Três semanas se passaram desde que eu vi o
Tiago pela ultima vez. Ele não me procurou e não ligou. Fico aliviada e ao
mesmo tempo, chateada. Não quero vê-lo, mas esperava que ele ao menos tentasse
falar comigo. Estou parecendo uma adolescente idiota.
Depois que sai do seu escritório, dirigi
diretamente para casa. Quando cheguei, liguei para a Deb que estava preocupada
comigo e expliquei pra ela o que tinha acontecido. Ela foi a melhor amiga que
alguém pode ter, me ouviu e depois do trabalho, chegou na minha casa com um
pote de sorvete, filmes de mulherzinha e um ombro amigo. Nunca pensei que
pudesse amar tanto ela, quanto naquele dia. Em nenhum momento me pressionou
para contar detalhes, e mesmo eu dizendo que estava tudo bem ela ficou ao meu
lado e me fez rir com histórias sobre seus alunos e do seu tempo de faculdade.
Depois de ter ligado pra Deb, liguei para
meu chefe, expliquei que surgiram problemas importantes que tive que resolver,
mas que iria repor àquelas horas e daria aulas extras para os alunos que
ficaram sem aula naquele dia. E foi o que fiz. Durante essas ultimas duas
semanas eu dei aulas extras de graça para os alunos que perderam aquele dia de
aula. Minha carga horária de doze horas, passou para quinze horas, mas mesmo
assim, não foi o suficiente para que eu conseguisse chegar em casa tão exausta
ao ponto de dormir e não ter pesadelos.
Fazia algum tempo que eu não precisava dos
meus remédios para dormir, mas depois da minha conversa com o Tiago, meus
pesadelos voltaram com força total. Agora eles alem de me mostrar toda aquela
cena novamente, muitas noites eu via o Tiago dentro do carro também. Apesar de
odiar tomar os remédios, na segunda noite que acordei com meu pai me sacudindo
e dizendo que era um sonho, decidi que tinha que tomar o remédio e apagar em
cima da cama. Sem sonhos bons e nem ruins. Apenas um corpo inerte.
Mesmo estando um pouco grogue no dia
seguinte, eu consegui trabalhar, dar minhas aulas extras, organizar minha
viagem e de quebra fazer mais algumas apresentações com o Diego.
Nossa amizade mesmo estremecida, ainda é
forte o suficiente para que ele se preocupasse comigo. Depois de uma das nossas
apresentações, quando ele me levava para casa, ele não resistiu e perguntou:
- O que aconteceu, Anne? Você anda tão
abatida.
- Nada demais, eu só ando trabalhando
demais. – Respondi sem olhar em seus olhos.
- Porque será que não acreditei nisso.
Você brigou com ele, né? – Ele não precisava dizer o nome, eu sabia quem era o
ele.
- Eu não quero falar sobre isso Digu. –
Respondi olhando pela janela.
- Você não quer falar, mas ouça pelo
menos. – Ele disse sério. – Quando tivemos aquela conversa na sua casa, nós
dois dissemos muitas coisas e eu posso dizer que realmente acreditei que você
era a mulher certa pra mim, mas agora comecei a perceber que eu quero alguém
que me ame como você ama o Tiago...
- Eu não... – Tentei interromper, mas ele
não deixou.
- Não adianta negar. Você mudou depois que
ele chegou Anne. Você era uma garota livre, alegre e sem medo de se jogar,
agora você vive introspectiva, com um olhar de quem está em outro mundo.
Eu não podia contestar. Depois que o Tiago
chegou, minha vida e meu humor mudaram mesmo.
- Você não entenderia, Digu.
- Anne, você não tem que me contar nada.
Eu só quero que entenda que aceitei e entendi que o que há entre nós é uma bela
amizade e nada mais. Por isso que quero deixar claro que me importo com você.
Quero o seu bem e a sua felicidade, tanto quanto quero a minha. Até andei
pensando no que você me falou sobre estar na hora de eu encontrar uma mulher
que me ame. Acho que está na hora de encontrar a mulher que vai ser minha
esposa e mãe dos meus filhos. – Ele disse com um sorriso tímido, de quem tem
vergonha de dizer que está em busca do verdadeiro amor.
- Que bom que você pensou nisso. Já tem
alguma candidata? – Perguntei, um pouco mais animada. Meu amigo estava
começando a pensar no amor e no futuro.
- Ainda não evolui tanto, apenas estou
amadurecendo a ideia. – Ele me deu um olhar de relance, como que para avaliar
minha reação ao que disse, eu não perdi tempo e dei um pequeno sorriso.
- Porque você não chama a Deb para sair,
quem sabe um jantar. – Eu vou insistir nisso até ele pelo menos sair com a Deb
uma vez. Algo me diz que eles vão se dar muito bem.
- Quem sabe outro dia. – Ele disse
pensativo.
Pelo menos ele não descartou a ideia. Já
era um avanço.
***
Minha viagem era no dia seguinte e eu estava uma pilha de nervos. Já estou com todos os documentos e as malas prontas,
mas eu não me sinto pronta. A sensação que tenho é que essa ida para Madri vai
mudar minha vida. Só espero que seja para melhor.
Meu dia começou muito bem. Dei minhas
ultimas aulas e ganhei uma festinha de despedida dos meus alunos. A partir de
amanhã quem assume é o Diego. As alunas já estão animadíssimas em ter ele como
professor. Estou rezando para ele não ter problemas com nenhuma delas e nem com
nenhum marido ou namorado ciumento.
Quando já passava das nove horas da noite,
cheguei em casa. Cansada, ansiosa e com fome. Abri a porta da sala, joguei a
chave no aparador próximo a porta e fui direto para a cozinha. Ao chegar na
porta, quase cai para trás com o susto de encontrar meu pai e Tiago, sentados à
mesa, tomando um café.
- Oi. – Ele me disse timidamente.
- Oi querida. Está com fome? – Meu pai me
perguntou com um sorriso no rosto e cara de quem estava falando de mim.
- Oi. – Eu disse e caminhei em direção a
geladeira. – Só vou tomar um iogurte e já vou subir.
Aproveitei que estava de costas para eles
e respirei fundo para acalmar meu coração.
- Anne, sente e coma alguma coisa.
Aproveita para conversar com o Tiago, que está aqui te esperando faz algum
tempo.
Eu não precisei me virar para saber que
meu pai tinha deixado a cozinha só para nós dois. Eu senti no ar. Eu podia
sentir seus olhos sobre mim e por mais que eu quisesse evitar seus olhos, eu
não poderia ficar encarando a geladeira aberta pelo resto da vida. Respirei
fundo, uma segunda vez e fui me sentar na sua frente.
- Você quer falar comigo? Estou aqui. –
Disse, friamente.
- Eu queria te ver. Saber como você está.
– Ele disse, olhando em meus olhos.
- Você já viu e deve estar vendo que estou
muito bem. Agora se me der licença, estou cansada. – Respondi e comecei a me
levantar, mas ele segurou minha mão e uma descarga de adrenalina percorreu meu
corpo.
- Não Anne. Fique. Eu vim te pedir um
favor.
Eu não respondi, apenas puxei minha mão e
cruzei meus braços sobre meu peito.
- Depois de tudo que você me falou naquele
dia, eu levei algum tempo pensando e digerindo todas as informações e emoções.
Agora que o impacto já passou, queria te pedir para conhecer um pouco da filha
que tivemos.
Eu esperava qualquer coisa dele, mas nunca
imaginei que ele quisesse saber mais sobre a Clara. Não quero acreditar que ele
se importe tanto assim com ela, com a criança que ela era. A imagem dela
sorrindo feliz, correndo e brincando vem a minha mente com a força de um soco.
Meu estomago se contorce e lágrimas surgem em meus olhos. Luto contra as
lágrimas, não vou chorar na frente dele novamente.
- Falar sobre ela não é coisa mais
agradável do mundo, mas posso te dizer algumas coisas. O que você quer saber? -
Perguntei pra ele, sem encará-lo.
- Quero saber tudo. Você tem alguma foto
dela? Seu pai me disse que você guardou todas as fotos dela que tinha pela
casa.
- Guardei. – Respondi baixinho. – Estão
todas no meu quarto, vou buscar e te mostro.
Quando levantei para ir buscar, ele
levantou também e me seguiu. A minha ideia era eu ir sozinha buscar as fotos
enquanto ele aguardava. Passei pela sala e vi que meu pai não estava lá, ele
devia ter ido para seu próprio quarto.
Depois de subir as escadas, paramos em
frente a minha porta e já fui avisando:
- Não repara a bagunça, mas estou
arrumando minhas malas.
- Você vai viajar? – Ele pergunta
interessado.
- Vou. – Respondi, sem dar mais
informações e ele percebeu que eu não queria falar sobre isso. - Senta em algum
lugar, que vou pegar a caixa com as fotos.
Virei-me para o guarda roupa para pegar a
caixa com as fotos. Ela estava no maleiro do guarda roupa, em cima de outra
caixa. Estiquei-me toda para alcançar, mas meus dedos apenas raspavam na caixa.
Dei um pulinho, na tentativa de puxar a caixa. Não consegui. Sem perder a
oportunidade, Tiago se aproximou e com seus centímetros a mais, pegou a caixa.
Porém eu não vi nada disso, eu estava de olhos fechados, tentando controlar
minha respiração ao sentir seu corpo de encontro ao meu. Ele colou seu peitoral
em minhas costas e pude sentir seu perfume, os músculos de seus braços roçando
os meus braços ao baixar a caixa na minha frente, mas nada me preparou para
senti-lo aproximar a boca do meu pescoço, inalar meu cheiro e dar um beijo de
leve. Senti um arrepio percorrer todo meu corpo, minha respiração ficou presa
na garganta e minha cabeça se inclinou levemente, lhe dando mais acesso. Meu
corpo estava me traindo e entregando toda a saudade e a vontade que eu sentia
dele.
Quando o segundo beijo veio, minha
respiração saiu junto com um gemido, pois era um beijo molhado dado no alto do
pescoço, perto da minha orelha. Um lugar que me faz ronronar. Eu estava cedendo
sem que fosse preciso praticamente nenhuma pressão. Ele estava me seduzindo
lentamente com beijos lentos e meu corpo estava buscando o corpo dele. Aos
poucos, senti meu corpo virar e ficar de frente com ele. Quando nossos lábios
se tocaram, meu cérebro não passava de uma gelatina, mas outras partes do meu corpo
estavam acordando e ganhando vida. Minhas mãos se apoiaram em sua barriga e
subiam para seu peito, seu pescoço, até parar na sua nuca. Minhas pernas me
fizeram inclinar até ajustar meu corpo ao seu e senti como se meu sangue
estivesse sendo bombeado totalmente entre minhas pernas. Eu suspirei em sua
boca.
Nosso tórrido beijo se quebrou quando a
caixa de fotos que estava em sua mão caiu, fazendo barulho e batendo na minha
perna, espalhando as fotos pelo chão.
- Merda. Deixa que eu faço isso –
Resmunguei ríspida, mais pelo fato de ter beijado ele, do que por ter que me
abaixar para juntar todas as fotos.
- Você ainda tem isso? – Ele falou
baixinho.
Como eu estava abaixada juntando as fotos
da Clara, não vi sobre o que ele estava falando, mas quando ele passou por mim
e se esticou novamente para pegar outra caixa de dentro do maleiro do
guarda-roupa, eu soube do que ele estava falando.
- Não... - Eu comecei a dizer, mas não deu
tempo. Ele já havia pego a caixa e a tirado a tampa.
- Você tem guardado isso por todos esses
anos?
- Não. Joguei fora, mas os lixeiros
devolveram. – Respondi mal humorada, terminando de juntar as fotos do chão e
sentando na beirada da cama. – Você veio até aqui para ver as fotos da Clara ou
pra ver as tranqueiras que guardo?
Vi ele sorrir de leve ao tocar as coisas
que estavam na caixa no colo dele.
- Porque você guardou todos os presentes
que te dei? – Ele perguntou. Não respondi. – Meu soldadinho. Esse foi o
primeiro presente que te dei, não foi?
- Sim, foi. - Falei baixinho e tratei de
mudar de assunto.
Sentei do outro lado da cama, cruzando
meus pés embaixo das pernas e colocando a caixa na minha frente para escolher e
arrumar as fotos. Fazia muito tempo que eu havia guardado elas, algumas estavam
amarelando com o tempo e outras eu nem lembrava que estavam lá, como as minhas
fotos grávida. Tentei organizar as fotos em ordem cronológica para que ele
visse a Clara desde que ela nasceu, mas como meus pais eram muito corujas com
ela, havia milhares de foto. Vários momentos diferentes. Fotos na maternidade,
primeiro banho, primeira papinha, primeira ida à praia, primeira vez que
engatinhou, primeira vez que ficou em pé sozinha e sem se segurar. Tudo era
motivo para fotos lá em casa. Agora revendo todas elas, sinto tanta saudade da
Clara que me falta o ar.
Pego uma das fotos, uma foto do primeiro
dia dela na creche, com a camiseta branca e o short-saia azul que era uniforme
da creche. Ela mal caminhava nessa época. Tinha nove meses. Nunca vou esquecer
que quando a deixamos na porta de sua salinha, ela sorriu de orelha a orelha
por ter outras crianças junto com ela. Ela adorava crianças. Queria abraçar,
beijar, apertar e muitas vezes, apertava demais. Naquele primeiro dia foi uma
alegria imensa pra ela e um dia incrivelmente angustiante para mim. Sai da
creche chorando por ter que deixar minha filhinha com pessoas que ela não
conhecia, fiquei com medo que ela estranhasse e chorasse, mas eu tinha que ir a
aula. Tinha vários meses de aulas para recuperar.
- Não precisa fazer isso, se não quiser. –
Tiago sussurrou, me tirando do transe em que estava e me fazendo reparar que
ele estava ao meu lado com algumas fotos na mão e um olhar estranho em seu
rosto. – Ela era linda.
- Sim. Ela era linda, inteligente,
encantadora e tinha os seus olhos.
Olhei pra ele de relance e vi um vinco se
formar em sua testa. Ele parecia tenso antes de falar novamente.
- Como você aguentou? Eu digo... Ela era
tão parecida comigo. Chega a ser impressionante como os olhos eram verdes
iguais aos meus, mesmo que o cabelo fosse igual ao seu.
- No começo foi mais difícil. Ela tinha até
os teus trejeitos, enrugava a testa como você está fazendo, sempre que estava
concentrada. Ela era canhota. Tinha seus olhos, seu sorriso.. – Eu disse,
entregando uma foto onde a Clara estava com dois anos e sorrindo com um ovo de
páscoa na mão. – Ela sempre fazia alguma coisa que me lembrava você, mas acho
que é esse o vinculo que une o pai e a mãe de uma criança pra sempre. É ver na
criança semelhanças do outro.
Nós não falamos por um tempo, apenas
olhamos as fotos da Clara. O silêncio era confortável. Senti que o Tiago estava
apreciando ver as fotos, mas ele não parava de se mexer na cama. Ele parecia
estar tentando relaxar ao meu lado. Quando chegamos na parte das minhas fotos
grávida, eu parei e comecei a guardar as fotos que estavam espalhadas pela
cama. Ele tinha uma foto minha com a Clara em sua mão.
- Posso ficar com essa foto? – Ele
perguntou.
Eu não queria dizer sim, mas não tinha
argumento nenhum para negar.
- Pode. Essa foi uma das ultimas fotos que
batemos juntas. - Eu disse, olhando para uma foto que eu mesma bati com ela
sentada no meu colo e o rosto colado ao meu. Nós duas sorriamos na foto. – Foi
um final de semana antes do acidente.
Tentei devolver a foto, mas ele não a
pegou. Ele me olhou nos olhos e segurou minha mão antes de dizer:
- Me perdoa?
Eu fiquei alguns instantes presa em seu
olhar, sem saber o que responder. Eu poderia apenas dizer que perdoo, mas não
seria de coração. Ao mesmo tempo, o que eu estaria perdoando? Por ele ter
preferido casar a voltar pra mim, por ele não ter conhecido ela ou por ele não
ter estado ao meu lado quando ela faleceu?
- Tiago, eu...
- Anne, se você soubesse o quanto eu tenho
me arrependido das minhas escolhas. Se eu pudesse voltar no tempo...
- Mas você não pode. – Respondi secamente,
levantando e começando a guardar as fotos.
- Anne, desculpa por não ter te contado
antes que eu era casado, mas meu casamento não era um casamento convencional.
Era apenas no papel.
- Isso não tem importância. Eu gostaria
sim, que você tivesse me dito isso desde o inicio. Porém tem uma coisa que eu
não entendi, se você é casado, porque me procurar agora, porque me contratar,
dar o celular, fazer toda aquela palhaçada? – Essa questão estava me deixando
maluca há dias. Eu precisava de uma resposta.
- Durante todos esses anos, eu não te
esqueci nenhum dia e quando tive a oportunidade de te ver, eu fiz tudo ao meu
alcance para te encontrar. Só me arrependo de não ter sido honesto com você
desde o inicio, desde o nosso reencontro, mas não me arrependo de nenhum dos
nossos beijos ou do amor que fizemos no meu tapete.
- Você não se arrepende? – Perguntei
incrédula, encarando-o enquanto ele levantava da cama com a caixa dos presentes
na mão. – Pois eu me arrependo. Não sei o que você pensa de mim, mas não me
envolvo com homens casados. Não sou santa, mas algumas coisas eu respeito. Uma
delas, é o casamentos alheio. Agora se você já viu as fotos, eu gostaria que
você fosse embora.
- Minha presença te incomoda? Será que você
não pode nem ao menos ser minha amiga novamente?
- Eu simplesmente não consigo ser sua
amiga depois de tudo o que aconteceu. – Respondi, olhando fundo nos seus olhos.
Olhos que se aproximavam cada vez mais de mim. Olhos que pareciam ver toda a
verdade na minha alma. Eu precisava ser honesta com ele, mas principalmente
comigo. – Não consigo ficar perto de você sem que meu coração dispare e as
recordações dos momentos que passamos juntos não voltem a minha mente, mas não
quero e não vou me envolver com um cara casado, nem que ele seja você.
- Você não vai se envolver com um cara
casado. – Ele disse parando a poucos centímetros de mim, depois de alguns
segundo apenas me olhando. – Você não vai fazer isso, porque eu esperei todos
esses dias pra te procurar, pois eu estava em processo de divorcio e assinei os
últimos documentos hoje. Assinei, e vim te ver. Como um homem legalmente livre
e desimpedido. Agora vou te perguntar de novo, Você não pode nem ser minha
amiga novamente?
Eu não respondi, apenas me perdi na
imensidão de seus olhos verdes. Eu havia sido capturada e não havia volta. Pela
segunda vez na minha vida, eu não sabia o que sentia por ele, na primeira vez
foi o garoto, meu melhor amigo quem confundiu minha cabeça, agora se tornou um
homem lindo, encantador e extremamente sexy e faz meu cérebro e o restante do
meu corpo virar uma geléia.
Fico olhando para ele, ainda sem
responder, mas ele espera. Ele me conhece e sabe que estou confusa com o que
sinto. Vejo sua boca se abrir levemente. Seu queixo quadrado está relaxado.
Olho para todo seu rosto. Tão lindo. Seus cabelos estão bagunçados como sempre
ficavam quando ele estava nervoso e passava as mãos por eles. Porém, nada é
mais lindo que as duas esmeraldas que ele tem no lugar dos olhos.
Quando sua mão acariciou meu rosto, fechei
meus olhos e me perdi ainda mais nele.
- É definitivo? – Perguntei ainda com os
olhos fechados e os dedos dele em meu rosto. Não sei se era referente ao fim do
casamento, ou a nós, mas não podia ter dar uma resposta melhor para as duas
questões.
- Sim. Definitivo e eterno. Sou seu,
sempre fui.
Como da primeira vez, ele me ganhou com
suas palavras, mas dessa vez ele está mais experiente. Junto com as palavras
certas, veio a atitude de homem. Veio a pegada. Sem que eu tivesse tempo para
tomar fôlego, ele me puxou de encontro ao seu corpo e cravou seus lábios aos
meus. Amor, desejo e esperança, tudo em um beijo só.
Minhas mãos rapidamente foram parar em sua
camisa, puxando-o para mais perto. Ele era minha maldição e minha benção. Eu o
odiava por não me controlar quando estava com ele. Tiago me tira do prumo, me
transforma em uma louca, cheia de amor e desejo. Desejo que nesse momento
estava explodindo pelos nossos poros e exalando nos quatro cantos do quarto.
- Anne, eu estou saindo... É... Desculpa.
– Meu pai colocou a cabeça para dentro do meu quarto.
Tiago e eu demos um pulo para trás, como
se tivéssemos dezesseis anos de idade ainda e acabássemos se ser pegos em
flagra.
- Eu... Aham... Estou saindo. Vou para a
casa de um dos rapazes da madeireira assistir um jogo de futebol e devo
demorar. – Meu pai disse meio sem jeito e logo fechou a porta.
Quando olhei novamente para o Tiago, nos
encaramos por cerca de trinta segundos antes de cair na gargalhada. Eu não
aguentei e sentei na minha cama, ainda rindo. Tiago guardou a caixa no lugar e
sentou-se ao meu lado.
- Agora que estou separado, você não tem
mais motivo pra fugir de mim. - Tiago me disse, com um leve sorriso no rosto.
- Tenho um motivo para fugir de você. – Eu
disse, tentando ficar séria.
- Aé? Qual? – Ele perguntou, inclinando o
corpo em minha direção.
- Você tem o dom... – Comecei a falar e a
me aproximar de sua orelha. – Tem o dom de me deixar excitada com apenas um
olhar.
- É mesmo? E se eu fizer isso? – Ele
beijou meu pescoço.
- O que você fez? Não senti nada. Vai ter
que repetir, acho que estou com problema de sensibilidade.
- Então vou me esforçar mais.
Ele não disse mais nada, mas seu corpo
falou muito. Ele se inclinou sobre mim, me fazendo tombar na cama. Colocando
uma perna em cada lado do meu quadril, ele se abaixou e começou a beijar meu
pescoço, ombros, orelha, queixo, mas nunca a minha boca. Havia muita roupa nos
separando, por isso comecei a retirar seu terno, porem ele segurou minhas mãos.
- Posso realizar uma fantasia com você? –
Ele perguntou, sussurrando na minha orelha.
- Qual fantasia? – Perguntei ofegante.
- Sim ou não?
- Depende do que você vai fazer?
- Quero te amarrar e te lamber todinha.
Como se você fosse um sorvete.
- Amarras e sorvete? Isso está parecendo
50 tons de cinza. – Brinquei
- Posso ou não posso? – Ele falou e mordeu
minha orelha de leve.
- Tem um rolo de faixa de gaze na primeira
gaveta do criado mudo. – Eu respondi. Estava nervosa e excitada. Todas as vezes
que transamos, foi mais fazer amor do que sexo selvagem. Agora ele me propõe
amarras e submissão?
Ele levantou rapidamente, enquanto eu me
ajeitava no centro da cama. Quando voltou com o rolo de faixa, uma tesoura e
seu olhar sexy, prendi minha respiração. Ele soltou tudo ao meu lado no colchão
e foi para os pés da cama. Com delicadeza ele retirou meus tênis, as meias.
Como as mãos espalmadas sobre minhas pernas, ele foi subindo-as até chegar no
botão da minha calça, não sem antes passar a mão entre minhas pernas apenas
para me atiçar mais ainda. Quando ele abriu o botão da calça e começou a baixar
o zíper, dei um pulo pra longe das suas mãos.
- Espera Ti, deixa levantar e... e...
- E o que? – Ele perguntou com um pequeno
sorriso.
- E colocar uma calcinha que não seja
bege. – Falei com uma pontada de vergonha, quando o ouvi dar risada. Eu estava
com uma calcinha bege e larga. Nada sexy. Ela é super confortável, mas
extremamente broxante. Ainda bem que pelo menos eu já tinha tomado um banho na
academia, antes de vir pra casa.
- Você acha que me importo com a calcinha
que você está? Eu não me importo nem um pouco. Além do mais, essa calcinha vai
sair junto com a calça. Quero você completamente nua nessa cama.
- Mas...
- Mas nada. Cala boca e deita.
Meu coração foi na boca e voltou. Eu nunca
tinha ouvido esse tom autoritário nele e posso dizer que adorei. Seu olhar
estava quente como o inferno e suas mãos estavam mais firmes do que antes. O
Tiago amoroso tinha ido dar uma volta, agora era o Tiago mandão que estava
em seu lugar, e isso me deixava molhada como nunca antes.
Em questão de segundo, minha calça jeans e
minha calcinha bege já estavam no chão. Suas mãos voltaram a percorrer minhas
pernas, minha virilha e com uma dolorosa calma ele as levou por entre as minhas
pernas, pressionou e seguiu em direção a barra da minha camiseta. Lentamente
ele começa a subir minha camiseta e a tirá-la de mim. Quando me levanto
levemente para passar minha camiseta pela cabeça, sinto suas mãos irem para
minhas costas e abrirem meu sutiã. Mais duas peças voando para o chão.
- Pronto. Estou nua. O que você vai fazer
agora? – Perguntei.
Era estranho saber que eu estava
completamente nua e ele ainda de terno e gravata. Tão lindo. Tão sério. Tão
sensual.
- Agora vou te amarrar e só depois, vou te
fazer gemer. - Ele respondeu. – Entrelace seus dedos e me dê suas mãos.
Eu fiz o que ele pediu. Entreguei minhas
mãos unidas e rapidamente ele passou a faixa de gaze algumas vezes em volta dos
meus pulsos e deu um nó, deixando um pedaço longo o suficiente para que ele amarrasse
na cabeceira da minha cama. Como adoro enfeites e decoração, a cabeceira da
minha cama box é de madeira com pequenos entalhes em formato de flor. Feito
especialmente pelo meu pai. Mas nesse momento eu não estava vendo os detalhes
da cama, eu estava vendo Tiago colocar a outra ponta da gaze por entre as
pétalas da flor e dar um nó, sem nenhuma dificuldade.
Depois de por um travesseiro embaixo da
minha cabeça e me amarrar os braços para cima, Tiago desceu da cama e me olhou.
Olhou cada pedacinho do meu corpo.
- Você é tão linda. É perfeita. – Ele
disse de onde estava. – Mas acho que vai ficar ainda melhor se terminarmos de
te amarrar.
- Terminar de me amarrar? Você não está
pensando em...
- Sim. Eu estou pensando exatamente nisto.
Ele pegou o rolo de gaze cortou mais dois
pedaços grandes e virou-se em direção aos pés da cama. Eu automaticamente,
encolhi minhas pernas, tirando do alcance de suas mãos, mas ele sorriu e se
abaixou para amarrar as faixas primeiro nos pés da cama. Quando as duas faixas
já estavam amarradas nos pés da cama, ele pegou as pontas, subiu e se ajoelho
na beirada da cama.
- Dá o pé Anne. – Ele falou delicadamente.
- Eu não sei se não quero ter os
movimentos das pernas. Já brinquei com os braços amarrados, mas tudo amarrado
eu nunca deixei. Porque eu deixaria agora?
- Porque eu te amo e vou te dar o maior
prazer que você pode imaginar. Eu te prometo. Você confia em mim?
- Não confio, mas estou com muito tesão
pra parar agora. – Eu disse, arrancando um sorriso de seus lábios, enquanto
entregava meus pés a ele.
- Você sempre foi esperta. – Ele
respondeu, terminando de amarrar um dos meus pés, e partindo para amarrar o
outro pé. Minhas pernas estavam extremamente abertas. De onde ele estava, acho
que era capaz de ver até minhas amídalas.
- E você sempre teve uma lábia incrível. Sempre
conseguiu me convencer de fazer todas as bagunças com você
- Eu era convincente quando pequeno, - Ele
falou, levantando-se da cama e olhando cada pedacinho do meu corpo novamente.
Quando sua língua passou em seus lábios, eu engoli em seco. - mas lábia, você
vai perceber que tenho agora.
Seu tom era rouco e sua voz me tirava o
ar. Quando levante o rosto para ver o que ele ainda estava fazendo nos pés da
cama, pude ver enquanto ele retirava a gravata, o terno, desabotoava botão por
botão de sua camisa.
- Você vai esperar eu dormir? – Perguntei,
quando não aguentei mais sua lentidão em tirar a própria roupa e fui
recompensada por um belo sorriso. – E eu não tivesse com as mãos amarradas você
já estaria pelado.
- Por isso que você está amarrada. Assim
você pode aproveitar mais e deixar de ser tão ansiosa. - Ele falou, caminhando
para o lado da cama e me dando uma visão melhor dele. Quando ele retirou sua
camisa, pude me maravilhar com a visão de seus ombros largos, seu tórax firme
com leves gominhos, tudo isso ali, a poucos centímetros de mim e eu com as mãos
amarradas. Como parecia ser o modo dele de me torturar, ele lentamente começou
a abrir o cinto e o botão da calça. Com os próprios pés ele retirou os sapatos
e logo em seguida, baixou as calças, ficando só de cueca preta.
- Minha nossa senhora! - Eu gemi. – Cueca
preta é covardia.
- Covardia? Então vou tirá-la. – E sem
dizer mais nada, ele retirou a cueca, deixando sua ereção à mostra, sem a menor
vergonha. – Melhorou?
- Melhorou, mas não muito. Ainda está
muito longe de mim.
Ele sorriu e caminhou para os pés da cama.
Quando sentou entre minhas pernas, sorriu e começou a beijar minha coxa direita
e sua mão apertava minha coxa esquerda. Beijos que ia em direção a minha
virilha, enquanto eu começava a gemer. Ele beijou, lambeu e deu leves mordidas
até chegar a minha virilha.
- Olhe pra mim. – Ele pediu e eu obedeci.
– Você gosta se sexo em silêncio ou com muita sacanagem ao pé do ouvido?
- Adoro ouvir sacanagem. – Respondi ofegante.
- Que bom. Então aproveita e me olha
enquanto te chupo.
Só tive tempo de prender a respiração
antes de sentir sua boa entre minhas pernas. Suas mãos estavam abrindo meus
grandes lábios para que tivesse um acesso melhor ao meu clitóris e quando sua
língua permaneceu ali, massageando, lambendo e estimulando, todo o meu corpo se
contorceu de prazer. Instintivamente tentei puxar meus braços e minhas pernas,
mas elas estavam muito bem amarradas. Eu estava toda aberta e entregue a ele, e
em troca eu estava sendo chupada de uma forma enlouquecedora.
Quanto mais ele me lambia, mais eu tentava
me contorcer e não conseguia. Não tinha como controlar a intensidade com que
ele me saboreava. Suas mãos em minhas coxas, me apertavam com tanta força que
pareciam querer se integrar ao meu corpo e quando essas mesmas mãos iam em
direção a minha bunda para me erguer mais, era sua língua, dentes e lábios que
pareciam querer fazer parte permanente de mim. Não me lembro de ter sido tão
bem chupada assim na vida. Eu queria poder retribuir, eu queria poder segurar
seus cabelos, passar minhas pernas sobre seus ombros, mas nada disso eu podia.
- Não lute contra as cordas Anne. Se
entregue. Goze na minha boca. Eu quero sentir o seu gosto. – Ele pareceu
adivinhar o que eu estava sentindo e fazendo.
Eu ainda lutei contra as amarras durante
algum tempo, mas quando Tiago juntou dois dedos à língua... Ah, isso me levou
ao céu. Ele lambia toda a minha buceta e ao mesmo tempo enfiava os dois dedos
em mim.
- Sua buceta é tão deliciosa que eu
passaria dias te chupando. - Ele disse isso em meio a gemidos e lambidas.
Eu estava à beira de um orgasmo com tudo o
que ele estava fazendo.
- Ti... Eu também quero, por favor. – Gemi
para ele.
- O que você quer Anne. Diz...
- Eu quero te chupar.
Ouvi ele gemer antes de responder.
- Hoje não delicia. Hoje sou eu quem vai
te fuder, você só vai aproveitar.
Dito isso, ele aumentou a rapidez dos
movimentos dentro de mim e concentrou sua língua em meu clitóris, me fazendo
gritar de prazer, até que gozei e todo o meu corpo estava mole como gelatina.
- Agora você pode me soltar? - Perguntei
alguns segundos depois, quando minha respiração estava mais estabilizada.
- Não, eu ainda não terminei.
Seus dedos ainda estavam dentro de mim.
Ele os rodou, entrou até o fundo e logo em seguida retirou, passando-os por
toda minha buceta e se encaminhando para meu anus.
- Eu adoraria te por de quatro e comer teu
rabo. – Ele disse, colocando lentamente um dedo em meu buraquinho, me fazendo
gemer. – Você gosta, Anne? Gosta de dar o cu?
- Eu... – Eu não consegui responder, pois
ele estava introduzindo dois dedos em mim. Inconscientemente mexi meu quadril
para ajudar a entrar sem dor. Depois de ter seus dois dedos totalmente
introduzidos, seu polegar voou para meu clitóris e começou seu ataque. Para
complementar todas as sensações enlouquecedoras que eu estava sentindo, Tiago
se movimentou até ficar com a boca em meu seio e a mão entre minhas pernas. Eu
não podia lutar contra e nem a favor. Não podia me segurar ou contorcer muito,
só me restava gemer, gritar e gozar. Quando eu estava prestes a gozar, Tiago
chegou até minha boca.
- Por favor... – Eu implorei baixinho.
- Por favor o que Anne? Quero ouvir alto o
que você quer.
- Me come, por favor. Quero sentir seu pau
dentro de mim. Agora. – Eu gritei.
- Seu pedido é uma ordem.
Ele rapidamente, retirou os dedos de
dentro do meu anus e se colocou entre minhas pernas. Com apenas uma estocada,
ele entrou em mim e com força e rapidez começou a se movimentar, me fazendo gritar
e implorar para que ele me soltasse para que eu pudesse passar minhas pernas em
suas costas, mas ele só respondia “daqui a pouco”.
Sua boca estava em minha orelha, enquanto
ele falava sacanagens ao mesmo tempo em que me chamava de amor. Era uma mistura
atordoante, vê-lo me fuder daquele jeito que me tirava do eixo, enquanto me
chamava de amor, dizia que me amava, enaltecia minha beleza e depois voltava a
falar sacanagens. Quando seus lábios chegavam até os meus, era uma mistura de
amor com selvageria. Nossas bocas se devoravam. Eu o mordia, lambia e beijava,
ele devolvia da mesma forma. Tiago tinha a vantagem de ter suas mãos livres
sobre mim e ele não poupava essa vantagem. Seus dedos vagavam livres entre
apertar meus seios, minhas coxas ou minha bunda. Algumas vezes iam até minha
boca e a fechavam, para abafar os sons que eu, enlouquecidamente emitia.
Desta vez meu orgasmo veio de forma
estratosférica e acompanhada do orgasmo incrível do Tiago, fazendo o corpo dele
cair sobre o meu.
- Isso foi tipo... Uau. – Eu disse,
fazendo-nos lembrar do nosso primeiro beijo.
- Espero que tenha sido melhor que nosso
primeiro beijo. – Ele sorriu.
- Não. Isso foi muito melhor. Agora se voe
puder me soltar, eu agradeço.
Ele ainda sorria quando rolou e pegou a
tesoura para cortar as amarras. No mesmo instante em que ele cortou todas as
amarras e soltou a tesoura, eu o empurrei para cima da cama e o montei.
- Agora, você vai me pagar caro por ter me
feito tudo isso.
- É mesmo? E como você vai me fazer pagar?
– Ele perguntou, interessado.
- Você vai virar meu escravo até amanhã.
- Até amanhã? Só?
- Até amanhã, porque vou viajar, lembra?
Vi seu rosto se entristecer. Fiquei com
dó, mas não havia nada que eu pudesse fazer.
- Você tem mesmo que viajar?
- Tenho.
- Pra onde?
- Madri. Vou fazer um curso de dança
Flamenca e se eu tiver sorte, quero fazer de dança do ventre também.
- Quanto tempo você vai ficar lá?
- Três meses com possibilidade de estender
por mais dois meses.
- Eu vou passar cinco meses longe de você?
– Ele resmungou enquanto me puxava de encontro ao seu peito. – Justo agora que
a gente se acertou?
- Serão três meses apenas, e sim, justo
agora. Deixa de reclamar escravo e vamos a sua primeira ordem. – Eu disse,
levantando-me de seu peito e ficando montada sobre ele.
- Qual sua ordem mestra.
- Eu quero um banho completo. Quero que
você me lave da cabeça aos pés. – Eu disse, rebolando um pouco para provocá-lo
e já sentindo sua ereção dar sinal de vida novamente.
- Um banho? Sim senhora. –Ele respondeu,
antes de me pegar desprevenida e me virar. Colocando minhas costas sobre a cama
e montando sobre mim. - Um banho de gato, senhora? Posso te lamber todinha,
novamente.
- Nada de banho de gato. – Eu disse,
puxando-o pelos cabelos até ele estar deitado sobre mim. – Agora é minha vez,
lembra?
- Sim senhora, mas se você não soltar meu
cabelo, vou te fuder novamente, antes do banho. – Tiago disse com a voz rouca.
- Você gosta de um puxão de cabelo? –
Perguntei toda dengosa, mas dando um bom puxão de cabelo nele.
- Eu te avisei. Agora não reclame. – Ele
disse, antes de assaltar minha boca novamente.
O banho ficou para depois. Bem depois.
Continua na Quarta Feira...



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