão e ela é instrutora de pilates. Eu havia trabalhado
doze horas, desde às cinco da manhã, em cima de um sapato de dança com um salto
de cinco centímetros. Tudo que queria era ficar de molho na minha banheira,
tomando um vinho tinto e ouvindo uma música bem relaxante.
Como querer não é poder, hoje eu tinha um compromisso. Tinha uma apresentação de dança em uma festa de lançamento de um condomínio de
alto nível.
Meu momento relax teria que ficar para outra oportunidade.
- Onde é sua apresentação de hoje? – Perguntou Deb.
- É em uma festa lá de Jurerê. – Respondi, já calçando meus
tênis para fazer minha bateria de exercícios. – Deb, você bem que poderia vir
comigo né!? Vai ser uma apresentação de tango, no máximo meia hora e estaremos
indo embora. Podemos tomar um chopp depois. Afinal, hoje é sábado.
Deb era uma das minhas melhores amigas. Eu a conheci há cerca
de cinco anos, quando trabalhamos juntas em outra academia, quando ela saiu de
lá e veio trabalhar na Forma e Corpo Academia, acabamos nos distanciando, mas
quando surgiu uma vaga para trabalhar aqui, ela me ligou e me apresentou ao
casal que é dono do local. Conversamos, acertamos as questões praticas e há
três anos estou aqui.
- Anne, eu adoraria. – Disse ela mais animada. – Bem que eu
estou merecendo um chopp gelado para relaxar. Que horas e onde a gente se
encontra?
- A apresentação é em Jurerê Internacional às 23 horas,
então vou fazer minha aula de ioga e vou para casa me arrumar. – Verifiquei o
horário no meu relógio, cinco e quarenta da tarde. Ótimo,
dará tempo para tomar um belo banho, pensei – Passo na sua casa perto das dez
da noite, pode ser?
Deb mora no centro da cidade, enquanto eu moro no
continente, ou seja é caminho para quem está indo para o norte da ilha.
- Fechado. Te espero. – Ela me respondeu, quando eu
levantava para sair do vestiário, ir me alongar e depois fazer uma hora de
Ioga. Tudo por um corpo bonito e saudável. Exatamente uma hora depois do início
da minha aula, estou entrando no meu carro e indo para casa.
Eu moro em um bairro muito agradável, o Balneário do
Estreito. Apesar de movimentado pela grande concentração de comercio e por ser caminho
para outras cidades da Grande Florianópolis, ele tem uma grande área formada
basicamente de residências e é lá que eu moro.
Quando comprei meu terreno, as únicas coisas se viam era um
muro todo quebrado, um mato muito alto e uma casa de madeira caindo aos
pedaços. Demorou cerca de dois anos para que eu e meu pai conseguíssemos
deixá-la como esta hoje.
Mesmo sendo noite, eu sinto um orgulho imenso quando vejo
minha casa. Comprada com o suor do meu trabalho. Hoje ela tem um muro alto
recoberto por trepadeiras, mas a verdadeira mágica esta quando passamos pelo
portão eletrônico. A casa é em estilo alemão que mais parece um chalé de contos
de fadas. Como meu pai é dono de uma madeireira, reformamos toda ela com
madeira tratada, e meu pai fez questão de trabalhar sozinho para restaurar a
nossa casa. Para mim, ficou a função de revitalizar o quintal e a área da
churrasqueira.
Jardinagem é um dos meus hobbies e por isso me empenhei
tanto nesta empreitada. Eu utilizei cerca viva e pés de mini azaléias para margear
o caminho que leva ate a porta da frente, em frente aos muros e ao redor do
quintal onde as trepadeiras não haviam chego, plantei bambuzas ornamentais.
Como nosso quintal era bem grande, havia bastante espaço para termos uma horta,
uma mangueira, um pé de pitanga e outro de romã. Dentre todos os lugares da
casa, o que eu mais gostava, era o canto onde havia dois pés de eucalipto.
Abaixo das arvores eu coloquei um balanço no estilo namoradeira com futons e
almofadas. Meu lugar predileto para pensar, ler e relaxar olhando as estrelas,
mas agora eu não tenho tempo para aproveitar.
Entrando em casa, subo as escadas para o sótão, que é onde
fica meu quarto. Quando entro no mesmo, ao invés de ir para minha cama de casal
e dormir, como eu gostaria, fui direto para o banheiro tomar banho e fazer a
manutenção da depilação. Porque nunca se sabe o que vai acontecer em uma noite
de chopp e amigos.
Após o banho, visto uma calca jeans escura e justa, uma
camiseta branca com estampa da logomarca da Jack Daniels e um All Star preto.
Como meu cabelo ainda está molhado, deixo-o solto. Pego na cama a bolsa com as
coisas que preciso para a apresentação, e no guarda roupa o vestido vermelho,
justíssimo e com uma fenda enorme que vou utilizar hoje à noite.
Passo para pegar Deb
e seguimos para Jurerê, chegamos no local do evento às 22h. A inauguração do
condomínio residencial era uma festa com temas referentes a argentina, uma vez
que a cidade era reduto dos Hermanos em férias.
Quando chego, reparo que Diego já está me esperando.
- Olá querido. – Eu digo, dando um tapinha em seu ombro e o
ajudando a se abaixar para alongar a coluna.
- Oi delicia. – Respondeu animado. – Você está atrasada.
Como sempre.
- Não estou atrasada. O show só começa as 23h e além disso,
eu passei pra pegar a Deb. – Respondi enquanto começava a me arrumar em nosso
camarim improvisado no salão de festas do condomínio.
- E cadê ela? – Pergunta ele, agora alongando os braços.
- O que você acha? Caçando algum bofe lindo pela festa.
Tenho até dó deles, não terão chance contra uma loiraça de vestido vermelho e
saltos enormes. – Eu respondi, já imaginando a fila de homens que estarão aos
pés da Deb até o fim da noite.
Começo a tirar minha roupa para vestir a meia calça e o
body que uso por baixo do vestido de apresentação. Quando estou tirando minha
calca, ouço Diego assobiar e dizer: - Assim você me mata. - Sorrio e dou uma
piscadinha para ele.
Diego é meu partner a mais ou menos quatro anos e nos damos
muito bem. Eu e Diego temos algo que poderia ser chamado de envolvimento, eu só
não diria que é amoroso, pois é mais sexual. Tesão em níveis elevadíssimos. É
impossível alguém estar ao lado de um negro de 1,80cm, olhos castanhos cor de
mel, lábios grossos e suculentos, muito cheiroso e dono de um carisma e uma
lábia irresistível, sem desejá-lo. Ter tudo isso em minhas mãos por várias
horas por semana, durante os nossos ensaios e não ser tentada a ir para a cama
com ele, era uma missão impossível.
É claro que acabei indo, e não fui apenas uma vez. Ele é
incrível entre quatro paredes. Do jeito que eu gosto. Forte e decidido. Só que
há um mês, nós tivemos uma conversa e decidimos dar um tempo nas nossas transas
ocasionais, porque mesmo sem termos cobranças ou obrigações um com o outro,
algo me dizia que estava na hora de eu abrir mão do meu P.A. (pau amigo)
favorito.
Depois de por minha meia calça e meu body, começo a me
alongar. Como sempre, Diego vem me ajudar e passa mais tempo se esfregando em
mim, do que me ajudando nos exercícios.
- O que você acha de darmos umazinha antes do show. –
Perguntou ele ao pé do meu ouvido.
- Claro... – Respondo, fazendo-o sorrir. –...que não.
- Você é muito má. Eu estou aqui, todo duro de ti ver
alongar desta forma. Vamos lá, Anne. – Ele diz enquanto cola seu corpo no meu.
Ele realmente não está mentindo quando diz que está todo duro.
- Amado, você sabe que não vamos mais transar. Nós já... –
Não consigo continuar a falar quando ele começa a beijar meu pescoço e o lóbulo
da minha orelha.
- Eu sei que você quer. – Ele sussurra baixo e rouco na
minha orelha. Ele não está errado. Lembro-me da primeira vez que dormimos
juntos e que acordei no dia seguinte, de conchinha e com ele me dando bom dia
com a boca colada a minha orelha, a voz rouca e sonolenta, mas de sonolento só
havia o tom da voz, pois ele estava bem acordado e pronto para mais sexo forte
e quente.
“Só que eu não devo
mais transar com ele”. Tento me
convencer.
-Não Digu, não devemos. Faz três anos que estamos nisso. Está
na hora de seguirmos nossas vidas. – Eu soei mais forte e determinada do que eu
achei que conseguiria.
Ele não gostou muito, mas também não disse mais nada.
Continuei me alongando e quarenta minutos depois estou
pronta para começarmos nossa apresentação. Já estou com meu vestido, sandália
de salto com quinze centímetros de altura, maquiagem impecável e meus longos e
cacheados cabelos castanhos, presos em um coque alto como pede o figurino.
Enquanto retoco meu batom, pelo canto do olho, vejo que Diego ainda está
enrolado com a gravata e acho que e hora de voltarmos a nos falar.
- Quem estava atrasada. – Perguntei sorrindo e me
aproximando dele. – Deixe que eu arrume sua gravata.
Quando colo meu corpo mais que o necessário para arrumar
sua gravata, ele faz uma careta.
- Digu, - Começo a falar delicadamente, utilizando o seu
apelido carinhoso. – Você sabe que te adoro e odeio quando discutimos né?!
Um sorriso triste aparece nos generosos lábios, eu vejo que
ele não estava magoado comigo, apenas frustrado.
- Se você soubesse o tesão que tenho em você, não ficaria
colada no meu corpo desta forma. – Ele passa uma de suas mãos enormes na minha
bunda e dá um tapinha de leve.
Solto uma gargalhada e retribuo o tapa em seu peito, quando
me afasto e vou verificar o meu batom vermelho.
Cinco minutos depois o assistente do organizador bate em
nossa porta para avisar que está tudo pronto. É hora do show. Damos nosso
selinho de boa sorte, como de costume, e saímos de braços dado.
Quando chegamos ao jardim, que era o local da festa, mal
tenho tempo de piscar para Deb, que estava conversando e rindo com alguns
rapazes. O assistente nos indica o onde devemos esperar até que sejamos
anunciados. Aproveito esses instantes para dar uma espiada na festa. Ela ficou
impecavelmente decorada. Há muitas mesas distribuídas ao redor da pista de dança
e muita gente, visivelmente de classe alta, todos conversando e tomando
champagne que é servida pelos garçons uniformizados.
- Agora teremos uma belíssima apresentação de dança, que
irá encantar seus olhos. – Ouço o apresentador do evento anunciar nossa
entrada. – Com vocês, nossos dançarinos de tango. Diego e Annelise.
Diego pega em minha mão e caminhamos até o centro da pista,
nos colocamos em posição, dando início a nossa coreografia ensaiada ao som de El Día Que Me Quieras, na voz de Carlos
Gardel. Já nos primeiros acordes, desligo-me do restante do mundo e me
concentro apenas nos passos, nos braços de Diego e no papel que a música pede.
Uma música que fala sobre o que irá acontecer quando a pessoa amada retribuir o
sentimento.
“...El día que me quieras
La rosa que engalana,
Se vestirá de fiesta
Com su mejor color.
Y al viento lãs campanas
Dirán que ya eres mia,
Y locas las fontanas
Se contarán su amor...”
“...No dia que me quiseres
A rosa que enfeita,
Se vestirá de festa
Com sua melhor cor.
E ao vento os sinos
Dirão que és minha,
E loucas as fontes
Contarão teu amor...”
Durante a coreografia, executamos um passo onde nos guiamos
ao redor da pista de dança, passando bem próximo ao público. Neste instante,
toda a minha concentração foi por água abaixo e acabei errando o passo. Não foi
um erro grotesco, mas Diego percebendo meu erro e meu rosto pálido, sussurrou
ao meu ouvido, me perguntando se eu estava bem, ao que respondi um breve "Sim".
Eu não posso ter
visto o que acho que vi. Olhos verdes são comuns e eu já os confundi milhares
de vezes antes. Pensei, tentando me convencer e me concentrar novamente. Só que nunca foram tão parecidos e nunca
senti esse frio na espinha.
Ainda bem que a música estava acabando e como fomos
contratados para apenas esta apresentação, estaremos dispensados tão logo
recebamos o pagamento.
- Vamos? – Perguntei, tentando soar tranquila, mas falhando
miseravelmente.
- Claro, mas me diga o que está acontecendo. O que você
tem? – Diego me perguntou preocupado.
- Nada só estou cansada e louca para relaxar, tomar um
chopp bem gelado e depois ir para casa.
Não era inteiramente mentira, eu realmente queria sair
dali.
- Vamos embora então. Cadê a Deb? – Ele perguntou, olhando
em volta a procurar por dela.
- Aposto um chopp como ela está em algum canto se agarrando
com alguns desses engravatadinhos. – Respondi, enquanto caminhava pelo jardim
em direção ao salão de festas para tirar aquela roupa.
- Vamos, Digu. Assim que eu tirar essa roupa e essa
maquiagem, ligo pra ela. Isso vai dar tempo dela terminar o que está fazendo.
- Certo. – Ele concordou e continuou caminhando ao meu
lado. – Para onde vamos na hora que saímos daqui? Vocês querem ir só tomar um
chopp ou querem ir a um lugar com showzinho também?
- Acho que podemos ter o melhor dos dois mundos, chopp
gelado e música boa. Eu estou merecendo isso, depois de hoje. Só para relaxar.
– Respondi.
Seguimos o caminho conversando sobre locais mais legais
para irmos, até que chegamos à porta do salão de festas e deparamos com Deb se agarrando
com um engravatadinho muito bonito.
- Desse jeito você vai engolir o rapaz, Deb. – Diego
brincou quando passamos pela porta ao lado deles.
- Diego sendo o mais discreto possível. – Brinquei, sendo
obrigada a sorrir, pois o acompanhante da Deb corou tanto por ter sido pego no
flagra, que mais parecia um pimentão gigante.
- Anne, meu bem. – Deb começou a falar, mas não precisava,
eu já sabia o que ia acontecer. – Você se importa se eu não sair com vocês?
- Claro que não. Eu te liberto do fardo de sair com uma
amiga chata e um amigo ‘zé graça’.
- Jura que você não fica chateada? É que... – Ela olhou entre eu e o belo rapaz e
encolheu os ombros. Eu sabia o que ela queria dizer com aquilo. Entre uma saída
com os amigos e um cara gostoso que fazia o sangue ferver e parecia saber o que
fazer entre quatro paredes, eu também mandaria minha amiga passear sozinha.
-Não fico chateada. Na verdade, estou começando a pensar em
ir para casa e descansar. O dia foi longo e cansativo.
-Nem pensar. Você vai sair comigo. – Disse Diego, me
abraçando pela cintura. – Pode ficar tranqüila, Deb. Eu cuido dela. Vou levá-la
para tomar alguns chopps, até ela ficar facinha. Ai vamos aproveitar um pouco.
- Agora fico mais tranquila. Sei que vou deixá-la em boas
mãos. – Disse Deb, piscando pra mim.
Boas mãos? Essas mãos
fazem você conhecer o paraíso com apenas uma meia dúzia de toques. Pensei,
mas não disse em voz alta. Apenas sorri e dei um revirar de olhos para Deb.
Ele estava tão colado a mim que eu conseguia sentir seu
batimento cardíaco nas minhas costas. Nos poucos minutos que ficamos
conversando com Deb e Carlos (o engravatadinho), Diego vinha e dava fungadas no
meu pescoço, mordia minha orelha ou ficava sussurrando em meu ouvido.
- Vamos tomar um vinho lá na minha casa? – Diego cochichou
no meu ouvido, fazendo os pelos do meu braço se arrepiar pela milésima vez.
- Pare Digu, nós já conversamos sobre isso. Não vai rolar.
– Respondi, mesmo estando morrendo de vontade de ceder.
- Vamos fazer um encerramento como se deve. Com tudo o que
temos direito. – Ele disse, enquanto dava beijos molhados na curva do meu
pescoço. – Eu sei que você também quer. Dá pra sentir a pulsação acelerada.
Vamos lá Anne.
Suspirei, sabia que se continuasse com esses beijos e essa
conversinha fiada, eu não resistiria por muito tempo. Ele sabia o que fazer
para eu ceder. Eu tinha que ser muito forte se quisesse manter minha palavra de
não transar mais com ele.
- Vamos trocar de roupa, tomar um chopp e quem sabe o que
pode acontecer depois? Quem sabe podemos ter uma noite maravilhosa juntos... Ou
separados... – Eu disse, não dando certeza, mas sem descartá-lo também.
Dei um selinho molhado, sai rebolando e dei um tchau para Deb
e Carlos, pedindo para ela me ligar amanhã para marcarmos de ir para a praia.
Não preciso de bola de cristal para saber que Diego vem
logo atrás de mim, na esperança de me pegar sozinha no nosso camarim
improvisado. Mesmo sabendo que ele estará aqui em menos de cinco segundo,
excitado e totalmente voraz, começo a tirar a roupa da apresentação no banheiro
do salão de festas. Depois de tirar as sandálias, o vestido e o body, estou
apenas de meia calça, calcinha e sutiã, Diego entra no banheiro com um olhar
predador.
Ok, resistir à tentação não é uma das minhas qualidades.
Não consigo resistir nem a um pedaço de bolo, quem dirá a um homem desse
tamanho.
- Coloca as sandálias. – Ele manda com uma voz autoritária
e rouca de tesão.
Não resisto aquela voz de comando dele. Já estou quente e
desejando ele.
Por mais que eu tenha decidido não transar mais com ele,
Diego é um dos poucos homens que sabem me fazer ir à loucura. Voz de comando,
pegada forte e desejo arrebatador me fazem perder o juízo.
Não fui sempre assim, já fui do tipo que quis sexo
romântico, mas isso aconteceu apenas uma vez. Depois desta primeira e única
vez, nunca mais eu consegui ser romântica, calma e pacífica na cama. Sexo no
estilo amoroso não é mais comigo. Agora eu me entrego ao desejo carnal em suas
mais variadas formas. Sem regras, nem tabus e muito menos promessas que podem
te ferir e magoar por não serem cumpridas.
Termino de calçar as sandálias, ficando quase na mesma
altura dele. Vendo o olhar dele passando pelo meu corpo, o desejo vem com força
total. Sem pensar muito, vou pra cima dele e em meio a beijos tórridos, tiro
sua camisa e sua calça.
Quando ele está apenas de cueca, viro-me para trancar a
porta do banheiro e sou pressionada contra ela. Diego segura meu cabelo, dando
uma volta com ele em sua mão e beijando meu pescoço, ele utiliza sua outra mão
para abrir o fecho do meu sutiã.
Eu estou com as mãos espalmadas contra a porta, as retiro
dali apenas para ajudá-lo a jogar meu sutiã no chão. Imediatamente sinto sua
mão massagear meu seio, que se enrijece imediatamente, fazendo o bico do seio
saltar na mão habilidosa de Diego.
Neste momento, já
estou em chamas e esfregando minha bunda contra o volume em sua cueca. Quase
implorando. Só que ele não tem pressa, continua a beijar meu pescoço e quando
solta meu cabelo, é para passar a massagear meus dois seios ao mesmo tempo,
pressionando ainda mais seu corpo contra o meu. Sinto seu corpo quente nas
minhas costas e o material frio da porta de alumínio à minha frente. Isso está
me deixando louca.
Sinto uma necessidade de fazê-lo se apressar, por isso levo
uma das minhas mãos para trás, em direção ao membro duro em sua cueca e começo
a acariciá-lo por cima do tecido. Como que sendo incentivado pelo meu gesto,
Diego retira as mãos dos meus seios e começa a percorrer o meu corpo, passando
as duas mãos pela minha barriga, e quando acho que ele vai descer mais a mão,
até onde eu preciso que ele toque, ele me virá para ficar de frente com ele.
Com uma pegada que só ele tem, me ergue e me põe encostada
contra a porta. Passo minhas pernas em sua cintura e sinto seu pau pressionar
entre minhas pernas e meus seios sendo esmagados por seu peito, enquanto ele me
beija com ferocidade, mordendo meu lábio, meu queixo, meu pescoço até que
abocanha meu mamilo e sinto minha cabeça tombar para trás e meu corpo se
inclinar em sua direção, para lhe dar um acesso melhor.
Senti-lo sugando, mordendo, beijando e depois voltando a
sugar, morder e beijar meu seio, está quase me fazendo gritar e implorar para
que ele me penetre ali, daquela forma, porém a vontade de gritar e implorar se
multiplica por mil, quando sinto ele retirar uma das mãos que estavam segurando
minha bunda e trazê-la para frente e começar a esfregar entre minhas pernas por
cima da minha meia e da minha calcinha.
Diego é especialista em me fazer ir ao paraíso utilizando
as mãos. Ele só tem um problema, gosta de brincar comigo, me fazendo chegar
próximo ao orgasmo e depois parando bem na hora. No começo isso irrita, mas
quando finalmente gozo, é uma coisa de outro mundo.
- Por favor, Diego. Não pare. – Imploro, sem nenhum pudor.
Quando o sinto retirar a mão e colocá-la por dentro da
minha calcinha, alcançando meu clitóris, sinto que todo meu corpo vibra de
prazer e começo a me esfregar nele. Não sei quem está gemendo, se sou eu ou
ele, só sei que nós dois estamos atracados em um beijo de tirar o fôlego, eu
com minhas mãos em suas costas, hora arranhando, hora o puxando para mais perto
e ele com uma mão entre minhas pernas, o corpo todos pressionado contra o meu e
a outra mão saiu da minha bunda e foi em direção ao meu cabelo, segurando firme
e forçando meu rosto para cima, para beijá-lo ainda mais profundamente. Como se
isso fosse possível.
- Confesse que ninguém te fode tão gostoso quanto eu. – Ele
disse, ainda segurando meu cabelo e massageando meu clitóris.
Adoro quando ele fala assim, de maneira chula. Nada de eu te amo ou de eu vou te amar para sempre. Gosto de linguagem baixa e suja.
- Confesse Anne, ou vou parar por aqui. - Ele disse, já
tirando a mão de dentro da minha calcinha.
- Você não seria louco. – Respondi com a voz tremula de
desejo, enquanto cravava minhas unhas em suas costas. – Ok, eu confesso. Só
você me faz ficar assim e nossas fodas são incríveis.
Naquele momento eu falaria qualquer coisa só para ele
continuar o que estava fazendo e apesar de não ser totalmente mentira, também
não era totalmente verdade, mas o que importava era que ele havia voltado com a
mão para dentro da minha calcinha e agora estava massageando com mais ardor.
Até que o senti penetrar dois dedos em mim e o que estava bom, ficou
maravilhoso. Ele penetrava seus dedos profundamente e com a palma de sua mão
massageava a parte externa da minha vagina.
- Ai, meu Deus. Isso é maravilhoso. – Eu meio gemi, meio
murmurei.
Já estava sentindo os tremores que anunciavam um orgasmo
incrível se formar, quando de repente alguém bate à porta. Bater não, a pessoa
estava tentando derrubar a porta com pancadas. Eu quase caio com o pulo que dei
no colo do Diego, a sorte que ele me segurou, cravando seus dedos mais fundos
em minha vagina, a outra mão me segurando pela nuca e colando meu corpo mais
ainda contra a porta.
- Quem será? Será que o filho da puta não está ouvindo você
gemer e não percebeu que estou te comendo? – Sussurrou Diego, ficando irritado
pela interrupção, mas sem parar de movimentar seus dedos e sua mão entre minhas
pernas.
- Só um minuto. – Eu gritei para quem quer que fosse. Minha
voz saiu tão rouca que quase não me reconheci. Mesmo com o susto, Diego ainda
estava me excitando ao ponto de eu sentir que o orgasmo se aproximava. A pessoa
que se danasse, iria esperar. Primeiro eu iria gozar, depois iria ver quem era.
Eu não ia embora frustrada por causa de algum palhaço intrometido.
- Continua, preciso gozar. O filho da puta que espere. –
Sussurrei no ouvido do Diego, e aproveitei para lamber e morder o lóbulo da sua
orelha, o incentivando a continuar.
Não precisei insistir muito para que ele retomasse o pique
e voltasse da onde paramos. Quando eu estava quase lá, ele parou, retirou a mão
do meio das minhas pernas e sussurro no meu ouvido.
- Eu quero você com as mãos apoiadas na tampa da privada,
as pernas bem abertas e não quero nenhum gemido. Vou te foder forte e não quero
ninguém se punhetando enquanto te ouve gemer e gozar no meu pau.
Ele não precisou falar duas vezes, senti a umidade entre as
minhas pernas triplicar como sempre acontecia quando ele me dava ordens desse
jeito, com essa forma de falar e me mandava ficar nesta posição.
Enquanto eu me apoiava como ele havia mandado, ouvi ele
rasgar o pacote de preservativo e tive que esperar alguns segundos antes dele
se aproximar de mim.
Lembrei-me de uma conversa que tivemos na cama, após
transarmos no apartamento dele, quando perguntei se ele já havia medido o pau
dele. Ele riu e disse que isso era quase que obrigatório para os meninos. Todos
faziam isso quando adolescente. É obvio que não contive a curiosidade e
perguntei quanto media, já que eu só sabia que mesmo eu segurando com as duas
mãos fechadas em volta do seu comprimento, a cabecinha fica pra fora das minhas
mãos, ou seja, era muito grande. Isso sem contar a grossura. Enquanto ele ouvia
minha descrição de como eu media um pênis, ele ria e me confessou que quando
tinha uns dezesseis anos, usou a fita métrica da mãe dele para medir o
comprimento e a grossura enquanto se masturbava no banho. Vinte e quatro
centímetros de comprimento por cinco centímetros de largura. Ele realmente era
um negro bem dotado.
Agora, enquanto eu aguardava ele vir me pegar por trás, a
única coisa que eu pensava era o que aquele tamanho todo faria comigo. Quando
ameacei me mexer para baixar minha meia calça e minha calcinha, ele segurou
minha mão e a colocou de volta na tampa da privada.
- Eu faço isso. – Ele disse.
Achei que ele fosse abaixar minha
meia calça, santa inocência a minha. Só tive tempo de ouvi-lo rasgá-la de cima a
baixo das minhas coxas. Naquele momento, eu estava de sandálias de salto 15cm,
meia calça destruída, com uma calcinha fio dental sendo posta de lado, sem
sutiã, com os cabelos soltos caindo pelos meus ombros e com a bunda empinada e
totalmente exposta para ele, devido a posição em que eu estava.
- Se você soubesse o tesão que me dá
te ver assim. O quão linda é a visão que tenho daqui. – Ele disse, parado atrás
de mim, enquanto acariciava minha bunda e minhas coxas. Quando ele penetrou
dois dedos em minha vagina, gemi de prazer. – Você está sempre tão molhada e
gostosa. Quando eu meter meu pau em você, não serei delicado. Vai ser forte e
rápido, então quero que me diga se está pronta, ou se quer que eu te masturbe
mais. O que você quer, Anne?
Ele estava falando e me fodendo com
os dedos. Só de ouvi-lo dizer o que faria comigo, gemi e me contorci em seus
dedos.
- Mete. – Pedi, sem forças para
dizer mais nada, porém, não foi preciso. Ele entendeu, tirou os dedos e logo
senti seu membro na entrada da minha vagina. Mesmo
tentando segurar o grito, como ele havia pedido, nesta primeira estocada, não
resisti. Gritei pelo prazer e pela sensação de ser completamente preenchida de
uma vez só.
Quando meu corpo já havia se
adaptado ao seu comprimento e largura, ele cumpriu o que disse, ele estava
fodendo forte e rápido, tanto que tive que me segurar na parede atrás da
privada para poder me equilibrar. Estava tão bom que não demorou muito para eu
gozar incrivelmente. Enquanto meu corpo se contraia em volta do membro do
Diego, ele sussurrou:
- Veja como é maravilhoso quando
estamos juntos, Anne. Como nossos corpos se encaixam e respondem um ao outro. –
Ele gemeu, senti seu membro ficar mais rígido. Ele estava prestes a gozar
também. – Diga que essa não será nossa última vez, Anne. Diga, por favor.
Eu não respondi.
Quando estávamos os dois satisfeitos
e exauridos, ele me abraçou por trás e ficou com o queixo apoiado em meu ombro.
- Você não pode me privar disso
Anne, não é justo. – Ele falou depois de algum tempo em silêncio. – Você não é
só linda, espirituosa e super quente na hora do sexo. Você é a única mulher que
me faz querer ter algo sério e com direito a exclusividade. Diz Anne, diz que
namora comigo. Namorar de verdade, com direito a pedir autorização para seu
pai.
-Só de pensar em você indo pedir
minha mão em namoro para o meu pai, já me dá vontade de rir, Diego. – Respondi,
tentando aliviar o clima. – Querido, eu tenho vinte e oito anos, não preciso
mais da autorização do meu pai para nada e sou responsável o suficiente para
saber que o que você quer, não é namorar comigo e sim uma garota gostosa
disponível a transar com você sempre que der vontade.
- Eu não quero uma garota, eu quero a
garota. – Ele disse, me virando e colocando de frente para ele. – Presta
atenção, Anne. Eu falo sério quando digo que não quero perder o que temos, e
não estou falando apenas do sexo, estou falando do todo. Nós nos completamos,
somos perfeitos um para o outro.
- Desculpa Digu. – Comecei a responder, enquanto saia de
perto dele e ficava de frente para a pia do banheiro. – Não sou perfeita para
você e nem para ninguém. Não sou, não fui e não serei. Quando começamos a ficar
juntos, eu deixei bem claro que não iria me envolver e não iria ter qualquer
outra relação com você que não fosse profissional ou sexual, nunca romântica.
Eu sabia que estava estragando o momento que passamos
juntos, sabia que ele ficaria com o orgulho ferido, mas não poderia e não iria
dar esperanças para ele.
Sem promessas, sem mágoas. Esse era o meu lema.
Sem falar mais nada, ele tirou a camisinha, amarrou, jogou
no lixo e começou a se vestir e saiu do banheiro, me deixando sozinha para me
arrumar e para pensar em todas as feridas que eu carregava e faziam de mim essa
criatura incapaz de me envolver de verdade com qualquer homem.
Quando já estava pronta e vestida com a roupa que cheguei,
sai do banheiro e encontrei Diego parado na porta, de costas pra mim.
- O envelope em cima da mesa é para você e o presente
também. – Disse ele com uma voz séria e distante. – Acho que realmente gostaram
da nossa apresentação, pagaram até mais do que o combinado.
Peguei o envelope branco onde tinha um cheque nominal
substancial. Vi o valor e conferi meu nome depois deixei o envelope de lado
para abrir um presente que também estava sobre a mesa. Era uma caixa quadrada,
de tamanho médio e leve. Abri o embrulho para presente e me deparei com uma
caixa de um smartphone de última geração com um breve bilhete colado. Nada
mais, apenas a frase “ligue o celular”.
Foi o que fiz.
Quando liguei, havia uma foto minha dançando com Diego como
papel de parede do celular.
- Essa foto foi batida durante a apresentação. – Disse mais
para mim do que para Diego que já vinha em minha direção para ver o que era o
presente.
- Quem te deu isso? – Ele perguntou curioso.
- Não sei, não tem nome em lugar nenhum. – Respondi na
mesma hora que o celular vibrou e emitiu um bipe avisando a chegada de uma
mensagem. Quase gritei de susto.
- O que diz a mensagem? – Diego perguntou na mesma hora em
que eu começava a ler o trecho da música do Roberto Carlos.
“... Eu
voltei,
Agora para
ficar
Porque aqui,
Aqui é o meu
lugar.
Eu voltei
Para as
coisas que eu deixei
Eu voltei...”
Pela segunda vez essa noite, senti aquele frio na espinha.
Aquele frio que não sinto a mais de 12 anos. Primeiro os olhos verdes e agora
isso? Devo estar muito estressada.
- Quem te mandaria um trecho de uma música? Algum ex
tentando uma reaproximação? – Percebi pelo tom de voz do Diego, que ele estava
querendo saber se havia alguém na minha vida da forma que eu sempre disse que
não existia.
- Não faço à menor ideia de quem seja. Não tenho e nunca
tive nenhum ex que possa estar querendo voltar. – Eu disse, soltando o celular
novamente na mesa e vendo se eu não havia perdido nenhum bilhete ou assinatura
na embalagem. – Sem nome, sem número para retorno. Muito estranho.
Soa novamente o bipe da mensagem.
- Que estranho, foi outra pessoa que assinou seu cheque. –
Diego começa a dizer, antes que eu possa ler a mensagem que chegou. – Os dois
cheques são da empresa L&R Construtora e incorporadora Internacional, mas o
meu cheque está assinado por Rebeca Lopes, sócia e diretora executiva, já o seu
está assinado pelo outro sócio, um tal de Tiago Rebello.
- Tiago Rebello... - Eu digo, já sentindo toda a força
fugir do meu corpo quando além de ouvir o nome dele, eu leio a mensagem que ele
mandou, agora com o número para retorno.
“Diga que ele é seu
marido ou namorado. Diga que você se tornou uma mulher linda e decente e não
uma qualquer que transa com um desconhecido em um banheiro. Diga que você não
se tornou uma vagabundinha, que um dia eu disse que você poderia se tornar. Me
diga isso, Anne e faça meu coração mais tranquilo.”
Como ele tinha a coragem de fazer isso? De me contratar
para fazer a apresentação de dança, de bater fotos minhas enquanto eu dançava,
me dar esse celular e me mandar essas mensagens? E o pior de tudo, foi ele quem
bateu na porta enquanto eu estava com o Diego.
- Não estou me sentindo bem, Diego. Você pode me levar pra
casa? – Perguntei. Eu precisava ficar sozinha, mas não tinha condição nenhuma
de dirigir até em casa. – Podemos ir no seu carro e amanhã eu volto para buscar
o meu que está no estacionamento. Pode ser?
- Claro. – Ele concordou.
Eu sabia que teria muitas perguntas para responder para
ele depois, mas agora eu precisava sair daqui. Era hora de ir para casa, meu
porto seguro. Estava na hora de passar um tempo no meu balanço embaixo dos pés
de eucalipto.
Continua sexta-feita....



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