Na quarta feira, cheguei em casa perto das
dez horas da noite, cansada ao extremo, pois além das doze horas de trabalho,
uma hora e meia de exercícios depois do trabalho, juntou o cansaço emocional de
ter o Tiago me ligando, mandando mensagem, recado no facebook e acho que até
sinal de fumaça ele deve ter mandado. Minha noite, ontem, foi péssima. Tive
pesadelos e acordei várias vezes durante a noite. Porém quando cheguei, meu pai
estava com um sorriso enorme no rosto e uma carta na mão.
Reconheci o envelope na mesma hora.
- É o que estou pensando? – Perguntei,
animada.
- Não sei, mas o remetente é espanhol. –
Ele disse com um sorriso no rosto.
Fazia quase seis meses que eu havia
solicitado uma bolsa de estudos em uma das melhores escolas de dança do mundo,
a Carmen Amaya. E agora eu recebia minha carta de resposta. Abri apressadamente
e com as mãos tremulas. Retirei os informativos e uma carta, meu foco foi
diretamente para a carta. Quando li a carta simples, minhas pernas tremeram e
dei um grito de felicidade.
“Es con gran placer que la Escuela
de Danza Carmen Amaya informa, que sería un honor ser incluido en nuestra
clase, que comienza el 15 de agosto de este año. Dado que el considerado
elegible para recibir una de nuestras Wholly becas.
Vemos-nos pronto.
Graciosamente
Dolores Giménez
Director
Escuela de Danza Carmen Amaya”
“É com imenso prazer que a escola de dança Carmen Amaya informa, que ficaríamos
honrados com sua inclusão em nossa turma, que se inicia no dia quinze de agosto
deste ano. Sendo que, a consideramos apta a receber uma de nossas bolsas
integrais de estudo.
Vemo-nos em breve.
Atenciosamente
Dolores Giménez
Diretora
Escola de Dança Carmen Amaya”
- Eai? –
Perguntou meu pai.
- Começo daqui a quarenta dias. – Contei e
me abracei nele. – Agora preciso conversar com o meu chefe, mas o Seu Ângelo é
gente boa, aposto que se arrumar alguém para dar aula no meu lugar, ele não vai
se importar de eu ir fazer o curso.
- Quanto tempo de curso, filha? –
Perguntou meu pai, começando a ficar preocupado.
- São três meses pai. É apenas uma
especialização, não um curso de formação.
- E você tem como se bancar esse tempo
todo lá? Se precisar eu posso...
- Não pai, não se preocupa. Eu tenho um
dinheiro guardado pra isso. Agora eu tenho providências a tomar. Tenho que
ligar pra Deb e contar pra ela, contar pro Diego, cancelar nossos contratos e
mais mil coisas... – Eu digo, acalmando-o e já subindo as escadas para meu
quarto de dois em dois degraus.
Duas horas depois, já falei com a Deb, com
o Diego e com o Seu Ângelo. Tudo resolvido. Vou dar aula por mais dez dias,
depois o Diego, que estará de férias, vai assumir minhas turmas e meu salário
por 30 dias e os outros dois meses o Seu Ângelo vai me dar de férias. Já tenho
um aviso de férias vencido e o próximo vence daqui a oito meses, mas ele
aceitou adiantar, desde que eu abrisse mão dos 33% a mais que ele teria que
pagar. É lógico que aceitei.
Aproveitei para procurar meu visto e ver
até quando meu visto seria válido e para minha sorte, meu visto venceu. Vou ter
que correr atrás de um visto estudantil novo. Agora é começar a saga atrás do
visto, documentos, comprar a passagem, arrumar as malas e viajar. Pelo menos a
escola possui alojamento. Graças a Deus uma despesa e uma dor de cabeça a
menos.
***
Acordei às cinco e meia da manhã. Dei
minha corrida matinal à beira mar e voltei pra casa me arrumar. Quando era sete
e quinze, estava indo pegar o ônibus para o trabalho. Hoje, plena segunda
feira, eu tive que ir de ônibus, pois meu pai iria precisar do carro. Tudo isso
porque eu deixei meu carro lá no estacionamento em Jurerê e ainda não tive
tempo para ir buscar. Porém, de hoje não passa. Preciso do meu carro de volta.
Alem disso, preciso devolver o celular do
Tiago. Ele respeitou os dois dias que me prometeu, mas na quarta feira ele
começou a me mandar mensagens, ligar, mandar recado pelo facebook. Uma
perseguição total. Não quero falar com ele por enquanto, então não respondi a
nada.
Meu dia se passou normalmente, cheguei ao
trabalho, me alonguei, dei minha primeira aula às oito e meia, depois tem um
intervalo de dez minutos e assim por diante, até meu intervalo para o almoço.
Como trabalho doze horas, possuo duas horas de almoço, que sempre passo com a
Deb, já que combinamos nossos horários para não almoçarmos sozinhas.
Hoje, porém, nós duas vamos até Jurerê
buscar meu carro. Assim estamos com o horário de almoço seriamente
comprometido. Então para não perdermos muito tempo, ela vai me deixar lá no
estacionamento pegando meu carro e vai até o supermercado mais próximo comprar
alguns sanduíches naturais para nós duas e eu vou encontrá-la no supermercado
para voltarmos para a academia.
Tudo planejado e executado direitinho, se
não fosse pela minha ideia de jerico de aproveitar e devolver o celular na
recepção do empreendimento.
Os escritórios da empresa, ficam em uma
mansão de Jurerê. Luxo e classe são palavras que me vem a mente quando vejo o
local. Lembrei do Tiago me dizendo que era seu escritório provisoriamente e
rezei para que ele não estivesse lá.
Apertei o interfone da porta de entrada e
logo ouvi o barulho da porta sendo destrancada eletronicamente. Quando entro,
uma bela recepcionista vem ao meu encontro. Ela em seu belo taier azul anil,
saltos altíssimos, maquiagem impecável e todos os fios de cabelo no seu devido
lugar, fez eu me sentir uma mendiga, pois estava de legging, camiseta larga por
cima do top da academia e como tirei meus sapatos de dança, coloquei meu All
Star. Isso Sem falar que meu cabelo deveria estar parecendo uma vassoura
amarrada em um rabo de cavalo, pois deixei ele secar ao natural hoje.
- Boa tarde, em que posso ajudá-la. – Ela
me pergunta com um sorriso profissional.
- Olá, eu gostaria que fosse entregue um
aparelho de celular para o senhor Tiago Rebello. Ele acabou esquecendo comigo e
vim devolvê-lo. – Expliquei de forma mais simpática possível.
- Claro, queira me acompanhar, por favor.
- Oh. Não. Não... – Eu não queria entregar pessoalmente. Não
queria ver ele, ouvir sua voz ou estar no mesmo lugar que ele. – Eu estou com
um pouco de pressa... Você não poderia apenas entregar a ele?
- Claro. Posso sim. – Ela disse e eu
suspirei. – Só preciso que a senhora assine o protocolo informando a entrega da
mercadoria. É pura formalidade, mas é necessário. Me acompanhe, por favor.
Sem ter escapatórias, acompanhei. Quando
chegamos a ante-sala de vários escritórios, vi que nas porta haviam plaquinhas
com nomes e cargos. Logo vi a sala do Tiago e estremeci com o pensamento dele
estar ali, a apenas alguns passo de mim.
Percebi que a recepcionista estava
escrevendo algumas coisas no computador, acreditei ser o tal documento que eu
precisava assinar, mas quando a porta do escritório se abriu e Tiago apareceu,
percebi que a cachorra da recepcionista tinha avisado que eu estava aqui.
- Obrigada por me avisar, Brenda. – Ele
falou olhando para recepcionista e depois pra mim. – Entre, Anne.
- Não, estou com pressa. Vim apenas
devolver o seu celular. – Falei imediatamente, dando um passo pra trás quando
ele caminhou até mim. – A Deb está me esperando.
- Será apenas cinco minutos.Venha. – Ele
insistiu e depois falou baixo para que apenas eu pudesse ouvir. – Você não vai
sair daqui sem falar comigo. Você pode ficar dando desculpas o resto da tarde
ou entrar na minha sala agora e conversar comigo.
Inferno de criatura teimosa. Se ele ainda
é como era na infância, sabia que iria me infernizar a vida até eu ceder e
fazer o que ele queria. Só que agora eu era adulta e controlava minhas vontades,
resolvi que iria entrar naquela sala, devolver o celular, dizer para parar de
me cercar e ir embora. Esse era o plano.
- Ok, eu entro por um instante.
- Vamos. – Ele disse, colocando a mão nas
minhas costas e me indicando o caminho, como se eu não tivesse visto ele sair
de lá. – Brenda, segure todas as ligações. Se for algo muito urgente, me mande
pelo Skype. Estarei em reunião.
- Sim, senhor Tiago. – Brenda, a
recepcionista dedo duro, respondeu profissionalmente.
- Sim, senhor Tiago. – Sussurrei,
imitando-a. – Recepcionista dedo duro.
Tiago apenas me olhou e sorriu.
- Ela está cumprindo o que ordenei. – Ele
disse enquanto fechava a porta após passarmos. – Eu sabia que quando viesse
pegar seu carro, acabaria tentando devolver o celular.
- Como sou previsível. – Resmunguei. – E
só para o Senhor saber, não estou tentando
devolver. Estou devolvendo efetivamente. – Disse e coloquei o celular em cima
da mesa dele, lhe dando as costas. Neste instante ouvi um clique e percebi que
ele havia trancado a porta. – O que você pensa que está fazendo, trancando a
porta?
- Estou garantindo que você não vai fugir
antes que eu possa conversar com você.
- Não vou fugir. Vou voltar ao trabalho. –
Eu falei. Caminhando até a porta e constatando que ela estava realmente
trancada.
- Assim que conversarmos direito. – Ele
sorriu, parado ao meu lado, balançou a chave na minha frente e guardou no bolso
interno do seu terno.
- Tiago, não tem graça. Abre a porta.
Preciso voltar para o trabalho daqui a pouco.
- Sente-se Anne, ou essa conversa irá
demorar ainda mais.
Resignei-me e sentei na poltrona em frente
a sua mesa. Já que ele queria conversa, que fosse o mais rápido possível.
- Pronto. Pode começar a falar. - Fale,
mal humorada.
- Você não falou comigo na semana passada.
- Ele disse simplesmente. Sério.
- Não. Não queria falar com você.
- E porque não me disse isso. Queria apenas
saber se você conversou com seu pai e confirmou o que te contei. Sobre sua mãe
e meu pai. - Ele falou, ficando em pé, apoiando-se na mesa, de frente pra mim.
- Sim. Falei. – Confirmei. Ele me olhou
como esperando que eu complementasse a frase. – Ele confirmou tudo.
- E? – Ele perguntou, parecendo esperançoso.
- E o quê, Tiago? Isso não muda nada. Você
teve seus motivos para ir embora e teve seus motivos para não voltar. Eu segui
com minha vida e você com a sua. Ponto final.
- É só isso? Vamos ficar com isso mal
resolvido entre nós? – Ele parecia irritado ao falar isso. Vi os músculos por
baixo do terno se tencionarem e ele colocar as mãos nos bolsos como que
tentando mantê-las quietas.
- Fale por você. – Eu falei. Irritando-me
com a pressão que ele estava fazendo. – Eu estou com tudo resolvido.
Ele fixou seu olhar no meu e senti que ele
tentava ver se eu estava mesmo tão firme quanto eu falava. Não consegui manter
seu olhar. Ele estava vendo minha alma e isso eu não poderia suportar. Levantei
e comecei a caminhar pela sala, olhando pela primeira vez a decoração e os
detalhes do local de trabalho dele.
Alem da mesa de ferro com tampo de vidro,
a cadeira preta e as duas poltronas também pretas, a parede atrás dele possuía
um quadro enorme onde mostrava o empreendimento quando estivesse completamente
pronto. Na parede lateral havia duas estantes com livros e porta retratos e
entre elas havia uma porta, acredito que leve a sala de outro sócio ou a um
banheiro. Na parede oposta as estantes, havia um sofá de dois lugares, um
tapete bege e felpudo e uma mesa de canto com um arranjo bonito de flores e
folhagens e uma grande janela de onde se via o jardim da mansão e o
estacionamento onde estava meu carro.
- Achei que te trancando nessa sala, você
pararia de fugir. – Tiago disse baixinho. – Me enganei.
- O que você quer Tiago. Fala. – Agora eu
estar realmente irritada. – Eu não sei o que você espera de mim. Quer que eu me
jogue nos teus braços e diga que te amo e que sempre te esperei?
- Eu não sei o que eu esperava, mas não
era essa reação fria e distante. – Ele disse calmamente.
- Quem dera fosse fria e distante tanto
quanto eu gostaria. – Murmurei.
- Eu lutei durante anos contra a vontade
de vir atrás de você, pois sabia que te magoei quando fui embora. – Ouvi a voz
dele se aproximando, mesmo estando de costas pra ele, senti sua presença aproximar-se
enquanto ele caminhava em minha direção. – Durante todos esses anos, eu tentei
me convencer que não passou de um amor de infância e que você seria mais feliz
sem mim. Só que foi inútil. Eu cresci, estudei, me tornei o que sou hoje na
intenção de voltar e ser um cara melhor, um cara que valeria a pena você
perdoar. Eu tentei ser o melhor possível por você.
- Não faz isso Tiago, por favor. –
Murmurei, já sentindo as lágrimas se formando em meus olhos.
Não me movi, fiquei parada de frente para
a janela sem realmente vê-la. Quando os braços do Tiago me abraçaram, me corpo
cedeu. Era como um feitiço. Sua presença me desestabiliza. Por mais que eu
saiba que nosso envolvimento não vai terminar bem, meu corpo reconhece o dele, meu
coração palpita ao ouvir sua voz e sentir sua presença. Realmente temos coisas
mal resolvidas entre nós, entre elas, o sentimento que mesmo negando, eu ainda
sinto por ele. Não importa quanto tempo passe, ou o que quer que tenha
acontecido. Esse sentimento ainda permanece intacto.
Quando ele me fez virar e encará-lo, a
primeira lágrima caiu.
- Porque ouvir isso te faz chorar, Anne.
Porque luta contra o que você está sentindo.
- Se proteger é a melhor maneira de não se
magoar. É por isso que não te quero por perto. Você me faz lembrar de uma época
que eu tento deixar guardada no fundo da memória. Você me faz fraquejar e
ceder. – Falei sinceramente. E em um tom mais baixo que um sussurro,
acrescentei. – Não quero me magoar novamente.
Ele não me respondeu, apenas levou suas
mãos ao meu rosto e o segurou, me olhando nos olhos. Quando seus lábios se
aproximaram de mim, achei que fosse me beijar, mas ele apenas beijou as
lágrimas que caíram, lambendo-as e as sugando. Meu corpo reagiu ao contato tão
carinhoso dos seus lábios no meu rosto. Minhas mãos foram por vontade própria
para a sua cintura e meus pés se moveram o suficiente para por meu corpo mais
colado ao seu.
Quando nossos olhos voltaram a se
encontrar, vi estampado em seu olhar a pergunta “posso te beijar?”. Ou será que
eu estou apenas vendo o quero ver?
Eu estava me sentindo como aquelas
mocinhas de livro, que querem alguma coisa e ficam de frescura, se enrolando.
Eu não sou assim. Sei que não devo me envolver novamente. Não me fará nenhum
bem, mas não posso negar que o desejo e que tenho sentimentos muito fortes por
ele.
Ao pesar os prós e os contras, eu tinha
mais motivos para recuar do que para seguir meus desejos. O que me impedia de
me jogar nos braços do Tiago, não era o fato dele ter me abandonado, era o fato
de eu ter ficado sem noticias, sem contato e sem forma de localizá-lo para
contar da minha gravidez e três anos depois, contar a ele como nossa menininha
morreu.
Quando perdi a Clara, tudo o que pedia a
Deus era que Tiago voltasse para me apoiar e dividir aquela dor comigo. Ele já
tinha 19 anos e eu acreditei que assim que ele fosse maior de idade e tivesse
dinheiro o suficiente, ele voltaria.
Com o passar do tempo, essa esperança foi
perdendo a força e meses depois de perder minha mãe e minha filha no mesmo dia,
eu perdi também a esperança de que Tiago voltasse pra mim.
Naquele momento, dentro da sua sala, com
ele tão próximo, tão acessível, tive vontade de esquecer de tudo. Relegar as
lembranças a um segundo plano e viver aquele momento. Fingir que nada havia
acontecido nos últimos 12 anos e imaginar que ainda éramos aqueles adolescentes
ingênuos.
O tempo não volta e se eu ficar lamentando
pelo resto da vida o que perdi e o que deixei de viver, iria passar a vida
sofrendo ao invés de ser feliz. Sem dispensar mais nenhum minuto aos
pensamentos tristes, busquei coragem e fui atrás de aproveitar o momento sendo
feliz, sem pensar nas consequências como minha falecida mãe me pediu.
- Me beija, Ti. – Sussurrei, chamando-o
pelo apelido que costumava usar quando éramos pequenos.
Vi seus belos olhos verdes me encararem e
se escurecerem com o desejo. Na curta distância em que estávamos, eu podia ver
todas as pequenas sardas que salpicavam seu nariz e as maças de seu rosto. Sua
bela boca se abriu e senti sua respiração saindo com dificuldade antes dele
começar a falar:
- Anne, antes eu preciso te contar um
coi...
- Não, por favor. – Eu interrompi. – Sem
conversas. Eu preciso de um beijo seu agora, antes que eu mude de ideia.
Levou cerca de trinta segundos até ele
parecer se decidir se o que tinha pra me dizer era tão importante ao ponto de
rejeitar meu pedido. Antes dele finalmente acabar com minha espera, senti seus
dedos secarem as ultimas lágrimas em meu rosto, sempre com seus olhos colados
aos meus e quando vi seus cílios baixando lentamente, sabia que ele tinha se
decidido por me beijar.
Tudo pareceu acontecer em câmera lenta,
quando seus olhos se fecharam, seu rosto se aproximou do meu, senti um calafrio
percorrer meu corpo, quando seus lábios tocaram os meus.
Apesar de ser nosso segundo beijo após sua
volta, esse parecia diferente. Senti Tiago hesitar por alguns instantes,
beijando-me com certa distancia, contradizendo suas mãos que me puxavam para
mais perto e seu corpo que estava tenso. Parecia haver uma luta sendo travada
dentro dele. Porém quando minha língua brincou em sua boca, o desejo venceu a
batalha contra a razão e então ele passou a me beijar com entrega e desespero.
Desespero pelo qual eu respondia igualmente.
Minhas mãos percorriam sua cintura, peito
e costas, arranhando e puxando-o para mais perto, enquanto as mãos dele
passeavam em meu rosto, meus cabelos e iam em direção a minha nuca. Uma de suas
mãos permaneceu ali, em minha nuca e a outra começou a avançar pelos meus
braços em direção as minhas costas. Quando sua mão repousou na parte mais baixa
das minhas costas, ele me pressionou contra seu corpo e sua ereção já se
destacava.
Sentir o quanto ele estava excitado, mexeu
com minha libido, deixando-me tão excitada quanto ele, mas com a diferença que
eu era mais ousada. Nosso beijo tornou-se mais intenso e comecei a tirar seu
terno, desabotoar-lhe a camisa e puxá-la de dentro da calça. Quando senti meus
dedos percorrem seu peito nu e rígido, gemi em apreciação. Meu gemido foi pra
ele, como jogar álcool em plena fogueira, transformou o que já era quente em
algo incendiário.
Sem saber como, senti o sofá pressionando
a parte de trás da minha perna e quando me inclinei para sentar no sofá,
levando Tiago comigo, ele interrompeu o beijo por tempo o suficiente para tirar
o terno e a camisa já aberta. Aproveitei esse tempo para retirar minha camiseta
e ficar apenas de top e legging, enquanto Tiago se inclinava em minha direção
vestindo apenas sua calça social.
Ver seu peito nu sobre mim, tão próximo
que conseguia sentir seu perfume e ver cada detalhe e pinta que havia sobre sua
pele malhada e levemente dourada, me deixou febril. Meus olhos percorreram
todos os músculos do seu peito, barriga e braços, parando na nossa cicatriz. No braço dele, era apenas
uma pequena linha embranquecida. A acariciei e ele sorriu.
- Culpa sua. – Ele falou, alisando a minha
cicatriz idêntica a dele.
- Foi você quem me puxou e me fez cair em
cima de você. – Tentei me defender, correspondendo ao sorriso que ele me dava.
- A cena de ter você em cima de mim
naquele dia, me levou a minha primeira masturbação. – Confessou, parecendo
divertido e constrangido ao mesmo tempo.
- Aos oito anos? Que menino precoce você
é. – Brinquei com ele. Aproveitei aquele momento de descontração para bagunçar
seu cabelo, acariciar seu rosto, passando meu polegar pelo seu lábio inferior.
Enquanto eu percorria seu lábio com meu dedo, sua língua despontou e tocou meu
dedo. Morna, úmida e extremamente sensual.
- Você tem certeza? – Ele perguntou, ainda
com meus dedos em seus lábios.
- Não, mas só me arrependo do que não
faço. – Respondi e o levei até meu corpo, substituindo meus dedos por meus
lábios.
Voltamos a nos beijar enlouquecidamente,
Tiago pressionando meu corpo contra o pequeno e desconfortável sofá.
- Para o tapete. Agora. – Eu falei, quando
ele passou a beijar meu pescoço.
Rapidamente nos jogamos em cima do tapete
felpudo e Tiago se tornou mais ousado. Suas mãos passam a percorrer meu corpo
com mais afinco e com a pressão necessária para me fazer ficar ofegante. Quando
acariciou meu seio por cima do tecido do top, inclinei-me instantaneamente em
direção a sua mão. Ele beijava minha boca, meu rosto, pescoço e ombros. Eu
retribuía beijando os mesmos lugares, arranhando suas costas e me segurando em
seu cabelo sedoso.
Já estando entre minhas pernas, com apenas
nossas roupas nos separando, eu me esfregava em seu membro duro, levando a
ambos a beira de um abismo de sensações e tesão. Eu já estava a ponto de
implorar para que ele me possuísse de uma vez.
Para apressá-lo, tentei abrir o botão e o
zíper de sua calça, enquanto nos beijávamos. Sem sucesso. Ele vendo todo o meu
esforço, ajudou-me retirando toda a roupa que ainda lhe cobria. Sem pestanejar,
retirei meu top, arranquei meus tênis e quando comecei a retirar minha calça,
Tiago segurou minhas mãos.
- Deixa que eu faço isso. – Ele disse.
Ele me deitou novamente no tapete e entre
um puxão, uma rebolada minha e depois de muito custo, conseguiu tirar minha
calça. Estávamos parecendo dois adolescentes novamente. Muita pressa e pouca
habilidade.
Seu olhar ao perceber que eu estava sem
calcinha por baixo da legging foi impagável.
- Bom Deus, você anda sem calcinha? – Ele
perguntou. Terminando de puxar a calça pelos meus pés.
- Calça legging e calcinha não combinam. A
calcinha fica marcada. - Respondi, ficando apoiada nos cotovelos vendo-o
ajoelhado aos meus pés, vendo-me completamente nua na sua frente.
- Nunca mais vou conseguir ver você com
esse tipo de calça sem ficar de pau duro, ou melhor, nunca mais vou conseguir
olhar pra você com qualquer roupa e não te imaginar assim. Nua, linda e nos
meus braços. – Dizendo isso, ele começou a engatinhar em minha direção, mas
quando chegou próximo a minhas coxas, ele abaixou-se e começou a acariciar
minhas coxas até chegar ao meio das minhas pernas, abrindo-as.
Ele nem havia tocado minha buceta ainda e
ela já estava completamente molhada. Quando seus dedos passaram lentamente
pelos meus grandes lábios, suspirei. Com uma mão ele começou a acariciar
lentamente a parte externa da minha vagina e com a outra mão ele abriu ainda
mais minhas pernas. Antes que eu pudesse fazer ou dizer qualquer coisa, ele
coloca sua cabeça no ápice das minhas coxas e começa a me lamber delicadamente,
como que provando meu sabor.
Sua lentidão e delicadeza me fizeram ficar
excitada e emocionada ao mesmo tempo. Aquilo não era o sexo forte e duro com
que eu estava acostumada. Aquilo era fazer amor. Ele não estava me comendo, ele
estava me saboreando, provando, lambendo, chupando e mordendo delicadamente.
Eu estava tão excitada e a beira do
orgasmo que quando ele, após alguns minutos me chupando, deu-me uma pequena
mordida em meu clitóris, eu explodi e gozei. Mordendo o lábio para não gritar,
já que estávamos em seu escritório.
Tiago ainda permaneceu alguns instantes
provando dos sucos de minha buceta e quando se deu por satisfeito, voltou a
engatinhar em direção ao meus lábios, porem ele fez uma nova parada. Agora em
meus seios. Primeiro o direito e depois o esquerdo. Chupa, lambe, assopra, morde
e começa a chupar, lamber, assoprar e morder novamente. Em um ritmo incrível.
Enquanto sua boca se ocupa de um mamilo, sua mão está acariciando e apertando o
outro mamilo. A única coisa que posso fazer é arquear meu corpo, segurar seus
cabelos e gemer baixinho. Quando não agüento mais a deliciosa tortura que ele
está fazendo com meus seios, eu imploro.
- Por favor Tiago.
Não preciso dizer mais nada. Sua boa toma
a minha de assalto, me fazendo sentir um leve amargor do meu próprio gozo em
sua boa. Mas tudo é esquecido quando sinto ele encostar a ponta de seu membro
em minha buceta. Quando o sinto introduzindo lentamente, percebo o quão grosso
e duro ele é.
- Minha nossa! – Tiago exclamou quando
penetrou completamente dentro de mim. – Isso é... Isso é incrível.
Eu não consegui responder. A sensação dele
completamente dentro de mim era aterradora. Uma mistura de sensações. Novidade
e reconhecimento. Ele é um estranho e ao mesmo tempo ainda é o garoto de 16
anos da minha primeira vez. Mesmo seu pau sendo maior e mais grosso que aos
dezesseis anos, meu corpo sabia quem ele era. Meu corpo reconheceu o corpo
dele, mesmo após esses anos todos. Nossos movimentos eram cadenciados, como se
fizéssemos isso todos os dias. Um casal. Marido e mulher.
Eu não lembrava a ultima vez em que havia
sentido mais prazer. Nada havia me excitado tanto quanto aquela transa no
tapete. Cada vez que Tiago penetrava em mim, eu sentia que chegava ao céu,
porém nada foi tão incrível, quanto o momento em que Tiago deixou de ser suave
em sua penetração e começou a meter com força. Eu tentava me controlar para não
fazer barulho e para não machucar suas costas, já que o estava arranhando na
mesma proporção com que ele estava me dando prazer. Porém, mesmo lutando contra
o orgasmo, ele veio forte e longo, fazendo-me gemer e me contorcer embaixo
dele.
- Isso querida, goze pra mim. – Ele
sussurrou em meu ouvido, falando mais algumas coisas indefiníveis.
Enquanto meu orgasmo me levava às alturas,
minha buceta se contraia ao redor de seu pau e senti que ele se tornava mais
rígido.
- Agora é sua vez, meu bem. Quero senti-lo
gozar. – Eu disse entre sussurros e gemidos.
Quando Tiago veio, seu gemido foi tão gutural
que quase não parecia humano. Algo como libertação e êxtase.
- Isso foi... Indescritível. – Ele disse
após alguns segundos, beijando-me. – Você não sabe há quanto tempo eu espero
tê-la nos meus braços novamente.
Quando Tiago rolou, deitando de costas no
tapete e me levando com ele, apoiei minha cabeça em seu ombro e suspirei
satisfeita com o momento.
- Não vai me fazer a pergunta clássica? –
Perguntei brincando com ele
- Você toma pílula? – Ele me pergunta
sério.
- Sim. Tomo. – Respondi também séria e
irritada por ter esquecido da camisinha. – Espero de coração que você seja um
homem que cuida da sua saúde.
- Eu sou. Sou doador de sangue, mas se
você quiser, eu posso fazer exames para te comprovar isso.
Ele conseguiu quebrar totalmente o clima.
- Faça e mande pra minha casa por favor. –
Falei enquanto comecei a me levantar, mas ele segurou minha mão, evitando que
eu levantasse.
- Desculpa. Eu sou um idiota. Me perdoa. –
Ele disse delicadamente, dando beijinhos em meu pescoço e me fazendo ficar
arrepiada.
- Tudo bem. – Eu falei, ainda um pouco
irritada com ele.
- É sério Anne. Perdoe-me. Eu viro um
adolescente quando eu to perto de você. Sempre falo besteira e perco o
controle. – Ele apoiou-se em um dos cotovelos para poder me olhar melhor e
sorria como se fosse uma criança em véspera de natal. Acabei amolecendo e minha
irritação se desfez.
- Falar besteira sempre foi a sua
especialidade. – Eu disse sorrindo.
- Não. Minha especialidade era outra. –
Ele disse tentando ficar sério, mas com um pequeno sorriso escapando pelos
cantos de sua boca.
- Aé? E qual era? – Perguntei, sorrindo
abertamente.
- Cócegaaaaaas... – Ele disse ao mesmo
tempo em que veio pra cima de mim e começou a me fazer cócegas enquanto eu ria,
me contorcia e implorava por piedade.
- Paraaaaaaa... Por favoooooor... Eu
preciso... Banheiroooo – Eu disse, enquanto tentava me livrar das garras dele.
Quando ele parou, eu sentei e tentei recuperar meu fôlego. – Ti, eu preciso ir
ao banheiro.
- Aquela porta. – Ele disse, apontando a
porta que ficava entre as estantes. Eu juntei minhas roupas e corri para o
banheiro.
Quando entrei e tranquei a porta,
encostei-me na parte de trás da porta e suspirei.
O
que eu fiz? Eu fiz o que queria fazer. Que mal há nisso.
Fiquei ainda uns quinze minutos no
banheiro antes de conseguir voltar para a sala dele. Não que eu tenha demorado
isso tudo para fazer xixi, me limpar e me vestir, mas quando parei na frente da
pia e do espelho, o que vi, me fez ficar assustada e animada. Eu vi uma Anne
sorridente e de olhos brilhantes. Uma Anne mais feliz do que a que vi essa
manhã no espelho do banheiro da minha casa. Se tinha sido a coisa certa a fazer
eu não sei, mas que eu estava me sentindo muito bem, isso era inegável.
Quando abri a porta, Tiago estava sentado
na cadeira dele, apenas de calça social. Quando me viu, afastou a cadeira da
mesa e me sorriu. Seu sorriso era tão lindo, tão aberto. Eu não era a única que
estava com os olhos brilhando.
Meu coração se encheu de uma alegria que
não sentia há muito tempo e sem pensar, caminhei em sua direção e sentei em seu
colo.
- Tudo bem? – Ele pergunta, acariciando
meu rosto.
- Tudo ótimo. - Respondi, inclinando meu
rosto em sua mão.
- Estou tão feliz que acho que meu rosto
vai ficar dolorido de tanto sorri. – Ele disse, me dando beijinhos pelo rosto.
– Mas, nós precisamos conversar, Anne.
- Realmente precisamos conversar. – Eu
concordo. Afasto-me um pouco para que possa olhar em seus olhos. – O que deu na
tua cabeça em ficar trocando mensagem com o Diego, sabendo que eu estava do seu
lado?
Ele dá uma bela gargalhada. Daquelas de
jogar a cabeça pra trás e bem sonora.
- Foi ele quem falou comigo se passando
por você. Eu só dei corda. – Ele responde sorrindo com cara de criança
travessa. – Foi divertido ver o quanto ele tenta te defender de mim. Ele
realmente gosta de você.
- Ele não me ama, se é o que você está
querendo dizer. Nós somos muito amigos e ele é do tipo de cara que precisa de
uma mulher a quem proteger. Só isso.
- Só isso mesmo? – Ele pergunta, ficando
sério.
- Só. Somos amigos e parceiros de dança e
ele sabe disso. – Respondo também séria.
- Não acho que ele saiba. Ele pareceu
muito possessivo com você. Até romântico demais pro meu gosto. Tive que deixar
claro pra ele que eu vou lutar pra ter você do meu lado novamente.
- Ti, ele é possessivo com tudo, não
apenas comigo. Quanto a ele ser romântico, isso ele é mesmo, mas por mais que
ele diga o contrário, sei que o sentimento que temos é apenas tesão mutuo e um
protecionismo quase que fraterno. Antes de mais nada ele é meu melhor amigo e
nunca deixará de ser. Entendeu?
- Entendi duas coisas. A primeira coisa foi
a parte do tesão mutuo. Não gostei nadinha disso. E a segunda é que você
realmente gosta dele. – Ele disse, com a cara emburrada.
- Sim eu gosto dele. – Respondi e dei um
beijinho no biquinho que ele estava fazendo inconscientemente. - Sim, o Diego é
altamente desejável. – Dei outro beijinho nele. – Mas estou aqui com você e não
com ele. – Dei outro beijinho. – E você fica lindo com esse biquinho de ciúme.
- Eu não faço bico. – Ele respondeu
imediatamente.
Eu dei uma gargalhada e o beijei.
- E agora Anne? – Ele perguntou depois de
algum tempo nos beijando.
- Agora o que?
- Estamos juntos? Não estamos? Você vai
continuar a fugir de mim? Vamos conversar sobre o que aconteceu conosco durante
esses doze anos? - Ele me olhava e acariciava minhas costas. Nossos corpos
estavam tensos.
Fiquei um instante sem responder. Não
pensei nessa parte. Eu iria ter que falar sobre a Clara com o Tiago. Agora era
o momento para fazer isso, mas eu estava tão feliz de estar ali que não queria
ficar triste com a lembrança do dia em que ela morreu.
- Não vamos apressar as coisas. – Eu
disse. Insegura, sem saber se estava fazendo a coisa certa. – Podemos deixar
rolar e ver o que acontece.
- Anne, você está fazendo o que faz de
melhor, fugir. Precisamos conversar, mais cedo ou mais tarde.
- Que seja mais tarde, porque agora eu vou
tirar sua roupa. – Eu disse, mudando o foco dele.
Antes que ele pudesse contestar, agarrei
seu rosto e puxei em direção ao meu para que pudéssemos nos beijar. Não lhe dei
tempo de ver o quanto aquela conversa me amedrontava, pois me fazia relembrar
uma dor que eu fazia o possível para não reviver.
Como eu estava sentada em seu colo,
ajeitei-me o suficiente para ficar de frente pra ele, com uma perna em cada
lado do seu corpo e colei meu corpo ao seu. Enquanto nos beijávamos, eu passava
a mão em seu peito, pescoço e parava em seu cabelo. Quando dei um leve puxão,
ele suspirou e suas mãos que estavam na minha bunda, me apertaram.
Instantaneamente, comecei a me movimentar, provocando-o.
Não precisei provocar por muito tempo, em
questão de segundos ele estava tirando minha roupa e me deixando nua em sua
frente. Sem que ele esperasse, levantei, fechei a tampa do notebook e o
empurrei para o lado, sentei na ponta da sua mesa, deitando com as pernas
abertas. Quando levantei meu rosto para vê-lo, seus olhos percorriam meu corpo
e paravam entre minhas pernas. Vi seus olhos quase saltarem da orbita quando
levei minhas mãos até onde ele olhava e me toquei de leve, abrindo meus grandes
lábios para que ele tivesse uma melhor visão. Sua língua passou apressada por
seus lábios e seu peito subia e descia rapidamente.
Ele esticou uma mão e apertou minha coxa e
começou a subir em direção a minha virilha. Eu não sabia onde estava sua outra
mão, mas imaginei que estivesse em seu pau, pois ouvi um ligeiro ruído parecido
como de um zíper sendo aberto. Sua mão em minha coxa continuou a subir e quando
chegou a minha virilha, ele posicionou sua mão em cima da minha,
pressionando-a. Eu gemi.
Em instantes, ele retirou minha mão e
substituiu pela dele, continuando os movimentos, até que senti ele me penetrar
com dois dedos e acariciar meu clitóris com o polegar. Quase levitei com a
sensação. Seus dedos entrando e saindo de mim, cada vez mais rápido e profundo
estava me levando a beira do orgasmo, mas ele retirou os dedos, agora úmidos,
de dentro de mim e os esfregou em minha buceta, deixando-a toda molhada. Seus
dois dedos percorreram de cima a baixo e quando pensei que voltaria e me
penetrar, ele continuou a levar seus dedos mais para baixo até chegar ao meu
anus. Agora seu carinho se inverteu, ao invés de deixar seu polegar acariciando
meu clitóris, era meu anus que recebia atenção e estímulos, enquanto seus dedo
médio e indicador, entravam e saiam de mim. A sensação era extremamente excitante.
- Eu não deveria querer saber, mas você já
deu o cuzinho, Anne? – Ele disse com a voz rouca de tesão.
Não respondi, apenas olhei para ele e
balancei a cabeça concordando, então senti seu polegar começar a pressionar a
entrada do meu buraquinho. Levantei meu rosto novamente para olhá-lo quando seu
dedo conseguiu entrar totalmente. Eu estava muito excitada e queria que ele me
possuísse agora. Sua mão estava fazendo me penetrando em dois lugares
diferentes e me fazendo gemer como nunca antes. Enquanto seus dois dedos
ficavam mais fundo em minha buceta, o dedo em meu anus recuava e o movimento se
invertia quando ele introduzia mais fundo o dedo no meu buraquinho e seus dois
dedos quase saiam de dentro de mim. Enquanto ele me masturbava, vi que sua outra
mão estava em seu pau, acariciando lentamente.
- Ti, espera. – Eu sussurrei. Querendo que
ele retirasse a mão para que eu pudesse colocá-lo sentado e chupá-lo com toda a
vontade que eu estava sentindo por ver como ele se acariciava.
- Eu paro quando você gozar pra mim.
Seus movimentos se tornaram ainda mais
intensos. A velocidade e a força de seus dedos em minha vagina e no meu anus,
me fizeram tremer e gemer cada vez mais alto.
- Isso, Anne. Geme e goza. Vai meu amor...
– Ele sussurrou.
Sem que eu esperasse, o orgasmo veio de
modo explosivo. Foi rápido e intenso. Em questão de segundos, eu perdi os
sentidos ao perceber que não era apenas um orgasmo rápido e intenso. Eram mais.
Eram vários.
Tiago percebendo que meu corpo continuava
a se contrair, não parou de mover seus dedos até que meu corpo estivesse mole
em cima da mesa. Quando consegui recuperar o fôlego, não lhe dei tempo para me
penetrar, apenas o empurrei para trás.
- O que foi? – Ele perguntou assustado. –
Eu te machuquei?
- Senta na cadeira. – Eu ordenei séria.
- Anne...
- Senta. – Falei em um tom mais firme.
Quando ele sentou, não esperei mais nada e me ajoelhei a sua frente. – Agora
você vai me pagar pelos orgasmos múltiplos.
Ele relaxou visivelmente.
- Sim senhora. Você que ... – Ele não terminou
a frase pois o coloquei inteiro e de uma vez só na boca.
Eu estava com tanto tesão que queria
apenas prová-lo, chupá-lo até cansar. Seu pau era de tamanho médio, mas o que
se sobressaia era a grossura de seu membro. Ele preenchia completamente minha boca,
fazendo-me abrir ao máximo possível. Eu subia , descia, lambia seu pau, suas
bolas, punhetava-o, tudo enquanto ele estava sentado, gemendo, com a cabeça
caída pra trás e os olhos fechados. Eu precisava ver que ele sentia prazer.
- Olha pra mim. Deixe eu ver que te dou
prazer. – Eu disse enquanto lambia o pequeno liquido salgado que brilhava na
cabeça do seu pau.
- Se eu te olhar agora, vou acabar gozando
antes mesmo der entrado na sua boca. – Ele disse com um fio de voz. Percebi que
seus punhos estavam fechados e pressionados contra suas coxas. Acariciei sua
mão para que ele relaxasse.
- Olhe-me uma vez e depois disso vou
montá-lo e cavalgá-lo até que goze dentro de mim. – Eu sussurrei pra ele, fazendo-o me olhar.
Quando seus olhos encontram os meus, dei
uma lambida na cabeça de seu pau e sorri malvadamente pra ele antes de
colocá-lo inteiro dentro da minha boca. Deixando apenas suas bolas de fora, eu
movimentei minha cabeça para cima e para baixo, mas quando eu estava para
aumentar o ritmo da chupada, senti sua mão me pegando pelos cabelos e me
fazendo levantar a cabeça para olhá-lo.
- Chega. – Ele disse sério, com o maxilar
rígido. – Monta em mim agora.
- Sim senhor. – Respondi, lambendo os
lábios e limpando o canto da boca como se vê em filmes. Tudo sob o olhar atento
de um Tiago, excitado e extremamente ereto.
Quando me coloquei em cima dele, com uma
perna de cada lado das suas, peguei seu pau e o posicionei onde queria. Quando
comecei a me abaixar lentamente para que ele entrasse sem me machucar, Tiago
percebeu que estava mais apertado.
- O meu Deus, Anne. Isso é maldade comigo.
– Ele disse, quando terminou de meter seu pau inteiro em meu anus. – Seu
cuzinho é tão apertado que não sei se vou conseguir dar duas estocadas sem
gozar.
- Então deixa que eu faço todo o trabalho.
– Eu respondi, beijando sua boca e começando a me movimentar. Subindo e
descendo em seu pau. Estiquei meu corpo para trás, apoiei minhas mãos em seus
joelhos e deixei minha cabeça cair para trás em rendição total.
A sensação de ter Tiago assim, tão dentro
de mim, fez algo explodir em meu peito e sem saber por que, lágrimas começaram
a rolar pelo meu rosto. Ele percebeu que minhas lágrimas estavam caindo, me
puxou para seu peito, parando os movimentos.
- Não pare, por favor. – Eu disse,
beijando seu pescoço. – São lágrimas de felicidade.
- Anne... – Não deixei ele terminar de
falar. Comecei a me movimentar novamente.
Depois de tantos anos separados, tudo o
que eu queria era ser feliz ao lado dele. Só de pensar que poderíamos finalmente
ficar juntos. Que eu poderia compartilhar com ele as estórias da nossa filha
Clara. Que eu poderia dividir essa dor com ele. Dor que mesmo depois de tanto
tempo, ainda me fazia chorar a noite, sozinha no meu quarto. Saber que ele iria
estar no meu lado, vivendo o romance que fomos impedidos de viver, isso é
maravilhoso.
- Te amo Anne. – Ele sussurrou nos meus
lábios, enquanto nos beijávamos. – Sempre te amei. Durante esses anos todos,
sempre foi só você. Sempre será só você.
- Oh, Tiago! – Eu tentei responder. Minhas
lágrimas não deixaram. A única coisa que pude fazer, foi respondê-lo com beijos
intensos e profundos e com o orgasmo que se formava em meu ventre novamente.
Quando ambos alcançamos o ápice e gozamos,
em meio a gemidos, beijos, lágrimas e “eu te amos”, cai exausta nos braços
dele. Seu coração batia tão rápido e sua respiração estava tão acelerada que
fiquei com medo que ele tivesse um ataque cardíaco. Aos poucos, nossos corpos
foram se acalmando e ele saiu lentamente de dentro de mim.
Sai de seu colo e quando estava começando
a sair de perto dele, senti seus braços rodearem minha cintura e me puxarem
para seu colo.
- Onde você pensa que vai? – Ele disse,
beijando meu ombro quando deitei meu corpo sobre ele.
Só agora percebi que eu tinha onde ir, eu
precisava voltar ao trabalho.
- O meu Deus. Que horas são? – Perguntei
sentando em seu colo e já imaginando se a Deb estava me esperando. – A Deb está
me esperando.
- Calma, deve ter passado apenas uma hora,
no máximo.. – Ele disse, me tirando de
seu colo e indo em direção ao banheiro.
Enquanto ele ia ao banheiro, vesti minha
roupa e fui em busca do meu celular, dentro da minha bolsa.
- Sem bateria. Que ótimo. Estou sem
bateria. Não consigo nem ver a hora. - Resmunguei.
Busquei com os olhos o celular do Tiago em
cima da mesa, mas não encontrei. Vi então o notebook ainda fechado. Sem perder
tempo, abri a tampa do aparelho e mexi com o mouse para que tela de proteção
sumisse e me deixasse ver as horas, mas o que eu vi ali, me deixou sem ar e
tenho certeza que por alguns instantes, meu coração parou.
O Skype do Tiago estava aberto na janela
de bate papo com a recepcionista e ela havia deixado um recado pra ele há
quinze minutos. Um recado muito claro.
[13:03:14] Recepção – Senhor Tiago, sua esposa ligou e pediu para lembrá-lo da reunião às 14
horas.
[13:45:19] Recepção – Senhor Tiago, sua esposa já está aguardando o senhor na sala de
reuniões.



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