quinta-feira, 26 de junho de 2014

Capítulo 08

Diego

Não gostei dele!
Simples assim.
Meu alerta soou. Há algo de errado com esse primo da Deb. Além do fato dele estar me encarando e visivelmente me avaliando, há algo na forma como ele olha pra ela que me faz ter vontade de bater nele. Bater muito. Já Deb está calma, um pouco pálida, mas calma.
Depois das apresentações feitas, onde me apresentei como namorado, pois vi que Deb ficou sem saber como me apresentar, já que nunca demos rotulo ao nosso relacionamento, o clima fica um pouco estranho. Um silêncio constrangedor permanece entre nós três.
- Di, você já vai? – Deb me pergunta meio sem jeito. Quebrando o silêncio.
Pode ser impressão minha, mas ela parece estar tentando me dispensar de uma maneira muito delicada.
- Na verdade estou pensando em subir e tomar um chá com você. Por que não chama seu primo e subimos todos?
- Na verdade, eu ia marcar de conversar com o Léo em outro dia. Tenho cliente mais tarde. – Ela virou totalmente para mim, dando as costas ao tal Léo e me olhou nos olhos e deu um leve levantar de sobrancelha, enquanto falava. Depois se virou para o primo. - O que você acha Léo, podemos marcar um café amanhã nesse horário?
Meu alarme soou novamente. Deb estava claramente mentindo. Agora minha dúvida era saber por quê.
- Claro, boneca. – Ele sorriu pra ela e senti vontade de estrangulá-lo. – Amanhã eu te ligo.
- Mas você não tem...
- Seu irmão me deu o número do teu celular quando disse que viria pra cá. – Ele falou e senti Deb ficar tensa pela primeira vez. Quando ele deu um passo para frente, ela automaticamente deu um passo para trás e bateu contra meu corpo, aproveitei a deixa para abraçá-la possessivamente. Ao ver o gesto, o primo dela deu um passo para trás novamente. – Como eu disse, eu te ligo pra gente marcar. Tchau boneca.
Quando ele dobrou a esquina e saiu do nosso campo de visão, soltei a Deb e a virei pra mim.
- Posso dizer que não gostei dele? – Perguntei.
- Pode, porque você não é o único que não gosta dele. – Ela me respondeu e colou seu rosto em meu peito.
- Algo que eu precise saber sobre ele?
- Só precisa saber que ele é um idiota e que não é nada confiável. Nunca cometa a burrice de acreditar em qualquer coisa que ele diga.
Algo no que ela disse chamou minha atenção. Imediatamente, peguei seu rosto entre minhas mãos e a fiz me olhar.
- No que você confiou nele?
Ela ficou em silêncio e me encarou por um instante. Seus olhos me mostravam a batalha que ela travava dentro de si. Se abrir comigo ou não. Desejei que a confiança em mim vencesse, mas não foi dessa vez.
- Desculpa Di, mas é uma longa história e que há muito tempo enterrei. Não me faça falar sobre isso agora.
- Tudo bem. – Mesmo frustrado, não insisti.
- Posso te pedir uma coisa? – Ela perguntou baixinho e voltou a colar o rosto em meu peito.
- Claro. – Respondi dando um beijo em seu cabelo.
- Fica comigo essa noite?
- Fico. – Respondi simplesmente, mas ao vê-la daquela forma em meus braços, tive vontade de dizer que ficaria todas as noites, se ela me pedisse.


***
Deb

Tudo que eu não queria nesse momento era ficar sozinha. Assim que chegamos ao apartamento o Di se ofereceu para esquentar o nosso jantar, um arroz com feijão, salada e frango grelado que já estavam semi-prontos. – Sente no sofá e relaxe, vou esquentar nosso jantar e fazer um chá. – O Diego falou com um tom firme porém carinhoso.
- Só vou pegar as coisas no congelador e na geladeira para facilitar pra você. – Eu falei e foi o que fiz. Peguei as vasilhas com a comida congelada e coloquei tudo em cima da mesa juntamente com as coisas para preparar a salada e o chá. –Tem certeza que não quer ajuda? – Perguntei enquanto voltava para a sala.
- Não, Deb.  Pode sentar hoje sou eu quem vai “cozinhar” para você. – Ele fez as aspas com as mãos e eu sorrir, beijei os lábios dele em um pedido silencioso de obrigada e sentei no sofá ligando a tv em um canal qualquer e me afundando em lembranças.
Por mais que eu soubesse que reencontrar Léo seria inevitável, já que ele é meu primo, eu não esperava que ele tivesse a cara de pau de aparecer no meu apartamento. Ainda mais que estivesse me procurando. Depois de todos esses anos e de todas as mentiras que ele me contou, a ultima pessoa que ele deveria querer ver era eu.
Léo e eu crescemos juntos e nossos cinco anos de diferença de idade não nos impediram de sermos muito próximos. Desde pequeno ele sempre foi lindo. O típico alemão, loiro dos olhos azuis, alto e forte. Aos dezesseis anos ele era a cara do Alex Pettyfer no filme A Fera. Como se já não bastasse sua beleza, ele sempre foi comunicativo e extremamente extrovertido. Conquistava a todos com sua simpatia e carisma. Eu não fui uma exceção.
A partir do meu aniversário de quinze anos, Léo começou a investi fortemente em me conquistar. Eram galanteios, conversas de duplo sentido, carinhos, presentes e muitos sorrisos encantadores. Eu como uma menina do interior, ingênua e romântica, lutei contra meus sentimentos. Não queria me envolver com ele, principalmente por ele ser meu primo de segundo grau, mas quando ele disse que estava apaixonado, me entreguei ao meu primeiro amor.
Lembro-me até hoje do meu primeiro beijo, foi na primeira vez que ele disse que estava apaixonado por mim. Eu já tinha dezesseis anos e era encantada por ele, ele tinha vinte e um anos e sabia como me enrolar.
Eu estava de férias da escola e aproveitava o dia para andar a cavalo pelo sitio que meu pai tem em Pomerode. A liberdade de cavalgar pelos pastos sem ninguém me controlando era imensa, então eu aproveitava para fazer isso todos os dias no final do dia. Dentro do sitio passava um pequeno riacho, onde eu levava meu cavalo para beber água. Nesse dia, amarrei as rédeas do cavalo em uma árvore e me sentei sob a árvore para poder ler um romance infanto-juvenil.
Não lembro muito da história do livro, mas lembro que eu estava entretida com o livro, quando Léo chegou em outro cavalo e parou e sentou-se ao meu lado. Começamos a conversar e ele então ficou em silêncio.
- O que foi? – Perguntei.
- É que eu queria fazer uma coisa, mas tenho medo da sua reação. – Ele disse, olhando para o pequeno capim que estava em suas mãos.
- Por que você teria medo da minha reação? – Eu fiquei curiosa.
- Deb, você sabe o quanto é linda? Você parece uma boneca de tão linda. Eu simplesmente não estou conseguindo controlar o que sinto por você. – Ele falava baixinho e se aproximava ainda mais de mim. – Faz muito tempo que espero você crescer para que possa te dizer isso, mas te vendo vestida assim percebo que você está se tornando uma mulher deslumbrante.
Ao ouvi-lo falar, olhei brevemente para minhas roupas que nada mais eram que um tênis simples, um short jeans e uma blusinha rosa. Não havia nada demais na minha roupa, mas naquela época eu não sabia que ele estava muito mais interessado nas minhas pernas longas e em meus seios fartos.
- Léo, eu... Eu não sei o que dizer. – Eu estava encabulada e completamente encantada pelos elogios dele.
- Deb, eu estou apaixonado por você. É isso que quero dizer. – Ele estava com o rosto tão próximo do meu, que eu podia ver todos os detalhes de seus olhos azuis e as pequenas sardas que ele tinha nas maçãs do rosto. – Estou apaixonado por você há muito tempo e eu quero lhe dar um beijo. Me dê um beijo, Deb. Apenas um, e se você não gostar, prometo não me aproximar mais de você.
Ao dizer isso, ele acariciou meu rosto com tanta ternura que meu coração saltitou em meu peito juvenil. O romance dos livros que eu tanto gostava estava acontecendo comigo. O garoto mais velho, lindo e inteligente estava apaixonado por mim, a garota simples, boba e infantil.
- Apenas um... – Sussurrei e fechei meus olhos.
O problema foi que eu gostei. Gostei do beijo, gostei dele, gostei de namorar escondido e gostei principalmente porque ele era incrivelmente sedutor.
No começo eram apenas beijinhos e carinho. Isso durou uns seis meses assim, apenas um namoro as escondidas de forma respeitosa, porém chegou em um ponto onde os beijos começaram a se tornar mais intensos e as mãos dele começaram a ganhar vida. No inicio era uma caricia em meus seios por cima da blusa, depois ele começou a passar a mão nas minhas costas por baixo da blusa. Eu ficava apreensiva, mas ele agia de maneira natural e em meio aos tórridos beijos que faziam meus hormônios adolescentes ferverem, suas mãos iam explorando meu corpo. Nunca o deixei passar sua mão além do meu umbigo, mesmo com todos os pedidos dele, mas isso não o impedia de esfregar sua perna entre minhas pernas e me deixar excitada.
Esse esfrega-esfrega, as caricias e os beijos tórridos foram minando minha resistência, e como estava completamente apaixonada, no meu aniversário de dezessete anos marcamos de nos encontrar durante a madrugada ao lado do riacho.
Eu tinha amigas da escola que já haviam perdido a virgindade e me contaram como era e todas as cenas quentes dos livros de banca que eu lia, me fizeram desejar ter minha primeira vez. Seria uma noite especial. Era a noite do meu aniversário, seria com o namorado que eu amava e seria sob a luz da lua. Nada poderia ser melhor.
Doce ilusão.
Quando cheguei ao nosso encontro encontrei Léo alterado. Ele havia bebido. No inicio ele tentou ser delicado e carinhoso. Como eu estava com medo de sentir dor, pedi para ele ir com calma. Depois de alguns beijos e amassos, nossas roupas foram sendo tiradas lentamente. Quando ambos estávamos nus, toda a delicadeza de Léo foi para o espaço.
- Quanto mais rápido for, menos dor você vai sentir. – Ele me disse, ao se deitar por cima de mim depois de por a camisinha.
Eu acreditei nele e vi que o que estava nos livros não era o que acontecia na vida real. Sexo pra mim era doloroso e sem nenhum prazer.
Depois de consumado o ato, ele apenas rolou para o lado e me entregou minha roupa.
- Acho melhor você se limpar pois há sangue. – Ele disse sem olhar pra mim.
Não respondi nada. Eu sabia que sangraria. Minhas amigas haviam me contado e eu estava prevenida, dentro da minha bolsa havia uma pequena toalha. Depois de me limpar e me vestir, montei em meu cavalo a muito custo, por causa da dor, e voltei para casa.
Depois disso Léo e eu voltamos a nos encontrar algumas vezes, porém meu pai comprou uma casa mais próxima ao centro de Pomerode e nosso namoro as escondidas ficou cada vez mais difícil. Certa noite, Léo me pegou em casa de carro e fomos dar uma volta. Eu disse aos meus pais que iríamos tomar um sorvete, mas ele me levou para uma rua deserta para transarmos dentro do carro.
Só que nesse dia, ele me pediu para fazer uma loucura. Ele queria transar em cima do capô do carro.
- Vamos boneca. A rua está escura e ninguém vai ver. – Ele pediu de maneira carinhosa.
Eu não vi problema e deixei que ele me convencesse. Chegando a tal rua escura, ele estacionou o carro e me pediu para descer. Apesar da rua não ter iluminação, a lua cheia clareava tudo e tornava minha pele branca visível a metros de distância.
Começamos a nos beijar e em pouco tempo eu estava nua e sentada sobre o capô do carro. Ele havia tirado a camisa, mas ainda conservava sua calça. No inicio achei estranho, mas não me importei muito. Logo ele abriu o botão e baixou o zíper apenas o suficiente para que seu membro saltasse e ele pudesse penetrá-lo entre minhas pernas.
Estávamos no meio da transa quando começo a ouvir assobios e risadas. Eu congelei na hora. Havia alguém nos vendo.
- Léo, pare. – Pedi. – Pare, tem alguém nos olhando.
- Não é nada Boneca. Fique calma.
Porém não pude ficar calma, as risadas e assobios se juntaram a imitações de gemidos e fiquei muito incomodada. Empurrei Léo e corri para pegar minhas roupas que estavam penduradas na porta do carro. Antes que eu pudesse começar a me vestir, três rapazes saíram de trás de um matagal onde eles estavam escondidos.
- Porra galera, eu tava quase gozando. – Léo disse frustrado.
Olhei pra ele por instante sem entender, mas quando percebi o que estava acontecendo eu não quis acreditar.
- Léo? – Chamei-o. Eu ainda estava com as minhas roupas na mão tentando cobrir minhas partes.
- Se eu fosse você me vestiria de uma vez antes que eles fiquem animados demais.
Eu nunca tinha me sentido mais humilhada na vida. Entrei no banco de trás do carro, tentando me vestir o mais rápido possível, eu chorava. Chorei enquanto me vesti, chorei quando percebi que os amigos de Léo me olhavam pela janela, chorei pela vergonha e chorei principalmente por perceber que o meu príncipe encantado não passava de um babaca, arrogante e mentiroso. Tudo que ele quis era me usar e me expor para seus amiguinhos.
Naquela noite voltei pra casa e com todo o orgulho que eu tinha, passei a fingir que Léo não existia na minha vida. Não me dei ao trabalho de voltar a falar com ele, apenas o ignorei. Por dentro meu coração estava partido, mas por fora adotei cara de paisagem e tentei seguir minha vida em frente.
Tudo correu muito bem por cerca de um mês depois daquela noite, porém Léo não aceitou bem o fato de eu não falar com ele e não querer mais ficar com ele. Foi então que comecei a perceber que por onde eu andava as pessoas ficavam me olhando. Algumas riam, outras cochichavam. Certa vez uma senhora veio até mim e disse com todas as letras que eu deveria ter vergonha de ser uma perdida. Na hora não entendi e quando comentei com minha amiga Evellin ela muito sem jeito me contou o que estava acontecendo.
Quando percebeu que eu não iria mais voltar para ele, Léo começou a contar tudo o que fizemos. Como a cidade é pequena, a história logo se espalhou. Uma jovem namorando escondido e tendo relações com o namorado era uma fofoca quente em uma cidade pequena, só que não satisfeito, Léo depois de beber muito começou a contar sobre a noite em que os amigos dele nos viram transando, porém na versão dele eu havia transado com todos.
Quando eu soube disso, fiquei horrorizada. Como o cara por quem eu me apaixonei e entreguei meu coração e meu corpo poderia fazer isso comigo? As semanas seguintes foram terríveis. Era chacota dos alunos da escola, nas ruas as pessoas me olhavam torto, e tudo isso fazia eu me sentir horrível, mas nada foi pior do que a reação do meu pai quando ouviu esse boato.
Lembro do dia que ele chegou em casa mais cedo e eu estava no meu quarto. Ele entrou sem bater e foi logo gritando comigo.
- Como você pode ter feito uma coisa dessas Deborah? Como posso ter te criado tão errado ao ponto de você virar uma prostituta? – Ele gritava.
- Calma, pai. É mentira. É tudo mentira. – Eu chorava e implorava para que ele me ouvisse.
- É mentira? Você está querendo dizer que você ainda é virgem? Porque se for isso, eu vou pessoalmente tirar satisfação com quem começou essa fofoca. – Ele baixou o tom e vi que havia esperança em seus olhos.
- Não, pai. Eu não sou mais virgem, mas nunca fiz o que estão dizendo por ai... Com vários ... – Chorei ainda mais.
- Com quem, Deborah? Com quem você dormiu?
Eu não respondi. Não tinha coragem.
Minha mãe que ao ouvir a gritaria, interveio tentando acalmar os ânimos.
- Calma, Ambrosius. Deixa que eu converso com ela. Você está muito nervoso.
- Nada disso. Eu só quero um nome.
- Léo. – Eu sussurrei.
Meu pai pareceu não ouvir, mas então vi o ódio surgindo em seus olhos. Seu tom baixou e ele sussurrou: - Como você pode fazer isso? Ele é seu primo. Seu primo Deborah. Você não respeita nem a família? Que tipo de mulher você se tornou? Uma vagabunda? Minha filhinha se tornou uma mulher que se deita com qualquer um. – E ele saiu do meu quarto resmungando em alemão.
A decepção que vi nos olhos do meu pai e da minha mãe, me rasgou por dentro e naquele momento eu realmente soube o que era me sentir um lixo.
As semanas seguintes não ajudaram a melhorar minha situação. Passei a não me importar com o que os outros falavam ou faziam, mas me importava muito com as reações do meu pai. Ele simplesmente parou de falar comigo. Passamos quase três meses apenas falando o necessário.
No dia da minha formatura no terceiro ano, minha mãe veio até o meu quarto.
- Você não vai mesmo para a formatura? – Ela perguntou.
- Para quê? Para ouvir risadinhas quando chamarem o meu nome para a entrega do canudo? – Respondi irritada. – Não obrigada.
- Uma hora ou outra, esse povo vai esquecer. Você não pode ficar se escondendo pra sempre.
- De que me adianta o povo esquecer, se meu próprio pai não esquece.
- Ele vai passar por cima disso também, você vai ver.
- Não mãe, eu não vou ver. – Falei e ela me olhou sem entender. – Eu não vou ver porque resolvi que assim que fizer dezoito anos eu vou me mudar daqui.
- Como assim você vai se mudar daqui?
- A única coisa que venho fazendo nos últimos meses é estudar e vou prestar o vestibular na capital. Isso eu já tinha comentado com a Senhora. Se eu passar, vou morar lá. Inclusive a Evellin também está estudando para isso e Seu Lineu e dona Goret já estão morando lá, eles falaram que posso ficar com eles.
- Deb...
- Mãe, entenda. Eu não posso sair na rua sem ouvir uma piada ou coisa pior. Eu não posso sentar na sala sem que eu veja o olhar de desgosto do meu pai. O que mais eu posso fazer? No final das contas eu sou a culpa pelos meus atos, mesmo que tenha sido enganada.
- Eu sei que não tem sido fácil pra você, meu bem, mas dê tempo ao tempo. Daqui a pouco tudo volta a ser como antes.
- Desculpa, mãe, mas estou enlouquecendo. Eu preciso respirar. Preciso de liberdade pra ser e fazer o que eu quiser. Você sabe que não sou esse tipo de pessoa que todos falam.
- Eu sei meu bem. Eu acredito em você. Só acho que você se mudando vai acabar fugindo do problema ao invés de enfrentá-lo.
 - Ou eu posso estar dando espaço e saindo de cena para que as pessoas esqueçam de mim.
- Você tem certeza que é isso que você quer?
- Tenho mãe. Eu preciso poder viver sem a sombra dos meus erros e sem ter que correr o risco de olhar para a cara do Léo novamente.
- Ok então. Eu vou ver o que eu posso fazer para te ajudar. Vou falar com o seu pai.
- Mãe... – Eu sabia que precisaria de ajuda, mas não queria ter que pedir para meu pai.
- Filha, ele está magoado, mas você é filha dele e ele te ama.
Depois daquela conversa, vi meus pais discutindo e brigando algumas vezes, mas minha mãe não tocou mais no assunto.
Faltando duas semanas para o vestibular, juntei toda a mesada que eu vinha guardando durante muito tempo e comprei a passagem de ida e volta até Florianópolis. Cheguei em casa e mostrei para minha mãe.
- Já combinei com seu pai e com a Goret. Se você passar no vestibular, vamos bancar as suas despesas iniciais e você vai ficar lá na Goret.

Eu não podia acreditar. Pela primeira vez em meses eu senti felicidade de verdade. Eu estava tão alegre que abracei e beijei minha mãe. Eu tinha um motivo para ter esperança de ser feliz. Eu me dediquei ainda mais aos estudos. Eu tinha uma meta e precisava alcançar. Minha meta era ser feliz, mesmo que pra isso eu tivesse que deixar tudo o que conhecia para trás.


Continua na terça feira...



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