terça-feira, 3 de junho de 2014

Prólogo

Diego

Está constatado. Pé na bunda dói, e dói bastante. Eu posso falar com toda a segurança. Acabei de levar um. Fui dispensado pela Anne e não sei como me sinto sobre isso.
Anne e eu somos mais que amigos há alguns anos. Sempre tivemos uma relação incrível. Somos amigos, parceiros de dança e fomos amantes até hoje. Pois ela deu um basta na nossa relação, e tudo por causa da volta de um ex dela. O Tiago. Ele é um babaca de marca maior. Usou a Anne há alguns anos e agora volta como se nada tivesse acontecido. Idiota!
O pior é saber que ela estava comigo por esse tempo todo, mas no fundo ainda é apaixonada por ele. Sei que ela gosta de mim, mas saber que não consegui fazer ela me amar machuca meu ego de homem. Anne seria meu par perfeito. Ela é divertida, animada, adora dançar e nossa química na cama é enorme. Com ela, eu pensei em ter algo a mais que apenas a nossa relação aberta. Com ela eu pensei em exclusividade e fidelidade (apesar de nem saber se sou capaz de dar isso a alguém), mas agora não tenho mais que pensar nisso. Ela deixou bem claro que não quer mais do que ser minha amiga e Partner, então está na hora de levantar voo e visualizar novos horizontes e novas mulheres.
Agora eu estou correndo no parque de coqueiros, já passam das onze da noite de um domingo e sei que não vou conseguir dormir. Preciso gastar energia. A conversa com a Anne foi tensa e me deixou grilado com algumas coisas que ela disse, como o fato de que está na hora de me estabelecer com alguém. Só que o que ninguém entende, é que a mulher certa ainda não apareceu. Um relacionamento com a Anne seria tranquilo, somos muito parecidos e isso facilitaria muito, mas tenho consciência de que faltaria o fogo da paixão em um casamento com ela.
Chega de correr. Está na hora de ir para casa e tomar um banho. Já que não vou dormir, vou gastar energia de outra forma. De uma forma mais gostosa.
Cheguei em casa com o corpo ainda suado. Entrei no meu apartamento e já liguei o som em volume suficiente para que eu pudesse ouvir do banheiro. Tomei meu banho de porta aberta, como sempre, já que moro sozinho, não tenho preocupação com portas fechadas. Banho tomado, era hora de me vestir. Cueca preta, calça jeans, camiseta pólo branca, sapatênis, desodorante e um pouco de perfume. Pronto. Agora bastava pegar a moto e sair em busca de diversão e algum sexo quente.
Dez minutos depois, estou entrando em uma casa de swing conhecida de Floripa. Já sou frequentador há algum tempo e sempre que venho é divertido, mas hoje não estou no clima certo para estar aqui, mesmo assim eu vim e vou me obrigar a aproveitar.
Assim que entro, reconheço algumas pessoas na pista de dança. O local é animado e já há garotas no pole dance, dançando com pouco mais que um fio dental. Me instalo em uma banqueta disponível no bar e peço uma bebida. Enquanto o garçom não vem com meu copo, aproveito para dar uma olhada em volta. No andar de baixo da casa fica a pista de dança, onde há o bar, mesas e vários poles dances. Hoje, por ser um domingo, está relativamente calmo. Não demora muito para que uma mulher se aproxime de mim e peça para sentar ao meu lado. Dou um sorriso e bato no lugar vago ao meu lado.
- Oi, sou a Senhora atrevida e você quem é? – Diz ela sorrindo e senta, tão colada em mim que por pouco ela não senta no meu colo.
- Sou Diego. – Respondo meu verdadeiro nome, já que odeio esses codinomes que os casais usam.
- Diego! Nome bonito. Combina com você. – Ela continua a sorrir e agora coloca a mão na minha perna. – E o que você curte? Bi feminino, bi masculino, grupal, homens, mulheres...
- Eu curto mulher. E você? – Devolvo a pergunta.
- Eu topo de tudo, mas nesse momento eu estou com vontade de te arrastar lá pra cima e te lamber todinho. – Ela diz de modo provocante e automaticamente uma parte do meu corpo ganha vida.
- E seu marido?
- Ele está um pouco ocupado no momento e não vai se importar se eu sumir por algum tempo. – Ela responde e aponta para uma mesa onde há uma mulher sentada com a cabeça jogada para trás e um homem com a cabeça entre as pernas dela.
- Interessante. – Digo, enquanto olho a cena.
Penso por um segundo se é isso mesmo que eu quero. Subir e transar com uma desconhecida não vai mudar a minha vida e não vai me trazer benefício nenhum, mas também não irá fazer nenhum mal. Sigo analisando os prós e os contras de ter vindo aqui, quando sinto a tal senhora atrevida pegar minha mão e levar para debaixo da sua saia e colocá-la diretamente no centro de suas pernas. Ela é lisa e está completamente molhada. Distraidamente, introduzo um dedo nela e a sinto estremecer.
Transar com uma estranha pode até não mudar a minha vida, mas recusar uma “mulher” molhada, que vem junto com um par de seios siliconados, cintura fina e uma bunda arrebitada, é um crime para um homem. Sem pensar mais, levanto-me e pego a senhora atrevida pela mão e a conduzo para o andar de cima. Os quartos.

***

Deb

No mesmo dia, em outro local.

- É oficial. Eu aceito o seu pedido de casamento. – Eu disse olhando para Jeff. – Afinal de contas, com esse meu dedo podre, o único que sempre está ao meu lado e que ultimamente é o único a me dar prazer é você, Jeff
Eu estava na cama com ele e lhe contei tudo o que aconteceu durante o meu dia terrível. Contei sobre minha ida a praia com a Anne, Tiago e o Carlos. Contei que conheci o Carlos na festa onde a Anne e o Diego se apresentaram e que demos alguns amassos, mas na hora de ir para o motel o Carlos deu uma desculpa e marcou de sairmos hoje. Até então, tudo bem. Marcamos de ir à Costa da Lagoa, onde ele tinha uma casa. Mesmo com o climão da Anne e do Tiago, que descobri ser um amigo de infância e pelo visto, um caso mal resolvido da Anne.
Até chegarmos a tal casa, eu estava bem e feliz, mas quando chegamos, notei que ele recebeu uma mensagem e ficou estranho. Começou a se esquivar. Eu me aproximava e ele arrumava alguma coisa para fazer. Até que a Anne se afogou. Então ele se esquivou definitivamente. Eu fingi não ver, mas quando o Tiago levou a Anne até o posto médico e eu e o Carlos ficamos sozinhos, fiz minha última investida. Peguei-o desprevenido e o beijei. No começo ele retribuiu e até se empolgou. Ficamos de amassos, beijos e passadas de mão. Caminhamos nos beijando até o quarto dele. Quando chegamos ao quarto, ele já havia tirado a parte de cima do meu biquíni e chupava meus seios. Eu estava super excitada e disposta, até que me separei dele para deitar na cama. Esse movimento, essa separação dos corpos, fez ele perceber com quem ele estava e o fez recuar. Dizendo que não podia e pedindo perdão, ele me deixou no quarto, seminua, excitada, frustrada e perplexa.
Não esperei mais nada. Juntei minhas coisas e fui atrás dele. Encontrei-o parado no deck em frente à piscina.
- O que foi Carlos? O que aconteceu? – Perguntei irritada.
- Desculpa Deb, mas eu não posso...- Ele respondeu sem me olhar.
- E posso pelo menos saber por quê?
- Porque não quero trair minha mulher. – Ele falou baixinho.
- Você é casado? – Berrei.
Ele não me respondeu, apenas balançou a cabeça. Espumando de ódio de mim mesma, voltei para dentro da casa e peguei as coisas que eu tinha levado para passar o dia com ele e resolvi que iria pra casa.
Quando estava pronta para ir embora, aos prantos pela minha burrice, a Anne voltou e como sempre, me defendeu e protegeu. Cinco minutos depois que ela chegou, Carlos estava me pedindo perdão e tentando explicar que fazia muito tempo que ele estava sem a mulher dele, que ele não queria me magoar, que eu era uma garota legal, por isso ele não conseguiu fazer nada comigo, que ele odiava me ver chorando por causa dele e mais um milhão de desculpas.
- Você acha que estou chorando por você? – Perguntei aos berros. – Eu estou chorando por mim. De raiva de mim mesma. Eu deveria ter ficado em casa, pelo menos não teria me decepcionado com as minhas escolhas, mais uma vez.
Assim que a Anne voltou com as coisas dela, dizendo que iria embora comigo, partimos no primeiro barco que nos levou até o centrinho da Lagoa da Conceição. Contei pra ela tudo o que aconteceu, mas deixei de lado parte dos meus sentimentos. Isso só cabia a mim. Dentre todas as pessoas do mundo, ninguém sabia a profundidade dos meus sentimentos. Apenas Jeff conhecia todos os meus segredos e todas as minhas loucuras.
Sempre conto tudo para o Jeff e ele é o melhor ouvinte que tenho. O foco dele sou eu, por isso o amo tanto. Não é uma relação justa, já que ele vive pra mim e eu não sou exclusivamente dele, mas é assim que funcionamos.
- Depois desse dia de cão, estou precisando relaxar, Jeff. Você me ajuda? – Perguntei, acariciando-o. – Já estou de banho tomado, linda, cheirosa, pelada e necessitada. Me faz esquecer o dia de hoje. Por favor?
Com essas palavrinhas, acionei seu botão mágico. Ele prontamente se pôs em ação e muito lentamente percorreu meu corpo, até chegar onde eu queria. Entre as minhas pernas. Ali ele fez milagres. Em poucos minutos tive um orgasmo incrível.

Parte da frustração sexual foi embora, mas ainda ficava um sentimento ruim. Um vazio. Estava faltando algo, mas aquela não era hora de eu pensar sobre isso. No dia seguinte eu tinha que estar de pé cedo e precisava ter energia. Então levantei, fui até o banheiro, tomei uma ducha rápida, lavei Jeff e voltei para o quarto. Antes de me deitar novamente, guardei Jeff, meu vibrador perfeito, na gaveta do criado mudo e ajeitei-me para uma bela noite de sono.


Continua na quinta feira....



Ps.: Esses são o meu Diego (Rafael Zulu) e a minha Déborah (Fiorella Mattheis). O que vocês acham?

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