Diego e eu fizemos todo o caminho em silêncio. Apenas a música
que tocava no carro nos impedia de estarmos em um silêncio absoluto. Como já
passava da meia noite, havia pouco transito.
- Você realmente quer ir para sua casa? – Perguntou Diego,
falando pela primeira vez nos últimos quinze minutos em que estávamos no carro.
– Acho que você está precisando de companhia e de uma bebida forte e não de
solidão. Mas essa é só a minha opinião. – Ele acrescentou quando olhei para
ele.
- Digu, a noite não está sendo das melhores e serei uma
péssima companhia para qualquer pessoa hoje. – Respondi
- Eu posso falar por nós dois se for preciso. E ai Anne, o
que você vai fazer amanhã? ‘Acho que vou à praia com a Deb, você quer ir
também?’ – Ele brincou, imitando ridiculamente a minha voz e me fazendo sorrir
de leve. – Viu? Eu consigo conversar por mim e por você, só quero que seu corpo
esteja no mesmo ambiente que eu. Vamos lá Anne, uma dose de tequila, e você
estará nova e animada.
Ponderei sobre a sugestão dele, fazia muito tempo que eu
não bebia por necessidade de afogar os problemas e a última vez não deu muito
certo.
- Eu adoraria, mas realmente, não é uma boa ideia.
- Vamos Anne. Prometo que não abusarei do seu corpo
alcoolizado... A menos que você me implore. Claro. – Diego piscou pra mim de
maneira divertida. Ele estava sendo meu amigo, me animando no momento em que eu
realmente precisava, mesmo eu o tendo rejeitado momentos antes.
- Ok, eu vou com você. Mas tem que ser um lugar divertido
e você tem que me prometer que na hora que eu quiser ir embora você vai me
levar para minha casa.
- Prometo. – Disse ele, levantando a mão como que fazendo
um juramento. – Mas já vou te avisar que vou te fazer beber tequila o
suficiente para que sorria de verdade e de quebra consiga arrancar de você qual
a história com esse tal Tiago.
No mesmo instante senti meu corpo todo ficar tenso.
- Acho bom você ter muito dinheiro na carteira, pois sobre
esse assunto eu não falo nem mesma à beira da morte. – Disse, tentando soar
descontraída, mas minha voz e minhas mãos nervosas não colaboram comigo.
Diego não precisou de muito dinheiro, apenas de quatro
doses de tequila e eu já estava contando da minha amizade com Tiago, da nossa
primeira vez e da forma como ele me abandonou depois disso. Graças a Deus, eu
não estava embriagada o suficiente para contar o que aconteceu depois que Tiago
sumiu da minha vida.
Ainda consigo sentir a tristeza que senti quando percebi
que ele havia me abandonado. Quando acordei no dia seguinte à minha primeira
vez e estava sozinha na cama achei que ele tivesse ido dormir no quarto que
Amanda tinha separado para ele, então levantei da cama, tomei um banho, me
arrumei toda e fui procurar por ele.
Procurei pela casa toda e nada de encontrar o Tiago.
Quando cheguei à cozinha, encontrei a cozinheira, dona Amélia, preparava o café
da manhã. Aproveitei e perguntei sobre o Tiago, ela me disse que ele havia ido
embora muito cedo. Nessa hora percebi que ele havia mentido pra mim, brincado
com meus sentimentos e me abandonado.
Voltei para o quarto de hospedes onde eu havia dormido com
ele. Retirei os lençóis e lavei as marcas que provavam alguém havia entregado
sua virgindade naquela cama. Enquanto esfregava o pouco sangue que havia no
lençol, eu lavava também meus olhos com as lágrimas mais amargas que já havia
chorado. Eu só não sabia que aquelas não seriam as piores e mais dolorosas
lágrimas que iria chorar.
Quando voltei para o quarto, levando comigo um lençol
molhado e ainda manchado, o dobrei e coloquei em uma sacola. Eu iria levá-lo
pra casa pra lavar, não iria deixar ali a prova de que fui burra o suficiente
para acreditar no amor de um garoto que apesar de eu o conhecer durante minha
vida toda, ele com certeza não era mais o mesmo.
Depois de guardar o lençol na mochila, resolvi que era
hora de juntar minhas coisas e ir para casa. Foi nesse momento que vi o bilhete
junto com meus brincos, em cima da cômoda. Uma pequena esperança brotou em mim.
Quem sabe tenha surgido alguma emergência e ele teve que ir para casa e
preferiu não me acordar.
Tão tola eu fui. Aquilo era um bilhete de adeus.
Anne,
Me perdoe por ser um
canalha covarde, mas eu não conseguiria me despedir de você depois dessa noite.
Eu menti para você.
Sei que disse que iria embora em dois dias, mas eu estou embarcando hoje, daqui
algumas horas.
Saiba que eu
realmente te amo, mas não é justo comigo e nem com você que a gente tenha
esperança de ficar junto depois que eu vá embora.
Todos esses anos
foram maravilhosos e essa noite foi mágica. Jamais te esquecerei.
Se um dia eu voltar,
prometo que te procuro para que você possa me bater e xingar, se você quiser.
Seja feliz. Por
você, mas principalmente por mim.
Tiago
Eu passei semanas ouvindo Mil pedaços do Legião Urbana e
chorando. Tudo por culpa dele e agora ele tem a cara de pau de voltar e ainda
me procurar. Pena que foi 12 anos depois.
- Agora está explicado. – Disse Diego, me tirando do meu
‘vale a pena sofrer de novo’. – Isso explica muita coisa. Você era apaixonada
pelo babaca, ele te usou e te abandonou e agora você não se apaixona por
ninguém que é para não sofrer.
- Não sabia que você era psicólogo, além de professor de
dança. – Eu respondi de maneira irônica. Era difícil ouvir a verdade sobre você
sendo dita na sua cara. - Ou você anda lendo muito romance e acha que a vida é
um faz de conta onde tudo tem uma explicação.
Ele me deu um olhar cheio de compreensão e algo que
parecia tristeza. Acabei desviando o olhar e mudando de assunto. Eu não estava
ali para ficar lembrando coisas a muito esquecidas.
- Nós viemos aqui para conversar ou para beber? –
Perguntei.
- Vamos beber mais e depois vamos cantar. – Diego tentou
soar animado. – Vamos, quer dizer que nós dois vamos subir naquele palco e
vamos cantar. E nem adianta negar.
Não neguei, mas também não disse que ia. Para que eu
subisse naquele palco, seria preciso bem mais que quatro doses de tequila.
Quando resolvemos parar em algum lugar para beber, Diego
se lembrou de um barzinho aonde ele veio com alguns amigos e que era muito
animado. O Tropicalhas Bar era realmente animado e aconchegante ao mesmo tempo.
Com uma decoração rústica, a parte mais animada do bar era o pequeno palco que
ficava em frente às mesas, onde havia uma aparelhagem enorme de karaokê e
várias pessoas corajosas que subiam e cantavam. A maioria cantando tão
desafinadamente que era impossível não rir e ficar com vergonha alheia. Nesse
exato momento tem um cara cantando O Rappa, se achando o próprio ‘vida loka’. É
de chorar de rir.
Diego, no alto de sua coragem e apenas um caneco de chopp,
resolveu subir e cantar. Depois de alguns instantes de conversa com o
responsável na organização dos ‘cantores’, ele se colocou em frente ao palco
com o microfone e aguardou as primeiras notas começarem a tocar. Com uma voz
profunda, rouca e um pouco fora do tom, Diego começou a cantar e me fez ficar
arrepiada.
“Não existiria
som
Se não houvesse o silêncio
Não haveria luz
Se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim
Dia e noite, não e sim
Se não houvesse o silêncio
Não haveria luz
Se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim
Dia e noite, não e sim
Cada voz que
canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração
Silenciosamente eu te falo com paixão
Tudo o que quer dizer
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração
Silenciosamente eu te falo com paixão
Eu te amo calado
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz
Nós somos medo e desejo
Somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que eu não sei dizer...”
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz
Nós somos medo e desejo
Somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que eu não sei dizer...”
Eu o ouvi cantar Lulu Santos e tentei ignorar o fato que
ele me encarava e parecia estar cantando apenas para mim. Ele sabia encantar
uma mulher. Pena que ele não sabia escolher a mulher certa para descarregar
todo o seu poder de sedução. Definitivamente ele precisa encontrar alguma
garota legal e inteira, não uma tola, quebrada e cheia de defeitos
incorrigíveis.
Enquanto ouvia Diego cantar, senti minha bolsa vibrar.
Abri em busca do meu celular, mas não havia sido ele que estava vibrando. Foi
quando ouvi um bipe juntamente com a vibração que percebi que o telefone que
estava tocando era o celular que Tiago havia deixado para mim lá na
apresentação, e eu burramente joguei para dentro da bolsa na intenção de
devolvê-lo em algum momento. Concentrei-me ao máximo para não olhar o aparelho
e muito menos pegá-lo, para ler a mensagem que havia chegado.
Eu já disse o quão fraca eu sou? Não resisto à tentação
nenhuma, nem mesmos as tentações masoquistas. Acabei não resistindo e lendo.
“Como vai você?
Eu preciso saber da sua vida...
Anoiteceu e eu preciso só saber
Como vai você?”
Anoiteceu e eu preciso só saber
Como vai você?”
Fale comigo Anne.
Ele quer conversar,
então tudo bem. Está na hora de eu responder.
Prezado Senhor, encontrei seu celular e
gostaria muito de devolvê-lo, pois o mesmo está me causando problemas e o
inconveniente de solicitar informações das quais não possui o direito de saber.
Sendo assim, qual o endereço para onde eu possa enviar o aparelho?
Cliquei em enviar e aguardei. Mesmo
sabendo que o ideal seria não responder. Eu sabia que um encontro com ele não
faria nenhum bem à mim, mas ao mesmo tempo, eu preciso encará-lo novamente e
dizer tudo o que está entalado na minha garganta a doze anos.
O celular vibrou e apitou novamente.
Uma msg indiferente é melhor que nada. Me
diz onde vc está e eu mesmo vou buscar o celular.
Há! Se ele está achando que vai ser fácil, está muito
enganado.
Hahaha. Desculpa,
mas não costumo dar meu endereço para pessoas que não conheço.
- Achei que você não queria falar com esse cara. – Disse
Diego, sentando-se em seu lugar. – Deixa esse celular pra lá. Não quero te ver
sofrer por um babaca que te abandonou.
Senti que enquanto falava, Diego tentava não parecer tão
tenso quando eu via que ele estava. A sua voz soou mais dura e ríspida. Me
senti como uma criança que é pega fazendo traquinagem. Acabei soltando o
celular no meu colo disfarçadamente. Eu podia negar o quanto quisesse, mas no
fundo eu queria saber o que Tiago iria responder.
- Eu só achei que seria bom deixar bem claro que não vou
ficar com esse celular. Ou vou devolvê-lo ou jogá-lo fora.
Diego apenas assentiu e virou para fazer sinal para o
garçom, para que ele trouxesse mais bebida para nós.
- Digu, não quero mais tequila e acho que você não deveria
beber mais já que vai dirigir.
- Pedi água pra mim e tequila pra você. – Ele respondeu
com um sorrisinho de canto de boca. Coisa que o deixa extremamente sexy. – A
ideia é deixá-la tontinha ao ponto que poderei te convencer a ir dormir na
minha casa.
- Você não desiste, né?! – Respondi sorrindo. – Eu já
disse que não vai rolar. Desista.
Beep! Beep! Beep!
- Não sou eu quem não desiste. – Diego disse amargamente.
– Vou ao banheiro e já volto.
Tentei pedir desculpas antes que ele fosse, mas ele me
lançou um olhar que me impediu de emitir qualquer som. Só me restava ler a
mensagem, desligar aquele aparelho e me concentrar em me divertir ao lado do Diego.
Era exatamente o que eu iria fazer, até eu ler a resposta do Tiago.
Não quero seu
endereço, já estou na frente da tua casa. Quero saber onde você está agora.
Quero te encontrar.
Quase cai da
cadeira. Como assim ele está na frente da minha casa? Será que ele está
esperando eu chegar? Pois vai ficar esperando até cansar.
Já que você
adora citar palavras de outras pessoas, vou fazer o mesmo. “Você pode encontrar
as coisas que perdeu, mas nunca as que abandonou.” Gandalf
Me deixe em paz.
Segundos depois a resposta chegou.
Senhor dos Anéis? Interessante. Vou te responder com outra
citação. “Perdi-te, mas só te digo isso: só resta a luta para se recuperar o
que se perdeu...” Nicholas Sparks.
Te deixaria em paz se você deixasse meus sonhos em paz.
Deixe-me te encontrar mais uma vez e minimizar nosso tormento.
Eu
queria muito dizer umas boas verdades para ele, mas não poderia fazer isso sem
sofrer por tudo o que passei sem que ele estivesse ao meu lado. Essa dor eu não
queria ter que relembrar.
Espero que você tenha um lugar confortável para esperar
sentado pelo momento em que eu vou te dar a oportunidade de se reaproximar de
mim. Volte para sua vida e faça como você tem feito todos esses anos, esqueça
que eu existo.
Adeus Tiago.
Depois
de enviar a mensagem, desliguei o celular.
-
Guarda pra mim? – Perguntei para Diego, empurrando o celular em sua direção.
Ele está virado em direção do palco, quase de costas pra mim e quieto desde que
voltou do banheiro. – Não quero ter que ficar lutando contra a minha curiosidade.
Sorri,
na tentativa de aliviar o clima pesado que estava entre ele e eu.
-
Você quer que eu guarde? Até quando? – Perguntou ele, parecendo não acreditar
muito na minha força de vontade de ficar longe daquele aparelho maldito, que só
me fazia relembrar velhos tempos e desejar que as coisas tivesse sido
diferente.
-
No mínimo até que a noite termine. Hoje eu quero me divertir e você é a pessoa
certa pra isso.
Na
mesma hora em que disse isso, percebi que ele ficou um pouco mais animado.
-
Digu, você sabe que te adoro. Você tem o dom de me fazer sorrir e de me fazer
ser alegre, mas sinto como se eu tivesse te usando. Essa sensação me faz mal. -
Segurei sua mão e olhei no fundo de seus olhos castanhos. Eu queria que ele
entendesse que eu não queria ele como uma muleta, eu queria ele como meu amigo.
Um amigo muito especial.
-
É uma pena que você não queira me usar. Eu adoraria isso. Podemos fazer um
acordo, você me usa e eu te uso. Um acordo mutuo. Assim você pode se sentir
à-vontade quando quiser usar e abusar de mim. – Ele disse, enquanto sorria
perversamente e me dava uma piscadinha.
-
Isso nunca vai dar certo, mas... Posso abusar então? Tem certeza? – Ele
assentiu e eu sorri. – Então vou aceitar seu convite para passar a noite na sua
casa, mas... Você dorme no sofá e eu na cama.
-
Depois de um sexo selvagem com você, eu durmo até atrás da porta. - Disse ele,
me fazendo gargalhar.
Não
adianta dizer que não vamos transar, Diego é confiante demais em seu taco e
incorrigível. Que bom que eu tinha ele ao meu lado para me animar e fazer eu me
sentir desejada. Mesmo que continue me sentindo péssima por achar que estou
usando ele.
***
Acordei
no dia seguinte graças ao meu telefone que tocava enlouquecido em algum lugar
do apartamento. Quando tentei me levantar da cama, senti o peso dos braços
fortes de Diego em volta da minha cintura.
-
Qual a parte do ‘eu na cama e você no sofá’ que você não entendeu, heim
mocinho? – Murmurei, olhando ele dormir.
Diego
é um Deus grego cor de ébano. Ele é tão lindo, com um corpo malhado, charmoso,
encantador, divertido e gentil. Agora enquanto dorme tão tranquilo, percebo
mais uma vez que ele merece ser muito feliz. Se eu pudesse fazer um pedido aos
céus, pediria para que eu me apaixonasse perdidamente por ele, assim eu teria
certeza que eu seria a mulher mais feliz do mundo, pois é isso que vai
acontecer com a mulher que retribuir o amor que ele tem a dar.
Quando
comecei a retirar seu braço de cima de mim, ele se mexeu e pareceu acordar, já
que sua mão que estava na minha cintura começou a subir, até estar no meu seio,
onde começou a massageá-lo. Ele se aconchegou mais em mim, me puxando para que
ficássemos de conchinha e eu pudesse sentir sua ereção.
-
Homens e suas ereções matinais. – Falei, enquanto eu tentava tirar sua mão
enorme do meu seio que já estava ficando intumescido. – Não Digu, por favor.
- Você não
reclamou ontem à noite. – Ele respondeu com uma voz rouca e tão sensual que
senti meu corpo amolecer. Quando ele mordeu o lóbulo da minha orelha, minha
bunda ganhou vida própria e acabou se empinando e rebolando por vontade
própria.
Ontem depois de
mais alguns drinques para mim e água para ele, viemos para a casa dele, onde
tomei um banho, vesti uma de suas camisetas, desejei boa noite e vim deitar na
cama dele. Porém algum tempo depois, quando eu já estava dormindo, ele entrou
no quarto usando apenas uma toalha e murmurando que iria pegar uma cueca e um
travesseiro. Eu acreditei e voltei a dormir, por isso não vi quando ele subiu
na cama delicadamente e quando dei por mim ele estava com a boca entre as
minhas pernas e eu estava presa em um sonho muito erótico e prazeroso. Quando o
orgasmo veio, eu tive certeza que não estava dormindo, mas foi quando ele me
penetrou, segurando minhas mãos acima da minha cabeça, que eu tive certeza que
estava acordada e muito acordada. É impossível você permanecer dormindo com um
homem enorme te penetrando, beijando, lambendo e fazendo você ver estrelas.
Era por isso que
estávamos dormindo agarradinhos e nus.
“Ah, meu Deus,
eu não presto, mas isso é tão bom.” Pensei, deixando a mão dele percorrer meu
corpo.
Quando o amasso
estava ficando cada vez mais quente, meu celular voltou a tocar.
- Droga. Deve
ser meu pai. – Disse enquanto tentava sair de baixo dele para ir até a sala
atender o celular. – Ele já ligou antes, deve ser importante. Preciso atender.
- Ok, vai lá,
Mas não demore, vou ficar aguentando firme aqui. – Disse Diego, rolando para o
lado e levantando o lençol para que eu visse que o firme que ele disse, era literalmente firme.
Dei um selinho
em sua boca, murmurei um ‘já volto’ e sai do quarto, completamente nua, em
busca do meu celular que estava em algum lugar na sala.
Quando o
encontrei, vi pelo identificar de chamada que as chamadas perdidas não eram do
meu pai, eram da Deb.
Liguei pra ela.
- Bom dia, Deb.
Espero que seja muito importante, porque você ligou em uma péssima hora. Eu
estava sendo ocupada. – Disse, sabendo que entenderia o sentido da frase.
- Bom dia meu
bem. Desculpe atrapalhar sua foda, mas é importante para mim. – Disse ela,
muito alegre. A noite deve ter sido boa. – Nosso compromisso de hoje ainda está
de pé né?
- Compromisso? –
Perguntei sem saber do que ela estava falando, até que lembrei. –
Aaaaaaaaaaaaaaah, a praia. Você me acordou a essa hora por causa de uma ida à
praia?
- Anne, querida. Deixa eu te explicar. Eu acabei comentando
com o Carlos que hoje a gente tinha marcado de ir à praia, ai ele se animou e
chamou um amigo super gato dele. Eu disse pra ele que o tal amigo tinha que ser
muito gato, porque você é linda, então ele me mostrou o perfil do facebook do
cara e Anne do céu, o cara é simplesmente lindíssimo. Uma mistura de Jensen
Ackles com Ricardo Pereira...
- Calma Deb. – A interrompi. – Estou na casa do Diego e não
sei que horas vou sair daqui.
- Foi por isso que te liguei. Eu preciso que você vá comigo.
– Ela devia mesmo ter gostado do tal do Carlos. Para estar tão desesperada para
fazer um programinha em casal. – Eu não te pediria isso se não precisasse
realmente de você. Anne, eu acho que encontrei o cara certo pra mim. Nós temos
tanta coisa em comum. Me ajuda, vai. Por favor.
- Você está demorandoooooo.... – Gritou Diego lá do quarto.
- Ok, Deb. Eu vou. Mas me dê pelo menos duas horas. Tenho
coisas inacabadas aqui e ainda tenho que passar em casa para pôr meu biquíni. –
Lembrei que meu carro ficou no local da apresentação. – Só tenho um problema,
estou sem o carro. Vou ter que pedir para o Diego me levar para casa e você me
pega quando eu estiver pronta. Pode ser?
- Pode ser, sim. – Ela nem pensou antes de responder. – Só
não demore muito. Quero aproveitar para pegar um sol e abusar das mãos do
Carlos enquanto ele vai espalhar o bronzeador em mim.
- Não esquece que você estará indo para a praia e não para o
motel. Não mate o coitado de tesão. – Brinquei com ela antes de nos despedirmos
e eu desligar o telefone.
Agora eu tinha que voltar para o
quarto. Havia um homem lindo e nu à minha espera na cama.
Continua Segunda Feira...



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